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Briga em Joinville completa um ano. E nenhum envolvido está preso

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/12/2014 06h00

O início deste mês de dezembro não sinalizou apenas o fim do Campeonato Brasileiro e o enceramento da temporada de futebol no país. Os primeiros dias do último mês do ano marcaram ainda o primeiro ano da briga generalizada na Arena Joinville na partida entre Vasco e Atlético-PR, pela última rodada do torneio em 2013.

E neste 8 de dezembro, exatamente um ano após a barbárie que deixou inúmeros feridos nas arquibancadas e interrompeu o jogo por mais de uma hora, outro dado chama a atenção: nenhum dos envolvidos naquela que é considerado a maior briga dos últimos anos dentro de um estádio está preso. No total, são 31 acusados em três processos que correm na 1ª Vara Criminal de Santa Catarina

Detidos em flagrante na hora da confusão, os vascaínos Leone Mendes da Silva, Jonathan Santos e Arthur Barcelos Lima Ferreira passaram alguns dias no presídio da cidade paranaense. E foi só. Após o período de prisão, os três nunca mais voltaram para trás das grades e aguardam a decisão da Justiça em liberdade.

Jonathan e Arthur vivem situação mais tranquila. Os dois cumprem medidas cautelares se apresentam na delegacia em dias de jogos e não devem ter problemas no julgamento, que deve premiar o “bom comportamento”. Já Leone passará em breve por Júri Popular e pode sofrer pena mais pesada, a primeira do caso.

Os envolvidos do lado do Atlético-PR vivem situação relativamente mais tranquila. Nenhum dos identificados na briga deverá sofrer maiores punições. E apenas um se apresenta regularmente em delegacia nos dias de jogos do time.

Responsável pelo policiamento de torcidas organizadas no Rio de Janeiro, o tenente-coronel João Fiorentini não esconde a frustração com os desfechos de casos como o de Joinville.

“Fazemos o nosso trabalho sempre e procuramos identificar e deter os envolvidos em brigas. O resto é com a Justiça. Não podemos responder pela decisão deles”, disse o comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), da PM do Rio de Janeiro

Um exemplo da situação ocorreu no último dia 22 de novembro. Envolvido na briga em Joinville, o vascaíno Robson Moreira da Cruz, o Robinho, foi detido pela Polícia Militar durante o jogo Vasco x Icasa, no Maracanã, e liberado horas depois pela Justiça.

“Fizemos um intenso trabalho de monitoramento para prendê-lo. Ele não vinha se apresentando em dias de jogos, descumprindo uma determinação. Cumprimos uam decisão judicial e fizemos a prisão, levando-o para a delegacia. Mas ele foi liberado no mesmo dia por um habeas corpus conseguido por seu advogado no plantão judiciário”, explicou Fiorentini.

Quem não terá a mesma tranquilidade é a organizada Cruzmaltina envolvida na confusão. A Força Jovem do Vasco cumpre suspensão imposta pela PM até 31 de dezembro. “E já emenda uma de seis meses depois. Só volta em julho. Isso se não fizer outra besteira antes”, contou o comandante do Gepe, lembrando a nova punição, desta vez por uma briga em jogo contra o Flamengo, em abril de 2014.

Por enquanto, esta tem sido a única parte punida: as torcidas organizadas. Vândalos integrantes de organizadas seguem livres após um ano. E assim poderão ficar por mais 365 dias.
“A tendência é que eles sejam julgados até o final do próximo ano”, revelou Ricardo Paladino, promotor 1ª Promotoria de Justiça e responsável pelo caso.

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