PUBLICIDADE
Topo

Saque e Voleio

NOTÍCIA

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Gigante nos pontos importantes, Djokovic é campeão pela 9ª vez na Austrália

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

21/02/2021 07h39

Em sua segunda final em um torneio do grand slam, Daniil Medvedev, 25 anos, dono de um tênis versátil e consistente, teve chances. Fez um primeiro set de alto nível e abriu a segunda parcial com uma quebra de vantagem. Novak Djokovic, contudo, esteve em outro nível. O número 1 do mundo foi brilhante em todos momentos importantes, fechou a porta para qualquer reação do rival russo e, por 7/5, 6/2 e 6/2, conquistou seu nono título no Australian Open.

Além de manter sua invencibilidade em nove finais disputadas em Melbourne, Djokovic deu mais um passo na "corrida" contra Roger Federer e Rafael Nadal por títulos de slam conquistados. Suíço e espanhol são os maiores campeões da história - em simples - com 20 títulos cada. O sérvio agora soma 18.

Para Medvedev, a derrota deste domingo significa o fim de uma série de 20 vitórias. Campeão do Masters 1000 de Paris, do ATP Finals e da ATP Cup, o russo derrotou 12 tenistas do top 10 no período - inclusive o próprio Djokovic em duelo em Londres válido pelo torneio com os oito melhores de 2020. Daniil não sofria uma derrota desde o ATP 500 de Viena, em outubro.

Nole, por outro lado, amplia para 12 sua sequência de triunfos sobre adversários do top 10 no Australian Open. Ele não perde para um dos dez primeiros do ranking em Melbourne desde 2014, quando foi superado por Stan Wawrinka, nas quartas de final. O suíço foi o campeão do torneio naquele ano.

Como aconteceu

O começo de Medvedev foi nervoso. Logo no segundo game, o russo errou três direitas não forçadas e acabou cedendo uma quebra de serviço. Aos poucos, porém, o desafiante foi reduzindo seu número de erros e, após vencer uma longa troca de bolas, conquistou duas chances de quebra no quinto game. Foi a vez de Djokovic falhar. O número 1 jogou um smash na rede e também perdeu o saque. O duelo seguiu equilibrado, sem break points, até o 12º game, quando Nole jogou pontos perfeitos e conquistou três break points. Medvedev salvou os dois primeiros, mas jogou uma direita não forçada na rede e viu o número 1 do mundo comemorar a vitória na parcial: 7/5.

A segunda parcial começou quente, com Medvedev quebrando o serviço de Djokovic, mas o sérvio novamente encontrou um nível de tênis espetacular quando precisou. Logo no game seguinte, fez devoluções espetaculares, forçou o russo a jogar pontos longos e também forçou erros do desafiante. A quebra, seguida por um game em que Nole saiu de 15/30 para confirmar o serviço, mexeu com a dinâmica do jogo. Medvedev passou a forçar mais o jogo e, consequentemente, aumentou seu número de erros. O número 1 do mundo, então, foi implacável. Anotou outra quebra no quarto game e abriu 4/1.

Aos poucos, Djokovic fechou todas as portas para uma reação do russo. No sétimo game, ganhou um pontaço junto à rede quando sacava em 0/15. Mais tarde, com o placar em "iguais", disparou dois saques vencedores consecutivos para confirmar o serviço. Com Medvedev sacando em 2/5, Nole encaixou uma excelente devolução e quebrou mais uma vez, fazendo 6/2.

A atuação de Djokovic seguiu frustrando o russo no resto da partida. Novamente impecável em uma situação delicada, Nole saiu de mais dois break points no primeiro game do terceiro set. Na sequência, ficou óbvio o quanto o russo estava mentalmente abalado. Medvedev cometeu duas duplas faltas, afobou-se em um par de trocas de bola e perdeu o saque outra vez. Com dois sets de frente e uma quebra de vantagem, o número 1 do mundo tinha o jogo na mão, mas o russo ainda teve uma pequena chance. Com 4/2 no placar, Daniil jogou dois ótimos pontos e teve 15/30 no saque de Nole. Djokovic, então, jogou três pontos perfeitos para confirmar o serviço e frustrar ainda mais o oponente. Foi a última chance de Medvedev.

O que significa

A atuação deste domingo, com folgas a mais brilhante de Djokovic neste Australian Open, mostra mais uma vez que o sérvio segue como o homem a ser batido no tênis masculino atualmente. Medvedev chegou à final em forma, motivado e confiante, vindo de 20 vitórias seguidas (12 contra top 10), e o número 1 do mundo desarmou e destruiu o rival tática, técnica e mentalmente durante os 113 minutos da final.

A conquista de um tenista que sofreu uma lesão no abdômen na primeira semana também mostra a determinação de um Djokovic que, ao que tudo indica, não se dará por satisfeito até ultrapassar o número de títulos de Federer e Nadal. Um Nole que é uma constante ameaça a Rafa em Roland Garros e que já derrubou Roger em Wimbledon múltiplas vezes. Um Djokovic que, aos 33 anos, não dá sinais claros de declínio.

E se os números já citados neste texto já dão uma bela dimensão do tamanho de Novak para o tênis, aí vão mais dois: 1) com a vitória deste domingo, ele se torna o primeiro tenista da Era Aberta (a partir de 1968) a conquistar o Australian Open três vezes depois dos 30 anos; e 2) Djokovic agora tem seis títulos de slam conquistados após os 30. Ninguém venceu mais depois dos 30 do que ele e Nadal, que dividem este recorde.

No ranking

O título não muda nada no momento para Djokovic, que não perderia os 2 mil pontos conquistados no ano passado por causa do ranking congelado. Ele seguirá como número 1 do mundo pelo menos até o dia 8 de março, quando vai alcançar 311 semanas no topo da lista e quebrar o recorde de Roger Federer, que foi o primeiro do ranking por 310 semanas.

Para Medvedev, a campanha em Melbourne significa uma nova marca na carreira. Pela primeira vez, ele será número 3 do mundo, deixando para trás o austríaco Dominic Thiem. O russo também ficará apenas 115 pontos atrás de Rafael Nadal, atual vice-líder.

1. Novak Djokovic - 12.030 pontos
2. Rafael Nadal - 9.850
3. Daniil Medvedev - 9.735
4. Dominic Thiem - 9.125
5. Roger Federer - 6.630

Torne-se um apoiador do blog e tenha acesso a conteúdo exclusivo (posts, podcasts e newsletters semanais) e promoções imperdíveis.

Acompanhe o Saque e Voleio no Twitter, no Facebook e no Instagram.