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Um ano após agredir jogadores, torcida do SP muda a postura. Por quê?

Torcida promete encher o Morumbi até em dia de treino - Daniel Vorley/AGIF
Torcida promete encher o Morumbi até em dia de treino Imagem: Daniel Vorley/AGIF

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

26/08/2017 04h00

Mesmo com o time caindo de produção e na luta para fugir da zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro, as organizadas do São Paulo mudaram radicalmente de postura em 2017. Neste domingo, completa um ano de quando o CT da Barra Funda foi invadido em um protesto durante um treino, com direito a materiais esportivos furtados e jogadores agredidos. Agora, o público promete lotar o Morumbi no restante do ano para apoiar o time, que neste domingo (27) enfrenta o Palmeiras no Allianz Parque.

"No ano passado a situação do CT foi de um protesto que reuniu torcedor comum, blogueiros, artistas e as organizadas... Eu fiquei preso dez dias, sendo que não agredi ninguém, não roubei bola e nem uniforme. A represália veio para cima da organizada", disse Henrique Gomes, o Baby, presidente da organizada Independente.

Exatamente por isso, o protesto violento do ano passado pode ser visto como um marco para o Tricolor. A manifestação acelerou o processo de fritura de jogadores, como os agredidos Carlinhos, Michel Bastos e Wesley, aumentou o rigor com as organizadas e fez com que os líderes das torcidas procurassem outras maneiras de se manifestar.

"Não é mais na emoção, é razão. Vamos protestar no momento certo e apoiar sempre. Nossa diretoria é formada por pensadores, vamos protestar sim quando atingirmos os 47 pontos. Eu me arrependo de ficar nove meses sem ir para jogo e de ficar preso nove dias. Vou ser julgado e, se Deus quiser, minha inocência vai ser provada. O manifesto partiu de toda a torcida e acredito que pelo fato de ser líder ocasionou isso [a prisão]. Meu arrependimento será mostrado com atitudes, serão protestos diferentes", afirmou Baby.

Segundo apurou o UOL Esporte, as organizadas também se aproximaram mais do clube nos últimos tempos. Na partida contra a Ponte Preta, por exemplo, quando um comboio de torcedores foi impedido de entrar no estádio, a diretoria do São Paulo se manifestou favorável aos integrantes das organizadas.

Desta vez, as organizadas teriam até pedido para o treino ser liberado para o público neste sábado. Primeiro, foram autorizados 15 mil pessoas no estádio, agora, já passaram a permitir que 30 mil torcedores apoiem o time.

"Nós pedimos a festa. Tivemos até uma reunião com a polícia para organizar. Vai ter fumaça, 70 instrumentos, bandeirão... Vamos sair com 40 ônibus do centro. Vai ser um grande espetáculo para mostrar que violência é proibir as festas", afirmou Baby.

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