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Hamilton lidera nova manifestação contra racismo com pilotos atrasados

Lewis Hamilton se ajoelha em manifestação contra o racismo antes do GP da Hungria - Mark Thompson/Getty Images
Lewis Hamilton se ajoelha em manifestação contra o racismo antes do GP da Hungria Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

19/07/2020 11h54

Lewis Hamilton voltou a liderar um protesto contra o racismo hoje (19) antes do GP da Hungria de Fórmula 1. O piloto da Mercedes se ajoelhou na cerimônia de abertura da prova para a execução do hino nacional da Hungria. O britânico, hexacampeão mundial da categoria, vestiu uma camisa com a expressão "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam), que é utilizada em manifestações em todo o mundo. O momento, no entanto, aconteceu sem muitos pilotos.

Enquanto Hamilton já estava ajoelhado, os demais pilotos ainda chegavam às suas posições, também vestindo camisetas com mensagens contra o racismo. O finlandês Valtteri Bottas, seu companheiro de Mercedes, chegou ao local sem usar máscara.

Após vencer a corrida, Hamilton se mostrou decepcionado pela maneira que a manifestação teve pouco tempo para ser feita, a exemplo do que tinha acontecido no GP da Estíria. E revelou que o assunto sequer foi abordado na reunião dos pilotos, na sexta-feira. Para ele, falta vontade do presidente da GPDA, Romain Grosjean.

"Ele não acha que é importante fazer. Ele é um daqueles que acham que foi feito uma vez e era isso que era necessário. Eu tentei falar com ele para saber qual era o problema, disse que temos que continuar fazendo porque esse problema não vai sumir. Desta vez, eles não mencionaram nada na reunião dos pilotos. Nem ele, nem Sebastian (outro líder da associação), mas eu troquei mensagens com o Sebastian e ele disse que acha importante continuar fazendo. Precisamos falar com a F1 porque foi muito corrido. Eu saí correndo do meu carro, me ajoelhei na minha posição… eles precisam fazer mais. Eles ficam falando que estão lutando pela diversidade, mas eles não estão dando a plataforma para que nós façamos. Está tudo muito corrido. Eles querem, mas vou mandar um email para eles pedindo que nos deem mais tempo."

Perguntado sobre os pilotos que seguem se negando a se ajoelhar, Hamilton disse que considera um problema. "Gastei muita energia na Áustria tentando convencer alguns dos pilotos. Mas o que importa é quem está fazendo e apoiando. Meu sonho é ver todos juntos ajoelhados na frente do grid, mostrando que estamos unidos."

O italiano Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, teria, inclusive, esquecido sua camiseta com a frase "End Racism" (Fim do Racismo), que seria usada pelos demais pilotos. O holandês Max Verstappen, da Red Bull, ficou em pé durante a manifestação.

GP da Hungria

Durante a semana, Hamilton disse que conversou com alguns pilotos e esperava que todos os 20 do grid de largada se ajoelhassem na cerimônia de abertura da corrida.

As manifestações contra o racismo na Fórmula 1 têm gerado controvérsias desde a primeira etapa, o GP da Áustria. Na ocasião, seis pilotos não se ajoelharam, seguindo o ritual dos protestos ao redor do mundo. Max Verstappen, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz, Charles Leclerc, Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat ficaram de pé.

"Isso se tornou um assunto complicado e quero explicar que nossa manifestação no domingo era usar a camiseta pedindo o fim do racismo e achei que já era uma mensagem forte o suficiente", justificou Kvyat.

Sainz também se defendeu de eventuais críticas na ocasião. "A questão é se estamos fazendo algo contra o racismo ou não. Acho que demos no domingo uma demonstração forte com os pilotos todos na frente do grid, simbolizando que todos somos contra o racismo e que a F1 está agindo com a plataforma Nós Corremos Como um Só."

Isso provocou uma reação de Hamilton, que passou a pedir um posicionamento maior da Fórmula nas questões contra o racismo. A Ferrari também foi cobrada pelo britânico, que acredita que a escuderia precisa ser atuante o tempo todo nesse processo.

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