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Há 20 anos, Corinthians bordou camisa às pressas antes de título brasileiro

Dinei celebra gol na 1ª final: marca Embratel foi colada em cima do Excel Econômico - Ormuzd Alves/Folhapress
Dinei celebra gol na 1ª final: marca Embratel foi colada em cima do Excel Econômico Imagem: Ormuzd Alves/Folhapress

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

15/12/2018 12h00

Os dias que antecedem uma grande decisão no futebol costumam ser repletos de indefinições em relação às equipes, ansiedade e muita tensão. Há 20 anos, o Corinthians viveu tudo isso e ainda teve de resolver um problema bastante atípico às vésperas da final contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro de 1998.

O time alvinegro, que à época buscava o bicampeonato, entrou em campo com camisas confeccionadas às pressas, com a marca do patrocinador máster bordada horas antes da primeira partida do confronto. Na ocasião, a Embratel cobriu o nome do Banco Excel Econômico.

Essa foi a maneira encontrada pela diretoria corintiana, que ficou diante de um problema que passou longe do Parque São Jorge. Em meados de dezembro de 1998, o Banco Excel foi comprado pelo grupo espanhol Bilbao Vizcaya. Para evitar confusão diante da iminente alteração, que ocorreu dois dias depois da primeira final, a empresa decidiu romper o contrato - à época, os espanhóis também ressaltaram a posição de não investir mais no marketing esportivo.

Corinthians - EVELSON DE FREITAS/ FOLHA IMAGEM - EVELSON DE FREITAS/ FOLHA IMAGEM
Corinthians disputou os dois últimos jogos do Brasileirão 1998 com DDD na camisa
Imagem: EVELSON DE FREITAS/ FOLHA IMAGEM

O Corinthians agiu rápido. Dias depois de ser comunicado da decisão tomada pelo Bilbao Vizcaya, o departamento de marketing corintiano acertou um patrocínio pontual para os jogos da decisão, chamado na ocasião de "patrocínio de aluguel", incomum há duas décadas. Tal acordo se deu meses depois de a Embratel ser comprada pela norte-americana MCI. O clube recebeu R$ 800 mil por ceder o espaço na camisa (o valor corrigido pelo índice IPCA da inflação chega R$ 2,8 milhões).

Havia, porém, outro problema: a confecção das camisas que seriam usadas no primeiro jogo. Sem tempo hábil para mudar a estampa, a saída foi costurar a logomarca da Embratel. A menção nas mangas das camisas foi mantida, sem que houvesse uma resolução. Tal situação deixou a Penalty, marca de material esportivo, na bronca, pois um grande lote de uniforme já estava feito para o período de Natal.

Nem mesmo os jogadores gostaram da alteração. "Não ficou muito bonito, mas foi o que deu para fazer", disse o lateral esquerdo Silvinho em entrevista à Folha de S.Paulo. O atacante Didi, por sua vez, afirmou que a camisa tinha ficado "esquisita", mas frisou que a costura não incomodava.

Jogada de marketing para os jogos seguintes

Depois de buscar um empate por 2 a 2 no Mineirão e arrancar para o título, o Corinthians entrou em campo com mudanças no visual do uniforme. Nos dois jogos seguintes, a marca DDD (Discagem Direta à Distância) apareceu na parte mais nobre da camisa. Naquela oportunidade, a MCI buscava a popularização das chamadas de longa distância.

DDD - Fabiano Accorsi-17.dez.1998/Folhapress - Fabiano Accorsi-17.dez.1998/Folhapress
Três crianças foram os garotos-propaganda da campanha DDD, da Embratel, há 20 anos
Imagem: Fabiano Accorsi-17.dez.1998/Folhapress

Houve tempo ainda para uma proibição por parte do Corinthians. O círculo verde de um dos 'Ds' foi vetado por remeter ao rival Palmeiras. Por isso, todas as letras foram confeccionadas com a cor vermelha.

Como a Embratel era uma das contas da agência de publicidade W/Brasil, de Washington Olivetto, uma ação foi colocada em prática. Três crianças, que representavam os 'Ds' de uma famosa propaganda, entraram no gramado do Morumbi ao lado do time alvinegro. E, sim, o 'D' verde subiu ao campo com a sua roupa original - há três anos, o UOL Esporte encontrou os três garotos.

A parceria entre Corinthians e Embratel acabou logo após o término das finais. Com o Corinthians campeão, houve uma pedida de aumento por parte da diretoria alvinegra. Sem acordo, a empresa desistiu de manter o patrocínio. Semanas depois, o clube paulista passou a ter a Batavo como parceira.

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