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Qual é a diferença entre o Casemiro do Real e aquele Casemiro do São Paulo?

Luis Augusto Simon

Do UOL, em São Paulo

20/11/2015 06h00

A pergunta não tem fundo nacionalista e, creiam, não é desfocada da realidade como aquele famoso dilema gaúcho: Taison ou Messi, o tempo dirá. O tempo disse.

A pergunta vem no site da Liga Espanhola, dia 16 de novembro, como um dos duelos que podem definir um novo clássico entre Real Madrid x Barcelona.

Busquets x Casemiro. Ou Busquets, o melhor volante do mundo contra Casemiro, o Busquets do Real Madrid. Os “equilibristas” de duas equipes ofensivas. As bússolas dois times que disputam o título.

Os elogios a Casemiro são muitos. Ele é chamado de o “guarda-costas” de Rafa Benítez, o treinador do Real. O site lembra que é seu primeiro clássico contra os 14 de Busquets e que o brasileiro é titular há nove jogos.

A ascensão de Casemiro é marcada após um ano de empréstimo ao Porto, que ajudou a chegar às quartas-de-final da última Liga dos Campeões.

Em agosto, já de volta a Madri, após uma partida muito dura contra o Atlético de Madrid, o site da Liga disse que, se Benítez havia pedido apenas marcação, ele havia cumprido sua tarefa 100%. E que estava sendo o que Illara e Lucas Silva não haviam conseguido.

Mas é o mesmo Casemiro? Aquele que os treinadores não conseguiram definir se era volante, segundo volante ou meia? Aquele que chorou após uma grande partida contra o Corinthians, dizendo que não era reconhecido como Lucas?

É e não é. Casemiro está diferente. ““No Porto, eu aprendi a me tornar homem”, disse, quando voltou ao Real Madrid. E arrogância do Casemarra, sempre citada por seus detratores. Em outra entrevista, recusou o apelido. “Não gosto. Apenas aceito que Luís Fabiano, que considero como um pai, possa dizer isso”.

Julen Lopetegui, treinador de Casemiro no Porto, vai em direção oposta à famosa arrogância nunca documentada na passagem do jogador pelo Brasil. “A chave de seu sucesso é que tem grande mentalidade, tem paixão e humildade para continuar aprendendo sempre”

É um Casemiro mais humilde e senhor de si. Mas seria o bastante justificar o grande momento de sua carreira?

Melhor dar uma olhada na questão tática. Desde que deixou o São Paulo e chegou para o Real Madrid B em 2012, acabou a indefinição. Casemiro seria o primeiro volante, o homem do desarme, alguém que permite aos outros criarem à vontade.

E ele tem feito isso. No ano passado, pelo Porto, foi o segundo ladrão de bolas da Liga dos Campeões, atrás apenas de Matic, do Chelsea. Além disso, em 41 jogos, fez quatro gols e deu quatro assistências.

É o maior ladrão do atual campeonato espanhol. “Ele tem pulmão mas tem futebol também. Dá equilíbrio ao time, mas também pode se unir a Modric e Kroos como iniciadores de jogadas, diz o site da Liga.

A imprensa espanhola gosta de muito de estatísticas. E recorreu a elas para enaltecer Casemiro após o empate por 0 a 0 contra o PSG na Liga dos Campeões. E os números impressionam. Foram 7 recuperações de bola, 11 interceptações, 9 vitórias em 13 divididas e 86% de acerto nos passes. Acertou 43 de 50.

O jornal As foi pródigo em elogios. Estampou Casemiro na capa e disse que ele havia assumido o comando do time. “Foi por isso que o trouxemos de volta”, diz Benítez. “No ano passado, eu via jogos do Real Madrid e sempre disse que faltava um volante com essa característica. Se você tem um jogador que equilibra a equipe, que sabe jogar e vai à luta, o time melhora. Ele sustenta nosso ataque”, completou.

Em outra partida, vitória de 3 a 1 sobre o Celta, o jornalista P.P San Martin creditou grandes méritos ao trio Casemiro-Kroos-Modric. “Benítez conseguiu a vitória com uma marcação forte e coordenada no campo rival. Casemiro conseguiu 16 desarmes, Modric, 9 e Kroos, cinco”.

Não é de admirar que tenha pedido que o Real Madrid exercesse o direito de trazer o jogador de volta. Mesmo custando R$ 27 milhões.

E assinado um contrato até junho de 2021 com o ex-garoto marrento (será?) que os técnicos brasileiros não souberam escalar na posição correta e que foi um dos dois jogadores do Real Madrid a participar do início ao fim das últimas oito partidas do clube.

O outro foi um português chamado Cristiano Ronaldo.