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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Gol olímpico nasceu como provocação a rival... e não foi nas Olimpíadas

Apesar do nome, gol olímpico não nasceu durante os Jogos Olímpicos - Reprodução
Apesar do nome, gol olímpico não nasceu durante os Jogos Olímpicos Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/07/2021 13h56

Cobrar o escanteio de uma forma tão perfeita (ou com doses cavalares de sorte) que a bola nem precisa tocar em alguém antes de balançar as redes adversárias e movimentar o placar. A jogada é tão incomum e espetacular que merece até uma nomenclatura própria: gol olímpico.

A expressão tem um motivo óbvio. A primeira vez que o mundo viu (ou, pelo menos, percebeu) um gol nascido diretamente de uma batida de escanteio foi no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos.

Bem, essa parece ser a explicação mais natural para o uso do termo. Só que existe um problema bem grave nessa história: ela não tem absolutamente nada de verdadeira.

O gol olímpico não foi batizado assim porque foi descoberto pelo público na competição poliesportiva mais importante do planeta. Na verdade, seu nome vem de uma provocação entre dois arquirrivais na década de 1920.

No dia 2 de outubro de 1924, o Uruguai disputou contra a Argentina seu primeiro amistoso depois da conquista da medalha de ouro nos Jogos de Paris daquele ano, o primeiro título de relevância global de uma seleção sul-americana.

Os argentinos carimbaram a faixa dos uruguaios e venceram por 2 a 1. E um dos tentos da equipe vencedora, marcado por Cesáreo Onzari, nasceu de um escanteio cobrado como se fosse falta. Assim, o gol anotado contra os campeões olímpicos passou a ser chamado pela imprensa argentina de gol olímpico. O termo pegou e se espalhou por toda a América do Sul.

Pelo menos, essa é a versão mais difundida e reconhecida internacionalmente sobre a origem do termo. Mas, aqui no Brasil, há uma outra justificativa que concorre com essa.

Torcedores do Vasco defendem que o gol olímpico foi batizado assim por conta de um tento de escanteio marcado pelo clube carioca durante amistoso contra Montevideo Wanderers, do medalhista de ouro Uruguai, jogado em 1928.

Independente da origem do termo, uma coisa é certa: não houve gols olímpicos (mesmo que sem esse nome) validados antes de 1924. Afinal, foi só em junho daquele ano que as regras do futebol passaram a tratar os escanteios como tiros diretos. Antes, a bola necessariamente precisava tocar em um segundo jogador para que o gol fosse validado.

As competições de futebol masculino fazem parte do programa olímpico desde a segunda edição dos Jogos, disputada em Paris, em 1900. Ao longo desses 121 anos de história, 19 seleções diferentes já conquistaram a medalha de ouro.

O Brasil só se juntou ao grupo dos campeões da modalidade mais popular do planeta na Rio-2016, quando bateu a Alemanha na final. Hungria e Reino Unido, com três títulos cada, são os maiores vencedores.

Já o futebol feminino tem bem menos tempo na Olimpíada. A modalidade só estreou em Atlanta-1996 e premiou apenas três campeões diferentes desde então: Estados Unidos (quatro vezes), Noruega e Alemanha.

As brasileiras já subiram ao pódio em duas oportunidades. Tanto em 2004 quanto em 2008, alcançaram a decisão, mas foram derrotadas pelas norte-americanas e tiveram de se contentar com a prata.

As finais do futebol nesta edição da Olimpíada serão disputadas no fim da próxima semana. No dia 6 de agosto, o estádio Nacional de Tóquio recebe o último jogo da chave feminina. O campeão do torneio masculino será conhecido um dia depois, em Yokohama, mesmo palco do pentacampeonato mundial conquistado pela seleção brasileira em 2002.