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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Ameaça ao Brasil, goleiro do Egito parou Palmeiras e recusou prêmio na Copa

El Shenawy é um dos principais jogadores da seleção do Egito - Getty Images
El Shenawy é um dos principais jogadores da seleção do Egito Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

30/07/2021 04h00

Para alcançar as semifinais do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos pela quarta vez consecutiva, a seleção terá de superar um goleiro que é tratado como herói na África e que já aterrorizou torcedores brasileiros neste ano.

Aos 32 anos, Mohamed El Shenawy é titular da equipe adulta do Egito e ocupa uma das três vagas de veteranos do time que irá desafiar os comandados de André Jardine a partir das 7h (de Brasília) de amanhã, nas quartas de final de Tóquio-2020.

O veterano defende o Al-Ahly, maior vencedor da história do futebol africano, com nada menos que dez títulos continentais conquistados nos últimos 40 anos, e tem ótimas recordações da última vez que se deparou com atacantes brasileiros.

Cinco meses atrás, o ídolo egípcio foi decisivo para seu clube derrotar Palmeiras e terminar o Mundial de Clubes da Fifa na terceira colocação. Na disputa por um lugar ao pódio, o goleiro segurou 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Além disso, defendeu as cobranças de Rony e Felipe Melo na disputa de pênaltis.

O torneio foi a segunda competição de nível global disputada por El Shenawy. Em 2018, ele defendeu a meta egípcia na Copa do Mundo da Rússia e se destacou pelos milagres feitos dentro de campo e pela personalidade mostrada fora dele.

O goleiro foi escolhido o homem do jogo na derrota por 1 a 0 da seleção africana para o Uruguai, ainda na fase de grupos. No entanto, ele se recusou a receber o prêmio oferecido pela cervejaria Budweiser.

Muçulmano, El Shenawy não quis participar da cerimônia de entrega do troféu porque ela aconteceria em frente a um painel que fazia propaganda de bebidas alcoólicas. Depois do incidente, a Fifa e a marca mudaram o protocolo da premiação para respeitar os preceitos religiosos de todos os atletas.

O Mundial russo, aliás, foi um divisor de águas para o arqueiro. Ele assumiu o posto de titular da seleção nos amistosos preparatórios para o torneio e não mais perdeu a posição. Em 2019, disputou a Copa Africana de Nações e agora sonha com uma medalha olímpica, que passa, necessariamente, por tirar o Brasil do caminho.

A seleção brasileira está invicta nos Jogos de Tóquio. Com duas vitórias (4 a 2 sobre a Alemanha e um 3 a 1 contra a Arábia Saudita) e um empate (0 a 0 com a Costa do Marfim), terminou o Grupo D na liderança.

O Egito ficou no segundo lugar da sua chave e já foi derrotado uma vez (1 a 0 pela Argentina). Também teve uma vitória (2 a 0 frente a Austrália) e um empate (0 a 0 contra a Espanha).

O futebol faz parte do programa olímpico há mais de 120 anos, desde os Jogos de Paris-1900. Ao longo desse mais de um século de história, 19 seleções diferentes já conquistaram o ouro. Hungria e Reino Unido, com três títulos cada, são os maiores vencedores.

O Brasil só se juntou ao clube de campeões olímpicos cinco anos atrás, na Rio-2016, quando teve a chance de atuar em casa. Antes, já havia conseguido outras cinco medalhas no futebol masculino: três de prata (Los Angeles-1984, Seul-1988 e Londres-2012) e duas de bronze (Atlanta-1996 e Pequim-2008).

Desta vez, a final olímpica será disputada em 7 de agosto, em Yokohama, palco do pentacampeonato mundial conquistado em 2002. Um dia antes, o estádio Nacional de Tóquio recebe a decisão do torneio feminino.

Futebol masculino - Quartas de final*

5h - Espanha x Costa do Marfim (Estádio Miyagi, em Rifu)
6h - Japão x Nova Zelândia (Estádio Ibaraki, em Kashima)
7h - Brasil x Egito (Estádio Saitama, em Saitama)
8h - Coreia do Sul x México (Estádio Internacional, em Yokohama)

*todos os horários no fuso de Brasília

Errata: o texto foi atualizado
O Brasil foi líder do grupo D, não segundo colocado. O erro foi corrigido.