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Rebeca Tavares jogou no time de Fabinho e virou 'técnica' dele no Liverpool

Rebeca Tavares sonhava em ser jogadora e conseguiu no Monaco - Reprodução/Instagram
Rebeca Tavares sonhava em ser jogadora e conseguiu no Monaco Imagem: Reprodução/Instagram

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

25/11/2019 12h00

"Chuta mais!". Parece orientação de técnico para jogador, mas quem pensa nisso erra feio. O conselho é para o volante Fabinho e vem de casa. É a mulher Rebeca Tavares quem analisa os jogos do marido e decreta: precisa buscar mais no gol. O pedido foi seguido à risca e com perfeição no último jogo do Liverpool contra o Manchester City. Fabinho chutou forte de longe e marcou.

"Obrigada, técnica", agradeceu Fabinho depois da partida contra o City. Rebeca não aconselha da boca para fora. Ela vive o futebol com o volante, mas também já foi jogadora e sonhou brilhar com as bolas nos pés.

Rebeca cresceu na Espanha e era boa de bola. O gosto pelo futebol se tornou um sonho: ser jogadora profissional.

"Desde pequena sempre gostei de bola. Jogava na escola e era querida. Todo mundo me queria no time. Eu era uma boa jogadora. Era meu sonho e minha paixão desde pequena. Há dez anos o futebol feminino não era como hoje. Faltava incentivo e esforço. Eu sonhava com a Marta. Eu gosto do drible, de fazer graça e jogadora como ela não tinha", conta Rebeca em entrevista ao UOL.

O estilo dribladora é bem diferente do de Fabinho. "Eu era bem marrenta. O Fabinho quando via eu jogar bola falava que eu era marrenta, que é duro de me marcar e que eu ia tirar o adversário do sério", explica a agora ex-jogadora.

Rebeca Monaco - Reprodução - Reprodução
Rebeca Tavares em sua apresentação no Monaco, em janeiro de 2018
Imagem: Reprodução
"Quando eu quis voltar a jogar já era tarde"

A oportunidade de ser jogadora de futebol surgiu em 2018, no Monaco. Rebeca foi contratada e ficou seis meses no time, enquanto Fabinho atuava no masculino. Era pelo sonho de quando era mais jovem, já que não recebia salário. "Era minha paixão. Quando eu quis tentar foi quando comecei no Monaco e aí deu certo. Mas outros caminhos foram aparecendo. Quando quis voltar era tarde", explica. "O time não era tão grande, era um time de bairro", comenta.

A mudança do marido para o Liverpool em julho de 2018 encerrou a passagem de Rebeca no Monaco. Ela treinou dois meses no time inglês. "As meninas são profissionais e jogam na primeira divisão daqui. Elas têm muito talento. Por ter ficado tempo parada, foi bem difícil voltar no nível delas. Elas sempre me acolheram bem, sempre ajudaram."

Aos 24 anos, Rebeca decidiu encerrar a carreira pelo planejamento da própria família. Rebeca e Fabinho querem ter um filho. "Uma vida profissional para mim fica difícil por causa do casamento. A gente pretende ter filhos", conta.

Apoio nos momentos difíceis na carreira de Fabinho: Liverpool e seleção

Quando os jogos de Fabinho acabam, Rebeca recebe uma ligação. É o volante do outro lado da linha perguntando o que a mulher achou de sua atuação. "Eu dou a opinião e tem coisas que ele faz nos jogos".

Mas além de "técnica", Rebeca segura a barra quando as coisas não vão bem. Como na adaptação de Fabinho ao Liverpool, período que ficou no banco de reservas. "Foi difícil, porque não jogava muito, mas a gente soube superar e ele sempre teve paciência. Eu sempre tratei de animar ele. Eu sei do talento dele e que a fase de banco ia passar e ele iria arrebentar. Ele é um cara que ama a profissão dele e nunca vi alguém gostar como ele. Ele sempre se esforça para ser o melhor", ressalta.

A ausência na lista de convocados para a Copa do Mundo de 2018 também se encaixa nesses momentos de dificuldade. "Como um bom jogador e bom brasileiro, ele sonha em representar a amarelinha e gostaria de ter ido para o Mundial. Foi um momento triste, mas ele mesmo sempre falou que sabia que o momento ia chegar e que ia torcer o máximo para saírem bem".

Rebeca  - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Rebeca com as amigas Larissa e Natália
Imagem: Reprodução/Instagram
Apesar de jogadora, Rebeca e Fabinho se conheceram na Igreja

Rebeca conheceu Fabinho bem longe dos gramados. Ela morou na Espanha desde os seis anos com a família e o primeiro contato foi pela religião. "Eu não sabia que ele era jogador. Ele foi um dia na Igreja e virou amigo do meu irmão. Ele jogava no Real Madrid Castilla. A gente não sabia que ele jogava, sempre foi discreto, só depois que ele foi falar".

As Migles: o grupo formado por Rebeca, Larissa e Natália

Fora de campo a família se adaptou depressa com a ajuda de Larissa Pereira, mulher de Firmino, que acolheu a nova amiga. Hoje as duas e a mulher de Alisson, Natália Becker, são mais que amigas, são "Migles", como o grupo é conhecido.

"Elas são um presente para mim, sempre estamos juntas. Eu cheguei com medo, porque é totalmente diferente o time grande. A Larissa mandou mensagem e quis conversar no primeiro dia marcando um almoço. Ai a amizade surgiu, a Natália também. Hoje somos inseparáveis".

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