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Conheça Rebeca Andrade, ginasta que superou três lesões no joelho e conquistou a prata em Tóquio

29/07/2021 11h20


A ginasta Rebeca Andrade entrou para a história da ginástica brasileira ao conquistar a medalha de prata nos Jogos de Tóquio, no individual geral. Com isso, a atleta, de 22 anos, que saiu de periferia em Guarulhos, São Paulo, e se tornou a primeira brasileira a faturar um pódio no esporte em Olimpíadas. Um exemplo de superação após três graves lesões no joelho e ter pensado em desistir da carreira diante das cirurgias.


Da infância humilde à ginástica do Flamengo
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Desde criança, aos quatro anos, Rebeca desenvolveu o sonho de se tornar atleta, e aos nove deixou a casa da mãe Rosa Santos para se dedicar à ginástica artística. Como muitos brasileiros, a atleta é de família humilde e nasceu na periferia de Guarulhos. Filha de doméstica e com mais sete irmãos, a brasileira viu no esporte a chance de mudar a vida de sua família e realizar seus sonhos.

Foi através do esporte que a menina ajudou a mãe que criava oito filhos em uma casa de apenas um cômodo para uma vida mais estabilizada. O início foi por incentivo da tia e do irmão mais velho, no no ginásio Bonifácio Cardoso, na Vila Tijuco, em um projeto da Secretaria de Esportes de Guarulhos

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Com muitas dificuldades para ir aos treinos, Rebeca teve uma proposta da técnica Keli Kitaura de ficar em sua casa nos finais de semana. Em seguida, a promissora ginasta recebeu um novo convite da treinadora: deixar sua casa e ir até Curitiba em um importante centro da ginástica artística brasileira.

Apesar de todo sofrimento por estar longe de casa, e em muitos momentos pensar em voltar pra casa, a ginasta teve muito incentivo da mãe, que a acalmava e pedia para a filha seguir seu sonho. Foi então que surgiu um convite que mudaria de vez a vida de Rebeca, se mudar para o Rio de janeiro e treinar na ginástica do Flamengo.

Rebeca Andrade conquistou a prata em Tóquio (Loic Venance/AFP)

Três lesões sérias e a volta por cima

No clube carioca, Rebeca teve a oportunidade de se desenvolver no esporte e sempre mostrou muito talento, sendo promissora. No entanto, como tudo na vida da ginasta, novas dificuldades começaram a surgir, e torná-la ainda mais forte. Vieram as lesões e sérios problemas no joelho, que trouxeram muita dor de cabeça e ainda mais vontade de superar os obstáculos.

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Em 2014, a ginasta estava classificada para as Olimpíadas da Juventude de Nanquim, porém passou por uma cirurgia no pé. Mesmo desfalcando o Brasil, ele torceu para sua amiga Flávia Saraiva, sua substituta, conquistar três medalhas em território chinês.

Veio a fase adulta, e Rebeca tinha mais uma competição pela frente como toda atleta de alto nível e rendimento: o Pan de 2015, realizado em Toronto, no Canadá. Contudo, ela rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito ao praticar um salto e teve que passar por uma cirurgia. foram longos oito meses de recuperação e o medo de não conseguir se recuperar e ter que desistir de uma carreira tão promissora.

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Novamente a figura materna de dona Rosa apareceu, dando força à filha, que seguiu seu caminho para a disputa dos Olimpíadas Rio 2016. Todavia, ela ainda estava longe do seu física ideal e ficou de fora da decisão do salto, e no individual geral terminou na nona colocação. No ano seguinte, chegou como favorita no Mundial de Montreal, ainda mais com a ausência de Simone Biles. Mas o joelho voltou a atrapalhar, e uma lesão recidiva ao realizar um salto no aquecimento.

Depois de uma boa recuperação, disputou o Mundial de 2018 e em junho de 2019 se preparava para o Mundial de Stuttgart, na Alemanha. Durante uma apresentação no solo do Campeonato Brasileiro, uma nova lesão no joelho, e a vaga nos Jogos de Tóquio ameaçada novamente por conta de problemas físicos.

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Em mais uma preparação, dessa vez no Campeonato Pan-americano, não foi o joelho que atrapalhou e trouxe dor de cabeça par Rebeca, mas sim a pandemia global de Covid-19, que adiou os jogos e as Olimpíadas de Tóquio. A competição enfim aconteceu e Rebeca enfim pode mostrar todo seu potencial e garantir a vaga na terra do sol nascente.

A atleta chegava com muita vontade de tentar um inédito pódio olímpico para a ginástica artística feminina do Brasil. Uma peculiaridade trouxe um significado marcante a apresentação de Rebeca no solo. A substituição de músicas de Beyoncé, cantora que a ginasta é fã e usou na Rio 2016, para o funk, o baile de favela, que remete a infância na periferia.

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A ideia surgiu do coreógrafo, que encontrou no funk a inspiração para as apresentações com direito a elogios em um torneio na Alemanha. Nesta quinta, Rebeca brilhou em um momento histórico, encantado o Brasil e o mundo. Uma prata que coroou uma geração de ginastas que sempre sonharam e levar o brasil a outro patamar como Daiane dos Santos, Jade Barbosa, Daniele Hypólito, Laís Souza, entre outras.

E Rebeca ainda tem chance de marcar ainda mais seu nome na história da ginástica brasileira, já que está na final do salto e do solo. No individual geral, além da prata da brasileira, a americana Sunisa Lee ficou com o ouro, após fazer 57,433, enquanto o bronze foi da russa Angelina Melinkova: 57, 199.

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