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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Fifa coloca em projeto limitar idade do futebol feminino nas Olimpíadas

Brasil e Holanda se enfrentaram nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 - Kohei CHIBAHARA / AFP
Brasil e Holanda se enfrentaram nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 Imagem: Kohei CHIBAHARA / AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

22/12/2021 04h00

O projeto da Fifa de realizar a Copa do Mundo feminina a cada dois anos, e não mais quatro como atualmente, pode impactar nos Jogos Olímpicos. No estudo que a federação internacional apresentou no início da semana a seus filiados há a sugestão de que caso o Mundial entre as mulheres se transforme em bienal seja criado um limite de idade para participação das jogadoras na Olimpíada, provavelmente sub-23, como já ocorre entre os homens.

A Copa feminina e a Olimpíada não coincidiriam, já que a primeira seria realizada nos anos ímpares (em julho), enquanto os Jogos ocorrem nos pares, mas a Fifa vê preocupação porque a proposta é que as Copas continentais, como a Euro e a Copa América, ocorram também a cada dois anos, nos pares, aí, sim, coincidindo com a Olimpíada.

"Devido ao aumento dos torneios finais continentais que seriam realizados a cada dois anos é sugerido que se discuta a idade para o futebol feminino nas Olimpíadas. Uma proposta que poderia ser analisada é que se torne sub-23, como no masculino, o que ajudaria no desenvolvimento das jogadoras", escreve o grupo de estudo criado pela Fifa no relatório apresentado.

Segundo o texto, houve aumento da média de idade das atletas que disputam as Copas do Mundo. Em 2011, na Alemanha, 42% das jogadoras eram sub-23, número que caiu para 32% em 2015, no Canadá, e 23% em 2019, na França. A conclusão do relatório é que jogadoras mais jovens já têm mais dificuldade em conseguir espaço nas seleções principais, como ocorre no masculino.

"As Olimpíadas podem representar uma plataforma ideal para oferecer uma ponte crucial entre o feminino sub-20 e o profissional e, em última análise, aumentar o número de oportunidades de jogo para jogadoras nesta categoria de idade (20 a 23 anos)", aponta o relatório.

O futebol feminino é um evento tradicional da Olimpíada, com as principais seleções do mundo contando com as grandes estrelas, sem limite de idade, o que torna a modalidade um atrativo —o Brasil tem duas medalhas de prata, em 2004 (Atenas) e 2008 (Pequim). No masculino há o limite de 23 anos, com exceção para três jogadores acima dessa idade, o que poderia ocorrer também no feminino.

DATAS-FIFA

No projeto de mudança do calendário feminino, a Fifa também pretende mexer nas datas-Fifa, as janelas em que os clubes são obrigados a liberar as atletas para as seleções nacionais.

O formato atual tem seis meses de janela —fevereiro, abril, junho, setembro, outubro e novembro—, com três diferentes modelos que dependem do tipo de jogo que cada seleção fará (se amistosos ou oficiais):

Tipo 1 - 2 jogos - 9 dias de liberação das jogadoras
Tipo 2 - 3 jogos - 10 dias de liberação das jogadoras
Tipo 3 - 4 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras

A avaliação é que esse formato sobrecarrega as jogadoras, que têm em média menos de três dias de descanso em alguns dos modelos. Como no masculino, a Fifa propõe criar meses com janelas maiores para os jogos de seleções:

PROPOSTA A (janelas de dois meses)
março - 7 jogos - 29 dias de liberação das jogadoras
outubro - 7 jogos - 29 dias de liberação das jogadoras

PROPOSTA B (janelas de cinco meses)
fevereiro - 3 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras
abril - 3 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras
junho - 3 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras
setembro/outubro - 3 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras
novembro - 3 jogos - 13 dias de liberação das jogadoras

Como entre os homens, houve reclamação de treinadores(as) das mulheres de que a primeira opção faria com que o contato com as atletas demorasse a acontecer, de outubro a março, apesar de serem praticamente dois meses inteiros com as jogadoras à disposição das seleções.

A Fifa não descarta levar adiante a mudança no calendário feminino mesmo se a proposta do masculino, que tem rejeição da Europa e da América do Sul, fracassar. O presidente da federação internacional, Gianni Infantino, disse que as alterações poderiam ser feitas em momentos distintos. O calendário feminino atual acaba em 2023, enquanto o masculino encerra em 2024.