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Feijão, churrasco e bola: como comunidade de cadeia tenta animar Ronaldinho

JORGE ADORNO/REUTERS
Imagem: JORGE ADORNO/REUTERS

Ricardo Perrone

Do UOL em São Paulo

18/03/2020 04h00

Preso em Assunção ao lado do irmão Assis, Ronaldinho Gaúcho conta com a solidariedade de colegas de cadeia e funcionários do quartel e prisão em que está para amenizar as durezas da vida no cárcere.

Os novos amigos do brasileiro tentam agradá-lo principalmente pelo estômago e com futebol.

De acordo com um dos integrantes do estafe do ex-jogador, outros presos gostam de fazer arroz e feijão na tentativa de matar a saudade de Ronaldinho de uma comida caseira.

A combinação típica da culinária brasileira também já foi oferecida a ele pelo responsável da cantina do local.

Presos que convivem com o ex-atleta já prepararam churrasco para ele. Ronaldinho, segundo um de seus amigos, aprovou a churrascada.

"Nós oferecemos alimentação completa para os presos, mas, eles podem receber refeição de fora ou fazer comida aqui dentro. Eles fazem lá na área em que o Ronaldinho está e ele come o que preparam", disse Blas Vera, administrador da "Agrupación Especializada de la Policia Nacional", onde os irmãos estão em prisão preventiva.

O funcionário do local falou também dos presentes que Ronaldinho Gaúcho costuma receber de fãs que não estão presos. "Eles gostam de mandar comida para o Ronaldinho, mandam coisas como tortas e sucos", contou Vera.

O administrador disse que o futebol tem sido um grande aliado do ex-jogador do Barcelona nesse momento de dificuldade.

"Ele não participou do nosso campeonato interno, só tirou fotos com o pessoal que jogou. Mas ele tem jogado futebol constantemente. Ronaldinho se diverte jogando", afirmou o administrador.

Vera afirma que tem dado atenção diária ao brasileiro. "Todos os dias eu converso com ele e pergunto se está faltando alguma coisa. Ele nunca reclamou de nada e me disse que os outros presos que estão na mesma área são caras legais", contou o administrador.

Ronaldinho e Assis não passam o dia inteiro atrás das grades de uma cela. Eles ficam numa ala que lembra um alojamento, segundo quem já esteve lá. Podem ir para o pátio quando quiserem, não existe horário determinado para banho de sol, conforme diz Vera. "É quase como se fosse uma prisão domiciliar", opinou.

O estafe de Ronaldinho e Assis confirma que os dois, de maneira geral, não reclamam do tratamento que recebem na prisão. A única queixa é em relação a quantidade de mosquitos e o medo de pegar dengue.

"Realmente, temos muitos mosquitos por aqui. Ficamos perto do rio Paraguai. Isso ajuda a ter mosquitos. Mas contamos com o serviço público especializado que rotineiramente faz o combate", declarou Vera.

Quem já visitou Ronaldinho, preso preventivamente com seu irmão por portar e usar documentos paraguaios falsos, não retrata o ex-jogador deprimido. O discurso é de que ele apenas repete que quer justiça.

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