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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mauro: "Palmeiras deixou imagem negativa contra o River, parecia o 7 a 1"

Do UOL, em São Paulo

15/01/2021 16h57

A vantagem construída no jogo em Avellaneda ajudou o Palmeiras a se classificar para a final da Libertadores, mas no jogo da última terça-feira (12), no Allianz Parque, o time do técnico Abel Ferreira foi dominado pelo River Plate, que venceu por 2 a 0 e criou outras oportunidades que poderiam ter causado a eliminação do alviverde, salvo pelas defesas do goleiro Weverton e também das conferências no VAR após marcações da arbitragem.

No podcast Posse de Bola #91, Mauro Cezar Pereira afirma que o segundo jogo contra o River Plate deixou uma imagem ruim para o time do Palmeiras e o técnico Abel Ferreira pela forma como o time foi dominado pela equipe comandada por Marcelo Gallardo.

"Esse jogo contra o River Plate deixou imagem muito negativa para ele [Abel] e para os jogadores, pela forma como o Palmeiras foi subjugado dentro de casa, foi completamente dominado, parecia o 7 a 1, só não teve 7 a 1 no placar. O Palmeiras não jogava, foi uma coisa assustadora", afirma Mauro Cezar.

"O horroroso Rojas, que fez um gol de cabeça, foi expulso, aliás, achei bem rigorosa por sinal, esse jogador acabou prejudicando a sua equipe e, mesmo assim, o River Plate continuou dominando o jogo, atacando, criando situações e teve ainda mais duas intervenções do VAR em gol e pênalti, o gol acabou não valendo, o pênalti acabou voltando atrás o árbitro, e mais aquela dúvida no final sobre pênalti ou não, com dez homens. Além de criar situações, o VAR entrou em ação duas vezes e o River com dez homens, então o Palmeiras deixou uma imagem muito ruim nesse jogo", completa.

O jornalista cita ainda a trajetória do Palmeiras e a do Santos para a chegada até a final e vê o time de Cuca tendo passado por confrontos mais desafiadores, contra LDU, Grêmio e Boca Juniors, enquanto a equipe alviverde teve como adversários Delfín, Libertad e River Plate.

"O grande time da semifinal foi o Santos, obviamente, sem contar que o Santos enfrentou adversários mais complicados em toda a jornada em relação ao Palmeiras. Vamos recapitular, passando da fase de grupos, o Santos enfrentou a LDU, time que eliminou o São Paulo, porque era uma chave que tinha São Paulo, LDU e River Plate. Depois de passar pela LDU, o Santos pegou o Grêmio, trucidou o Grêmio, pegou o Boca, atropelou o Boca", diz Mauro Cezar.

" O Palmeiras pegou o Delfín, pegou o Libertad, que já é um time mais encardido, muitos jogadores veteranos, experientes, deram ali algum trabalho no primeiro jogo especialmente, mas é mais fraco do que os adversários do Santos, e aí pegou o River, foi excelente na sua estratégia dentro da Argentina, mas em casa a forma como perdeu, o Palmeiras se classificou com as calças na mão, desesperado, tipo 'acaba logo esse jogo, por favor!', aquilo eu acho que deixou uma imagem muito ruim", completa.

O jornalista afirma que a má atuação contra o River não significa que o Palmeiras perderá a final para o Santos, mas vê o time de Cuca chegando mais confiante pela forma como passou das semifinais e as dificuldades que superou durante a campanha.

"Não significa que vai perder a final, mas para mim é muito claro que o Santos deverá chegar no Maracanã dia 30 muito mais confiante, muito mais convicto, muito mais seguro e o Palmeiras tendo que se provar que consegue competir, eu acho até que consegue. Os times se conhecem bem, sabem como jogar, mas o Santos hoje eu acho que tem mais variedade de jogo e não acredito que o Santos ofereça ao Palmeiras o que o River deu ao time do Abel Ferreira no primeiro jogo", diz Mauro.

'Abel Ferreira foi generoso e humilde ao dizer que Gallardo é melhor'

A declaração do técnico Abel Ferreira ao final do jogo, reconhecendo a superioridade do River Plate e dizendo que Marcelo Gallardo é um técnico melhor, também é comentada por Mauro Cezar, que elogia o português pela humildade incomum no futebol brasileiro.

"No caso do Abel o elogio é muito mais pela grandeza, pela humildade, pela declaração, não pelo trabalho. O trabalho do Abel Ferreira é muito parecido com o de muitos técnicos brasileiros, a forma como joga o Palmeiras não difere muito do estilo de técnicos aqui do Brasil. Pelo menos por enquanto. Como ele teve pouco tempo, quase não pôde treinar, teve covid, teve contusão, teve vários tipos de obstáculos, essa não é uma avaliação da capacidade técnica do técnico português", afirma o colunista do UOL.

"Não consigo imaginar técnicos medalhões do futebol brasileiro tendo a grandeza do Abel, que é um técnico de 42 anos, que não tem grande experiência, treinou o Braga e o PAOK, o Braga é um time médio lá do futebol português e o PAOK não é também um dos grandes. O Palmeiras é o primeiro grande clube que ele comanda, é preciso entender isso, mas ele foi muito generoso e muito humilde ali ao admitir o óbvio, que poucos admitem, especialmente os vaidosíssimos professores brasileiros, salvo exceções", conclui.

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