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Cabeça fria? Alecsandro afirma que jogador Abel Ferreira era 'briguento'

Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras, em ação pelo Sporting em 2010 - Barrington Coombs - PA Images via Getty Images
Abel Ferreira, atual técnico do Palmeiras, em ação pelo Sporting em 2010 Imagem: Barrington Coombs - PA Images via Getty Images

Adriano Wilkson, Eder Traskini e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo e Santos (SP)

26/06/2022 04h00

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"Cabeça fria, coração quente". O lema que o técnico Abel Ferreira implantou no Palmeiras bicampeão da Libertadores nem sempre foi válido para o português. Quando atuava pelo Sporting, o lateral-direito Abel era cabeça quente e briguento, segundo afirmou o centroavante Alecsandro em entrevista ao UOL Esporte.

Alecgol, como ficou conhecido durante a carreira, jogou com o atual técnico do Palmeiras em Lisboa em 2007. Abel era reserva do selecionável Marco Caneira, mas ganhou a posição ao ser titular na final da Copa de Portugal — quando o time se sagrou campeão. Alecsandro jogava na ponta direita e fazia dupla com Abel.

"O Abel Ferreira era bem esquentadinho como jogador. Ele era briguento, competitivo, bem temperamental. Sempre cobrou muito, era um dos capitães da equipe. Sempre foi bem agitado. Essa coisa de 'cabeça fria, coração quente' era mais ou menos. Lá, tinha cabeça quente também. Agora ele deve ter aprendido a manter a cabeça fria, até porque virou a chave, é diferente ser treinador e jogador. O treinador tem que lidar com 30 pessoas. Acho que pode ser o diferencial da carreira essa cabeça fria. Se tivesse a cabeça quente poderia ser um problema com os jogadores", contou o atacante.

Depois do empréstimo ao Sporting, Alecsandro retornou ao Cruzeiro. Ele disse ter tido propostas da Europa, dos espanhóis Racing Santander e Villarreal, mas preferiu seguir carreira no Brasil. No clube português, o atacante foi treinado por Paulo Bento, que mais tarde comandaria o Cruzeiro. A ordem do técnico era entregar a marcação para o lateral Abel Ferreira.

"O Abel Ferreira era inteligente. Ele me ajudava demais. Eu jogava na direita, na frente dele. O Paulo Bento pedia para eu voltar até certo ponto e depois entregar a marcação para o Abel. A gente tinha uma conexão muito boa. Ele defendia muito bem. Não era tão forte no ataque, mas defensivamente ele conseguia cumprir as duas funções. Quando ele chegou no Palmeiras, eu liguei para ele, desejei sorte. Imaginava que ele teria sucesso, mas não tão rápido. É um cara estudioso, merece esse status", afirmou.

Alecsandro - Mauro Horita/AGIF - Mauro Horita/AGIF
Alecsandro celebra gol pelo Palmeiras contra o São Bernardo no Paulistão
Imagem: Mauro Horita/AGIF

D'Alessandro 'roubou' gol na Libertadores

O ano era 2010, e o Internacional jogaria contra o São Paulo pela Libertadores. O duelo era válido pela semifinal, mas já garantia vaga no Mundial de Clubes porque o Chivas, do México, já estava classificado para a final e, por força de regulamento, os times mexicanos não podiam disputar o torneio mundial via Libertadores.

Alecsandro atuava pelo Colorado, e os gaúchos haviam vencido o duelo de ida por 1 a 0. No Morumbi, o Inter foi derrotado por 2 a 1, mas levou a vaga graças ao gol marcado por Alecsandro, mas 'roubado' por D'Alessandro.

"Naquele momento, no Morumbi, teve uma dúvida, mas eu disse para o D'Alessandro bater a falta e saí da bola", afirmou o centroavante. "Falei que ia ficar na barreira e disse para ele bater onde eu ficasse. Eu ia sair da bola para enganar o Rogério [Ceni]. Ele bateu onde eu estava, mas a bola saiu mascada, feia. A bola veio na minha direção, eu sabia onde estava o gol e tentei desviar para, de alguma forma, dar mais velocidade. Eu dei uma chaleira e a bola saiu da linha do Rogério. Ele se estica e não consegue chegar na bola. É engraçado que, para todo mundo, o gol é do D'Alessandro."

Na hora da comemoração, o argentino saiu para celebrar junto a sua torcida, enquanto o autor do gol correu para o o outro lado. "Eu saí da câmera na hora do gol e fui comemorar com os roupeiros. Eu tinha prometido. Eu sumi do campo. No túnel, eu fui abraçar os roupeiros e caí com eles", contou o centroavante.

A Libertadores com o Colorado não foi a única conquistada por Alecsandro. Ele voltaria a ser campeão três anos depois, com o Atlético-MG de Ronaldinho Gaúcho. Na competição continental, valia tudo para o centroavante.

"Nunca disse isso na TV, mas já tomei cusparada na cara e dei de volta em um jogo de Libertadores. Era escanteio e eu não conseguia nem olhar a bola, só mirava o cara. Eu não estava nem mais preocupado com a bola, com o jogo, enquanto não cuspisse na cara dele de volta."

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