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Cleberson, beijoqueiro e desbravador, aprova Austrália só para veteranos

Cleberson, ex-Cabofriense: beijando o árbitro Ubiraci Damásio na final do Carioca 2007, contra o Botafogo - Acervo pessoal
Cleberson, ex-Cabofriense: beijando o árbitro Ubiraci Damásio na final do Carioca 2007, contra o Botafogo Imagem: Acervo pessoal
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

16/04/2020 12h00

Cleberson Souza Santos está marcado no futebol por duas situações de ineditismo. Na final do campeonato carioca de 2007, entre Cabofriense (seu time) e Botafogo, após uma falta dura e antes de levar o amarelo, presenteou o árbitro Ubiraci Damásio com um beijo na bochecha. E é o primeiro brasileiro a ser treinador na Austrália.

Um desbravador. Chegou à Nova Zelândia em 2007, para defender o Wellington Phoenix, que disputa o campeonato australiano. Era a fase final de uma carreira com passagens pelo São Paulo (aspirantes), Botafogo e PSV, onde conheceu Vampeta e Romário.

Ao chegar à Austrália, logo percebeu que sua vida iria mudar. Mal havia chegado, foi a um bar jogar sinuca. Conheceu Sophia. Foram a um bar latino e estão casados até hoje. "E eu ia perder um lourão daqueles"?

Cleberson, treinador brasileiro na Austrália - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Cleberson hoje é técnico na Austrália. Na foto, ao lado de Sophia, sua mulher
Imagem: Acervo pessoal
Jogou até 2011 e passou a investir em cafeterias. Vive em Brisbane, onde dirige o Redland, da Segunda Divisão, desde 2017. "O campeonato tem oito times de toda a Austrália, mas para chegar nele, o time precisa ser o campeão da sua região. Então, tem jogo o ano inteiro, ao contrário da A-League, que é a Primeira Divisão".

Para Cleberson, é melhor jogar a Segunda Divisão do que a primeira. "Na Austrália, os jogadores principais, os melhores ganham no máximo R$ 100 mil por mês. Mas é pouca gente, 98% ganha muito pouco. Na Série B, ganha menos, pagam por jogo, os melhores faturam dez mil reais. Mas como jogam o ano inteiro, acaba valendo a pena".

Com tantas dificuldades, só recomenda o futebol australiano para jogadores em final de carreira. "Na Premiere League, que é a segunda divisão, é muito amador. Os times treinam duas vezes por semana e todo mundo tem outro emprego. Na A-League, sempre prometem melhoras, mas não acontecem. O futebol é o sexto esporte, não tem força nenhuma."

A A-League é estruturada como as franquias da NBA. São dez times e o campeonato não tem acesso ou descenso. "Tudo é negócio, não tem paixão nenhuma. Quem gosta de futebol por aqui, acompanha os jogos da Inglaterra."

Quem quiser participar da A-League precisa comprar uma franquia. E mostrar estrutura forte para se garantir por dez anos. "É bem estruturado, mas não vinga. Ninguém compra uma camisa de seu time. De vez em quando, eles contratam alguns jogadores por um período pequeno para atrair mídia. Vieram Romário, Juninho Paulista e Amaral. Ganham um dinheirão por pouco tempo e depois que vão embora tudo volta ao normal".

Cleberson vai ao Brasil todo ano. Passa três meses com a família e amigos como Vampeta e Romário. E volta para a vida tranquila da Austrália, com seu café, seu time, seus dois filhos e seu lourão. "Tá bom demais".

Menon