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Queda no fim do Brasileiro mostra carências e levanta dúvidas sobre o Inter

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Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

22/11/2018 04h00

Sem mais chances de título, o Internacional jogará as últimas rodadas do Brasileiro com o segundo lugar como objetivo. A vice-liderança que parecia consolidada se perdeu a partir de uma queda de rendimento acentuada no fim da competição. E após perder a primeira em casa, nesta quarta para o Atlético-MG, as carências ficaram evidentes e as dúvidas sobre o ano que vem se multiplicaram.

O ambiente era o mais tranquilo possível no Inter mesmo quando a realidade era o Palmeiras caminhando para o título. O segundo lugar era posto celebrado. Para uma equipe egressa da Série B, o lugar logo abaixo do campeão era um prato cheio.

Mas as coisas começaram a mudar quando os resultados fora de casa simplesmente sumiram. Com apenas uma vitória distante do Beira-Rio no returno e aproveitamento de rebaixado nestes jogos, o trabalho realizado até então já gerava incerteza.

Sempre defendido pela construção da equipe, Odair Hellmann passou a ouvir críticas de quem entende que sua capacidade à frente do time 'bateu no teto'. No entanto, manteve o respaldo da direção, que inclusive negocia sua renovação de contrato.

O pico da desconfiança veio nesta quarta, quando uma série de falências individuais e coletivas ocasionaram a primeira derrota em casa no Brasileiro. O 2 a 1 para o Atlético-MG, cujo gol decisivo ocorreu nos instantes finais de partida, deixou um legado extremamente negativo.

Foi a primeira vez no Brasileiro que o Inter perdeu dois jogos seguidos (tinha sido derrotado pelo Botafogo no último domingo). Nas últimas cinco partidas, duas derrotas, duas vitórias e um empate.

"No segundo turno não conseguimos os pontos fora de casa. Nossa campanha fora de casa é a quinta melhor. Não é de todo ruim, mas realmente no segundo turno faltaram alguns pontos que nos tira da disputa pelo título", disse o vice de futebol Roberto Melo.

Enquanto isso, o técnico Odair Hellmann fez questão de ver o copo 'meio cheio'. Ao citar a regularidade do time, combateu a tese da queda de rendimento no complemento do torneio.

"Certamente vamos lutar por tudo que o campeonato nos oferece. Desde a 11ª rodada estamos no G-4 ou G-6. Fizemos uma campanha com regularidade. Não é agora que não vamos buscar isso. Pelo contrário. Não vai mudar em nada esta situação", afirmou o treinador.

Carências no time

Antes abafadas pela boa campanha, as carências no elenco do Inter ficaram evidentes na partida contra o Atlético-MG. Ao precisar substituir no centro de campo, Odair precisou colocar Juan Alano, que disputou poucos jogos na temporada e dificilmente entra. Entre os relacionados estiveram Sarrafiore e Ramon, que jamais participaram de um jogo no principal.

Contando as baixas de Moledo e Wellington Silva, e Pottker ainda lesionado, sobraram lacunas no grupo. Ao fim do jogo, o expediente foi colocar Rossi e Camilo, e Edenílson virar lateral.

Contra o Botafogo, por exemplo, Rodrigo Moledo trocou a zaga pelo ataque nos momentos derradeiros. Patrick, em certa fase do jogo, precisou deixar o meio e virar lateral. Também pelo comando técnico não contar com muitas alternativas no grupo.

Odair não vê desconfiança

Apesar da queda evidente de rendimento, Odair Hellmann não vê que o grupo tenha perdido a confiança em suas capacidades. Para o comandante, a resposta será imediata, já contra o Fluminense na próxima rodada.

"Não tivemos e não temos desconfiança. Enfrentamos adversários bons. Não fomos bem contra o Botafogo, mas hoje (quarta), fizemos uma boa partida no geral. Tivemos algumas situações pontuais, e eles aproveitaram bem as chances que criaram. Nós buscamos, tentamos, criamos chances. O Atlético-MG ganhou, temos que respeitar. Hoje a bola quis entrar para outro lado", disse.

A despeito do que pensa o treinador, é evidente em alguns momentos que jogadas mais complicadas deixaram o repertório de alguns atletas que não estão bem individualmente. Caso de Patrick, que tenta menos dribles a cada jogo. Iago já não tem a mesma segurança para cruzar e Fabiano também tem simplificado os lances.

"Cabe a nós não aceitar a derrota, como fizemos o ano todo. Sempre doeu muito perder. Mas por não aceitar é que fomos tão regulares. Sempre demos a resposta em seguida na competição. Não oscilamos... Perder, ganhar, perder duas, ganhar uma, ganhar duas, não aconteceu com o Inter. É a primeira vez que perdemos duas, temos que assimilar e buscar a resposta rápida. Das outras vezes respondemos no próximo jogo, nesta não conseguimos, mas vamos retomar para domingo", argumentou.

Com 65 pontos, o Internacional enfrenta o Fluminense no próximo domingo, no Beira-Rio.

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