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Ednaldo cresce com apoio dos clubes e aumenta favoritismo para presidir CBF

Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Igor Siqueira e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/03/2022 04h00

As movimentações na Justiça, as reuniões de bastidores e os acertos no dia da assembleia geral que confirmou as regras eleitorais da CBF abriram um caminho largo para que Ednaldo Rodrigues se torne o presidente da entidade pelos próximos quatro anos. Inclusive, em um possível cenário de candidatura única, tendo o apoio dos clubes da Série A como elemento mais recente da equação.

A CBF pretende soltar hoje (8) a composição da comissão eleitoral independente. Os dirigentes de federação esperam também a convocação para a eleição. A expectativa é que a votação aconteça em oito dias após a formalização do anúncio do pleito. Pelo que ficou combinado com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a CBF poderia fazer a eleição em até 30 dias úteis após a assembleia geral para ajuste do estatuto — e a entidade quer notificar o MP de cada passo. Mas há pressa, até pensando em compromissos ao fim do mês com seleção brasileira, Conmebol e Fifa (congresso e sorteio da Copa do Mundo, ambos no Qatar).

Ednaldo já tem os elementos suficientes para ser eleito e por isso é tão favorito. Alongar mais esse processo só permitiria que a oposição se reanime. Hoje, Gustavo Feijó, vice-presidente que mais entrou em choque com o atual mandatário, é o único nome que ainda avalia se lança ou não candidatura - ele conseguiria formalizar o apoio de pelo menos quatro federações (Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e, possivelmente, Minas Gerais), mas não vê como viável, no momento, uma vitória no voto.

O baiano tem a cadeira e a caneta. A força que emana delas o solidifica na posição pensando no mandato para os próximos quatro anos. Ednaldo costurou alianças enquanto interino e até os opositores reconhecem isso. A segurança é tanta que ele já começou a demitir alguns membros da diretoria, como foi o caso do secretario geral Edu Zebini e do diretor de patrimônio, Dino Gentille. Ontem (7), o cenário só poderia mudar para Ednaldo se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubasse o baiano do poder, como pediu Dino. Mas o processo foi extinto, assim como a ameaça de qualquer decisão judicial que pudesse atrapalhar.

Na escalada ao poder, Ednaldo angariou o suporte de federações de peso, como São Paulo e Rio, conta com a simpatia de um bloco significativo do Nordeste — até por ser de lá — e tem reforçado benefícios financeiros aos filiados. Ednaldo falou ontem (7) em um momento de paz na CBF, mas rechaçou que seja uma "paz comprada".

"É construída com diálogo, procurando o melhor para o futebol brasileiro. Eu não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato daqueles que confiam no meu trabalho, na minha transparência. Isso não é só das federações. Recebi apoio maciço de 27 federações e de clubes. Eles querem hoje que eu seja o candidato a presidente da CBF, em qualquer que seja a data da eleição. Não é um apoio de boca. É um apoio escrito. É por confiar no trabalho que vamos desenvolver, com as pessoas que têm nos apoiado e querem um futebol brasileiro tranquilo, de alegria e não de páginas tristes", disse o ainda presidente interino.

O papel dos clubes nisso tudo passa por uma troca de apoio pelo suporte do comando da CBF ao desenvolvimento da liga. Na assembleia que tratou das regras eleitorais, os integrantes da Série A, em bloco unânime, acharam por bem aceitar que a única mudança fosse a redução da cláusula de barreira - agora, em vez de oito federações e cinco clubes, uma chapa pode ser registrada com quatro federações e quatro clubes.

"Sim, os clubes apoiam o Ednaldo. Não sei se seria candidatura única, não depende dos clubes", pontuou Duílio Monteiro Alves, presidente do Corinthians.

Os clubes da Série A ainda se deram por satisfeitos pelo fato de terem colocado à mesa o desejo de influenciarem na escolha de um diretor de competições - já pensando em um calendário adequado para a liga. Só que, ao fortalecerem as federações, ainda não se sabe como equacionar um cronograma de jogos que não se choque com as datas Fifa, por exemplo, e mantenha os estaduais do tamanho que estão.

A turma da Série B ainda não entrou na discussão, mas é improvável um desfecho diferente sobre o apoio a Ednaldo, até porque quem está na segunda divisão tem voto com peso unitário. As federações ficam com peso três. Os clubes da Série A, peso dois.

"Ednaldo hoje tem 23 federações. Tem quase todos os clubes da Série A. Tem mais os de São Paulo da Série B. Acho que vamos ter tranquilidade nessa eleição", prevê Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista.

Como fica a chapa?

Reinaldo é um dos cotados para assumir uma das cadeiras de vice-presidente na chapa de Ednaldo. Outro nome que ganhou força é o de Rubens Lopes, presidente da Ferj. Ednaldo poderá apontar oito vices.

A ascensão de Ednaldo já abriria uma cadeira. O quadro ficou mais embaralhado por causa da rusga entre o baiano e Feijó - ainda não se sabe se o dirigente de Alagoas vai baixar as armas e buscar uma composição para seguir no bloco de comando da CBF.

Além disso, a situação do Coronel Nunes é incerta: ele não assumiu a presidência interina por problemas de saúde. Outro que abriu caminho para Ednaldo foi Antonio Aquino Lopes, do Acre, que, no papel, é o segundo vice-presidente mais velho.

Enquanto Fernando Sarney é presença certa entre os vices, até por ser o representante brasileiro na Conmebol e na Fifa, ainda é preciso clarear o quadro envolvendo Castellar Neto, que também ficou mais próximo de Feijó. Os demais vices são o capixaba Marcus Vicente e o gaúcho Francisco Novelletto.

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