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Fúria no cinema e ciúmes da "10": ex-colegas contam histórias de Pelé

Pelé posa na frente de um mural com uma jogada sua - Mary Turner/Getty Images for Halcyon Gallery
Pelé posa na frente de um mural com uma jogada sua Imagem: Mary Turner/Getty Images for Halcyon Gallery

23/10/2020 06h00

Abençoadas são as pessoas que puderam conviver com o Rei do Futebol. No dia que Pelé completa 80 anos, o "Lance!" reuniu relatos exclusivos de quatro ex-companheiros do Atleta do Século em épocas diferentes: Clodoaldo, Edu, Manoel Maria e Pepe, que abusaram dos relatos sobre Edson Arantes do Nacimento e contaram histórias bem-humoradas sobre o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Sossego nem no cinema

Após a Copa do Mundo de 1958, o craque virou uma celebridade mundial, então por vezes se resguardava em seus aposentos, seja no cotidiano ou até mesmo em viagens, permanecendo no hotel, enquanto os seus companheiros desfrutavam de alguns passeios, para evitar aglomerações incontroláveis. O seu refúgio era o cinema, pois além de ser um amante da sétima arte, a escuridão do local propiciava horas tranquilas ao Rei. Eis que em uma oportunidade.

"Comprei as entradas, entramos correndo no cinema, porque já tinha começado a sessão, sentamos quase no final. Só que ele (Pelé) deu tanto azar que do lado dele tinha uma cadeira vazia. E não é que senta um cara com um gravador, com as luzes já apagadas, o filme já comendo solto, e vem perguntando em espanhol se ele gostava do Chile, se o filme era bom e o que pensava de Santiago. O Pelé ficou "fulo". Foi uma das poucas vezes que eu vi ele (Pelé) "fulo" da vida, falando que nem no cinema ele tinha sossego", disse Pepe ao "L!".

"Nas excursões era difícil. Ele (Pelé) ficava praticamente trancado no hotel, porque não podia sair pra rua, fazer compras. Ele pedia pra gente as vezes comprar alguma coisa pra ele e ficava no hotel, porque se ele saísse vinha uma multidão em cima dele, e ele voltava correndo para dentro do hotel para se trancar no seu quatro. Muitas vezes ele ficava em quarto isolado, um quarto grande, sozinho, e isso não foi uma boa ideia porque ele sentia falta com quem bater papo", acrescentou o Canhão da Vila.

Ciúmes com a 10

Os olhos do Rei estavam sempre fixos a bola, até mesmo quando ele estava longe das quatro linhas. Olhar cirúrgico até mesmo para garimpar novas joias para o Peixe e também se sentir "ameaçado" por elas, como conta o ídolo santista, Edu.

"Ele (Pelé) me apresentou ao Santos FC. Eu moro em Jaú, ele em Bauru, e ele perguntou pra minha irmã se tinha mais alguém da família que jogava futebol, porque as nossas famílias eram amigas. E a minha irmã disser que tinha um garoto que era ponta-esquerda. Ele pediu para que o meu pai me levasse ao Santos para um período de testes, foi quando eu vim para o clube", contou o ex-ponta-esquerda à reportagem.

"Em 68, ele (Pelé) estava machucado e eu joguei com a camisa 10. Fizemos dois jogos, contra o Juventus e o São Bento. E nesses dois jogos eu marquei cinco gols, fiz três contra o Juventus, na Vila, ganhamos de 3 a 0, e ganhamos do São Bento, em Sorocaba, por 2 a 0, dois gols do Edu também. E aí chego pra treinar, ele já tá se preparando pra entrar em campo pra treinar também, e eu falei pra ele que era legal vê-lo recuperado. Ele me respondeu dizendo que estava preocupado com um carinha que estava querendo o complicar, usando a 10 sem querer largar", emendou um dos grandes nomes da história santista.

Expulsando o juiz

Manoel Maria, que além de te atuado com Pelé na trajetória final do Rei pelo Santos, também jogou com o Atleta do Século no New York Cosmos, no último ano de carreira do Eterno, em 1975, relembrou um episódio ocorrido em 1968, quando em um amistoso entre o Peixe e a Seleção Sub-23 da Colômbia, em Bogotá, o camisa 10 foi expulso em uma confusão, causando uma grande revolta dos torcedores com o árbitro da partida.

"Um dia nós estávamos jogando na Colômbia, deu uma confusão e o árbitro expulsou o Pelé, e a torcida foi lá pra ver ele jogar. Então se rebelou, se revoltaram e a torcida fez com que o juiz mudasse. Então literalmente expulsou o árbitro pro Pelé voltar", relembrou Maria.

O privilégio em ter jogado com o Rei

Seja qual for o atleta que tenha jogado com Pelé, no Santos FC, New York Cosmos ou Seleção Brasileira, independentemente do início, auge o fim da carreira do Rei, é certeiro que esse jogador se sentirá privilegiado, como se sente Clodoaldo, Edu, Manoel Maria e Pepe.

"Foram oito anos jogando ao lado do maior jogador de todos os tempos. Isso me enche de muito orgulho. Me sinto um privilegiado de ter participado desde o início da minha carreira ao lado do Rei Pelé", disse Clodoado.

"Jogar ao lado dele pra mim foi uma honra, um sonho. Imagine você jogar ao lado do melhor do mundo. E foram mais de 10 anos juntos. A gente se entendia muito bem em campo e fora de campo ele era um paizão", afirmou Edu.

"Eu sempre fui fã dele e de repente me vi jogando com ele. E ser amigo dele é uma das coisas maravilhosas que tenho na vida. Eu costumo falar que é o título mais importante da vida, ser amigo del, conviver com ele", pontuou Manoel Maria.

"Temos uma amizade maravilhosa até hoje, sempre quando a gente se vê eu o chamo de "Rei da Bola" e ele me chama de "Pepito", pouca pena, não sei por que, por causa da calvície (risos). Sempre quando a gente se vê é um motivo de tomar um refrigerante e bater um papo alegre", exclamou Pepe.

Pelé fez 1116 partidas pelo Peixe, marcando 1091 gols, em uma história coroada com 58 títulos, entre mundiais, continentais, regionais, estaduais e diversos torneios excursionais disputados em seus 6662 em que esteve vinculado como atleta do Glorioso Alvinegro Praiano.

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