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Em tom de adeus, Rodrigo Caio deixa saída nas mãos do São Paulo

22/08/2016 17h57

Depois de cinco anos e quatro meses no elenco profissional do São Paulo, Rodrigo Caio pode estar encerrando seu ciclo no clube. Nesta segunda-feira, foi escolhido para conceder entrevista coletiva no CT da Barra Funda e comemorar a conquista do ouro olímpico e a convocação para a Seleção Brasileira principal, mas nunca falou de forma tão incisiva sobre deixar o Tricolor.

- Meu contrato é até 2018 e sempre deixei claro o objetivo de jogar na Europa, mas não tem nada certo ainda. Será uma decisão em conjunto com o São Paulo e o melhor para as duas partes vai acontecer. Se Deus permitir, acontecerá. Enquanto isso, sigo com a cabeça aqui. Houve sondagens, mas fiquei concentrado totalmente na Olimpíada. Retornei agora, conversei com o pessoal (diretoria) e o que for acontecer precisa ser bom para o São Paulo, clube onde me formei, e para mim. Que a gente possa escolher o melhor - projetou.

Rodrigo perdeu as últimas seis partidas do Tricolor na temporada para disputar a Olimpíada. No início de setembro, pode perder mais um jogo (contra o Palmeiras) devido à Seleção principal, que joga as Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas, até a próxima semana, o zagueiro pode nem fazer mais parte do elenco são-paulino. Afinal, o Sevilla (ESP) está disposto a aumentar a investida de nove milhões de euros (R$ 32,3 milhões) - mais bônus de 2,5 milhões (R$ 9 milhões) - para tirá-lo do Morumbi.

- Não cheguei a conversar com o São Paulo sobre isso. Só vamos analisar quando chegar algo oficial e bom para ambos. É difícil falar sobre o futuro, tenho um sonho, todo mundo sabe. No momento certo as coisas vão acontecer. Desde que subi da base, tive um crescimento muito grande. Tinha o sonho de me formar um grande jogador no São Paulo, convivendo e aprendendo com pessoas experientes e o Rogério Ceni foi quem mais me ajudou. O que tiver que ser será. Deus planeja coisas boas para mim. Este é um momento especial pela conquista olímpica, pela convocação e, se for para sair, sairei de cabeça erguida e feliz pelo que fiz. Se ficar, ficarei com o orgulho de defender essa camisa, em um sonho realizado. Coloco nas mãos de Deus e do São Paulo - explicou o defensor de 23 anos.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Rodrigo Caio:

Como estão sendo esses dias de emoções com a Seleção?

Foram dias inesquecíveis, os melhores da vida, um sonho que foi realizado. A convocação para a principal agora é um orgulho muito grande, fruto de dedicação e trabalho. Espero agora conseguir manter, que é mais difícil ainda do que chegar. Vou me dedicar diariamente para isso, porque sei a qualidade dos jogadores que brigam para estar lá.

O que mudou desde que a saída para o Valencia (ESP) melou?

Fiz as melhores escolhas naquele momento. Era uma grande chance para sair para um time grande, mas não aconteceu. Voltei com confiança de que jogaria bem e seguiria na Seleção olímpica para realizar meu sonho, como realizar. Hoje vejo que aquela decisão de voltar foi excelente. Não me arrependo de nada e aprendi muita coisa. Sou experiente e espero muitas coisas boas ainda.

A Seleção olímpica guardou mágoa das críticas?

A gente tem o direito de falar, assim como a imprensa tem o direito de criticar. Mas é preciso ser coerente. Tudo que a gente fala precisa de coerência nas palavras. A gente vivia um momento difícil e sabia que podia render mais, mas precisava da ajuda de todos. A medalha não é só nossa, é de todos, do povo brasileiro. Na fase difícil, a gente precisava de todos também, mas nos colocaram para baixo. A bola não entrava, mesmo com 19 finalizações no primeiro jogo, 16 no outro... Não é porque não venceu que o trabalho era ruim, muito pelo contrário. O trabalho era bom há dois anos, continuou com a integração do Neymar, Renato Augusto, Weverton... E a gente confiava que a gente daria a volta por cima. Todo mundo tem o direito de criticar, mas é preciso coerência. Ninguém teve mágoa, só expressamos nosso sentimento. É preciso estar do nosso lado no momento ruim também, não só na conquista. E quem ficou o tempo todo do lado foram as famílias e os amigos.