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Contrato de Bruno prevê rescisão automática se ele voltar à prisão

Bruno chega ao CT do Boa, em Varginha, após apresentação oficial no centro da cidade - Nelson Antoine/AGIF
Bruno chega ao CT do Boa, em Varginha, após apresentação oficial no centro da cidade Imagem: Nelson Antoine/AGIF

Gustavo Franceschini

Do UOL, em Varginha (MG)

15/03/2017 00h10

Bruno assinou contrato de dois anos com o Boa Esporte, mas depende da Justiça para cumprir o compromisso. Caso o TJ-MG julgue o recurso de sua defesa e reafirme sua culpa no assassinato de Eliza Samudio, o goleiro terá de voltar à prisão. Por conta dessa possibilidade, o acordo com o clube prevê rescisão automática e sem multa caso o ex-flamenguista volte à cadeia.

“[Se isso acontecer] o contrato rescinde sem multa para os dois lados. Só que eu não estou esperando que o Bruno volte à cadeia. Pelo contrário, eu quero um julgamento decente para ele. Ele está trabalhando, casou. Está na hora de dar uma paz para esse rapaz”, disse Lúcio Adolfo, advogado do jogador.

A cláusula também foi confirmada ao UOL Esporte por Rone Moraes, presidente do Boa, e Lúcio Mauro, empresário do goleiro, que, no entanto, não quiseram comentar os termos.  Bruno pôde assinar com o Boa porque foi posto em liberdade pelo STF há pouco mais de duas semanas.

Condenado a mais de 22 anos de cadeia em 2013, em júri popular, por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e cárcere privado no caso Eliza Samudio, Bruno recorreu à sentença do júri e não teve seu pedido apreciado pelo TJ-MG desde então. O ministro Mauro Aurélio Mello, do STF, julgou que o goleiro estava em prisão preventiva sem “justa causa” e decidiu pela soltura.

Em entrevista ao UOL Esporte nesta quarta, Doorgal Andrada, desembargador do caso, discorda da decisão do Supremo e promete julgar Bruno no TJ-MG ainda este ano, ressaltando que não tem o poder de absolvê-lo. Caso tenha sua culpa confirmada, Bruno terá de voltar à cadeia antes de cumprir o contrato com o Boa integralmente.

“O Boa não é um Tribunal. Tem a Justiça que julga isso. Isso tudo foi acertado com o advogado dele e a gente está aqui pra dar seguimento. O que tiver de acontecer com o Bruno... O que ele tiver de pagar, tem de pagar”, disse Rone Moraes, presidente do Boa.

Se impressionar, Bruno tem multa contratual

Embora haja a possibilidade de que Bruno volte à prisão, seu estafe fala animado sobre o futuro do atleta. Na mesma entrevista em que revelou a cláusula que determina a rescisão caso o goleiro volte a ser preso, o advogado Lucio Adolfo explicou a parte do compromisso que favorece seu cliente.

“Eu fiquei impressionado com os dirigentes do Boa. Eles têm uma visão humanista. Quem sabe eles não vendam o passe do Bruno?”, disse Adolfo. “Não posso entrar no mérito dos valores ou percentuais, mas o Bruno é dono de seus direitos e cedeu parte disso ao Boa, que pode negociá-lo”, completou o advogado, acrescentando que há uma multa no contrato caso o goleiro seja sondado por outra equipe.
 

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