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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Covid afeta receita das federações; Paulista tem prejuízo de R$ 1,6 milhão

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, - Reprodução/MOV
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, Imagem: Reprodução/MOV
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

07/05/2021 04h00

Os estádios sem público em 2020 por causa da pandemia afetaram também o caixa das federações estaduais, principalmente aquelas de maior orçamento. A Paulista (FPF), por exemplo, fechou o ano passado com déficit de R$ 1,6 milhão — prejuízo que não ocorria desde 2016.

A coluna conversou com dirigentes que comandam as entidades e houve unanimidade: o não recolhimento dos 5% da venda de ingressos de cada borderô dos jogos realizados nos estados foi o principal culpado por déficits e superávits menores do que o esperado.

Das cinco federações com maior receita, três fecharam no vermelho em 2020: São Paulo (R$ 1,6 mi), Minas Gerais (R$ 1,4 mi) e Rio Grande do Sul (R$ 2,1 mi). O Rio teve lucro, mas bem menor que o de 2019 (R$ 666 mil, frente aos R$ 2 mi do ano retrasado) e somente Pernambuco conseguiu um superávit significativo, de R$ 2,23 milhões, mas por um motivo específico: aumento de quase R$ 1 mi no subsídio recebido da CBF, que anualmente auxilia financeiramente as 27 federações.

Excetuando Pernambuco, que ganhou R$ 150 mil a mais em 2020 comparado com 2019, as outras quatro federações perderam receita:

São Paulo - R$ 53,6 milhões em 2020 - R$ 57,3 milhões em 2019 (queda de 6%)
Rio - R$ 22,1 milhões em 2020 - R$ 31,6 milhões em 2019 (queda de 30%)
Rio Grande do Sul - R$ 9,8 milhões em 2020 - R$ 14,9 milhões em 2019 (queda de 34%)
Minas Gerais - R$ 8,4 milhões em 2020 - R$ 13,3 milhões em 2019 (queda de 37%)

Olhando para as receitas houve pequenas variações, para mais e menos, em patrocínios, direitos de transmissão e eventuais, como projetos de marketing, mas nos ganhos com a organização de campeonatos, onde entram os 5% que as federações recebem via borderôs dos jogos realizados dentro de seus estados, independentemente do torneio, a diferença para menos foi enorme:

São Paulo - R$ 1,7 milhão em 2020 - R$ 10,2 milhões em 2019 (queda de 83%)
Rio - R$ 2,5 milhões em 2020 - R$ 9,6 milhões em 2019 (queda de 74%)
Rio Grande do Sul - R$ 837 mil em 2020 - R$ 5,7 milhões em 2019 (queda de 85%)
Minas Gerais - R$ 420,9 mil em 2020 - R$ 2,5 milhões em 2019 (queda de 83%)

O Rio, apesar da queda brusca nas receitas, fechou no azul principalmente porque cortou despesas com funcionários e as administrativas (manutenção da sede, por exemplo). Também cortando gastos, as outras três federações de maior orçamento não evitaram o vermelho no balanço.

Mesmo federações médias, como a Cearense, sofreram com a queda de arrecadação com os 5% dos borderôs. A entidade fechou com déficit de R$ 452,7 mil (em 2019, houve lucro de R$ 500 mil) e a perda na receita com os jogos foi brusca: de R$ 1,56 milhão em 2019 para R$ 107,5 mil em 2020.

"Temos dois times na Série A [Ceará e Fortaleza], com torcidas fanáticas que lotam o estádio e geram rendas grandes. Sentimos muito essa queda de arrecadação, o que afetou, por exemplo, na realização dos torneios de base masculino e feminino, não fizemos a maioria no ano passado e isso vai se repetir em 2021", disse Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense.

CBF salvou as menores

Das 24 federações que apresentaram seus balanços de 2020, 15 obtiveram lucro e nove prejuízo — Piauí, Amazonas e Amapá ainda não divulgaram publicamente os números. Houve o "efeito covid-19": em 2019, somente quatro das 27 acabaram o ano no vermelho — Amapá, Acre, Bahia e Sergipe.

Só não foi pior porque a CBF, como de costume, evitou o rombo da maioria de seus filiados, principalmente os de menor orçamento. Anualmente, a confederação repassa um fixo de R$ 975 mil a cada federação, que gasta onde quiser (como pagamentos de funcionários e compra de equipamentos).

Mas além desse fixo tem um variável, para que as entidades estaduais ajudem na organização de torneios nacionais e repassem dinheiro a clubes participantes das Séries C e D. Segundo levantamento da coluna, esse valor aumentou, em média, 30%.

A Federação de Alagoas, por exemplo: em 2019, recebeu da CBF um total, com fixo e variável, de R$ 1,12 milhão, em 2020, foi para R$ 1,51 milhão — ao fim teve superávit de R$ 52,6 mil. A Paraíba ganhou R$ 1,5 milhão no ano retrasado e R$ 2,2 milhões em 2020, fechando o ano passado com lucro de R$ 327,2 mil.