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Em dois meses, jogador fratura rosto, coloca placa na testa e vai a Mundial

Vinicius Teixeira, da seleção brasileira masculina de handebol - Wander Roberto/Inovafoto
Vinicius Teixeira, da seleção brasileira masculina de handebol Imagem: Wander Roberto/Inovafoto

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

08/01/2015 06h00

Fraturar um osso, qualquer um, é um problema dos grandes. Você pode ficar meses com mobilidade reduzida. A prática esportiva é vetada. Às vezes, nem dormir direito é possível. Imagine, então, quebrar a cabeça. Literalmente.

Um jogador de handebol brasileiro sofreu com isso. No fim de outubro, Vinícius Teixeira, de 26 anos, sofreu um afundamento craniano, com perda de tecido ósseo. Participar do Mundial do Qatar, a partir do dia 15 de janeiro, menos de três meses após a lesão, então, virou um sonho impossível. Mas ele conseguiu superar todas as adversidades.

Em dois meses, ele passou por uma operação na cabeça, implantou uma placa de titânio na testa para estabilizar a fratura e convenceu a comissão técnica da seleção nacional, comandada pelo exigente treinador espanhol Jordi Ribera, a convocá-lo para o Mundial. Na quarta-feira, embarcou para o Oriente Médio.

“Foi tudo bem rápido mesmo”, admite o jogador, no último dia de treinamentos da equipe no Brasil. “A fratura aconteceu em um choque de cabeça. Não desmaiei, não sangrou, mas senti muita dor e pressão na cabeça. Sabia que tinha sido algo grave. Quando coloquei a mão na testa e senti o buraco, tive certeza que tinha sido sério”.

A experiência de Vinícius com fraturas cranianas dava ao jogador a certeza de que o problema era grave. Em dezembro de 2013, ele já tinha, também em um treino da seleção, quebrado outra parte da cabeça. Em uma cotovelada, ele fraturou o osso zigomático, entre o olho e a bochecha direita. Fez uma operação para estabilizar o local e precisou de três meses de recuperação para voltar a fazer treinos de contato. Imaginava que a nova lesão teria os mesmos prazos. “Se fosse assim, não teria mais Mundial”.

Vinicius Teixeira, da seleção brasileira masculina de handebol, após operação para corrigir fratura na testa - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Vinicius após operação para corrigir fratura na testa: corte foi feito de orelha a orelha. Atualmente, cabelo cobre a cicatriz
Imagem: Reprodução/Facebook
A placa de titânio, porém, acelerou as coisas. Com ela, ganhou um mês na recuperação. E a chance de convencer os técnicos da seleção que poderia jogar no Qatar. Ele foi autorizado a treinar com a equipe na fase final de treinos, em dezembro. Treinava apenas a parte física. Só foi liberado para treinos de contato no dia 26, quatro dias antes da definição da lista final da seleção. Foi suficiente.

“Nossa preocupação era ver as reações do Vinícius no treino. Mas ao final do primeiro dia de seu retorno, não percebemos nenhum tipo de medo ou receio nele. Ele apresentou o mesmo nível de atividade e movimentação anterior”, analisa Jordi Ribera.

O técnico não percebeu, mas Vinícius confessou que, no início, não estava assim tão solto. “A gente sente receio. Às vezes, quando a bola é dividida, eu tenho medo de ficar com a testa exposta. Mas eu procuro não pensar nisso. Tento jogar como se não tivesse tido nenhuma lesão. Se você pensa demais, acaba atraindo”.

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