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EUA dizem que não acharam má conduta na Copa-14, mas investigação seguirá

Do UOL, em São Paulo

27/05/2015 12h10

Horas após a prisão de sete dirigentes da Fifa em Zurique, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marín, autoridades dos Estados Unidos participaram de entrevista coletiva para explicar a investigação e a operação ocorrida em solo suíço. A procuradora-geral do país, Loretta Lynch, o diretor do FBI, James Comey, o diretor da Receita Federal, Richard Weber, e o promotor do distrito de Nova York, Kelly Currie, confirmaram indícios de suborno em torneios organizados pela Fifa e outras entidades do futebol, mas afirmaram que não acharam conduta imprópria relacionada à Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. As investigações, entretanto, seguirão. 

"As companhias de marketing deram propinas para proteger seus contratos. Pagavam propinas para manterem seus contratos. À medida que o valor dos contratos aumentava, o valor das propinas aumentava”, disse Currie. "Nenhuma conduta imprópria relacionada a 2014 [foi encontrada], mas faz parte do processo de investigação". "As investigações vão continuar e abordar todos os aspectos do jogo", relatou Loretta, confirmando as investigações se concentrarão em todos os torneios organizados pela Fifa. 

Segundo a investigação, entre as irregularidades encontradas estão a compra de votos para realização da Copa do Mundo em 2010, e subornos relacionados Copa América e eleição presidencial da Fifa. As autoridades da Justiça dos Estados Unidos ressaltaram a importância das ações para desvendar as transações ilícitas que envolvem o mundo do futebol e não pouparam a Fifa e seus dirigentes.

"A Fifa recebeu propinas para a Copa do Mundo de 2010. Os dirigentes da Fifa utilizaram suas posições para solicitar propinas. Eles fizeram isso ano após ano, torneio após torneio. Eles corromperam o negócio do futebol mundial em prol dos próprios interesses e para enriquecerem", afirmou Loretta. "Eles [dirigentes acusados] tinham importante responsabilidade em alto nível, como construir estádios ao redor do mundo, organizar a Copa do Mundo. Era esperado que eles mantivessem o futebol honesto e íntegro, mas trouxeram a corrupção ao futebol para se enriquecerem (...) Queremos terminar com esta prática de corrupção. Entre os 14 acusados estão oficiais de alta patente da Fifa e líderes de várias entidades regionais que ganharam milhões em propinas", completou.

Weber, da Receita Federal nos EUA, falou também sobre o tamanho, em dólares, da propina identificada. “Sabemos que a Fifa fez muito pelo futebol ao redor do mundo, mas eles também corromperam o jogo com objetivos de ganhos para algumas pessoas sem se importar com o futebol ou o mundo. Só se importam com si próprios”, disse Weber, que revelou ter sido identificados US$ 115 milhões em negócios ilícitos na Suíça, Ilhas Cayman e Hong Kong. “É a Copa [do Mundo] da fraude e estamos dando um cartão vermelho para a Fifa”.

De acordo ainda com Lynch, a Copa América que será disputada nos Estados Unidos já teve US$ 110 milhões em propinas. “Em 2016 vamos receber a Copa América, será a primeira vez que ela ocorrerá em cidades fora da América do Sul. O que deveria ser um sinal de amizade entre países se tornou um processo que envolveu milhões de dólares”.

A procuradora confirmou que, caso condenados, os acusados poderão pegar até 20 anos de prisão. Porém, lembrou que eles serão julgados individualmente e que a sentença pode variar a cada caso. Ela ainda evitou falar sobre uma possível participação do atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, no esquema de corrupção. “Não posso comentar sobre a situação do Sr. Blatter, nem de nenhum outro indivíduo”.

O diretor do FBI também ressaltou que as investigações ainda terão prosseguimento nos Estados Unidos e que o país permanecerá engajado na erradicação da corrupção nos quadros da Fifa e demais entidades do futebol. “Ninguém está acima da lei. Esta investigação foi longa e não acabou. Não vamos parar até que toda a corrupção acabe. Vamos mostrar que ela não será tolerada e quero aproveitar para agradecer a nossos colegas na Suíça", comentou Comey.

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