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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Não há ninguém melhor do que Hulk atuando no Brasil

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

22/06/2022 23h24

Um gol, uma assistência, três finalizações, dez dribles, 12 de 17 duelos vencidos, 74% de acerto nos passes, três faltas sofridas e dois desarmes. Os números ajudam a explicar, mas quem preferir, pode rever com calma o que Hulk fez na vitória do Galo sobre o Flamengo. O camisa 7 foi o ponto de desequilíbrio em uma noite de pouca inspiração do Atlético, além de novos e velhos erros rubro-negros.

Dorival Junior sacou Ayrton Lucas e Vitinho para as entradas de Willian Arão e Filipe Luis. Reforçou a faixa central e iniciou com Everton Ribeiro e Arrascaeta a partir dos flancos. Turco Mohamed não teve Jair. Otávio o substituiu. Vargas ganhou sequência a partir da ponta-direita.

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Como Atlético Mineiro e Flamengo iniciaram o primeiro jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

O gol marcado por Hulk logo aos seis minutos condicionou muito do que foi o 1º tempo. Mariano teve liberdade e lançou Hulk nas costas da zaga em contra-ataque. Ele deixou Rodrigo Caio e Pablo pra trás e fez cobertura num atrasado Diego Alves. O Flamengo não jogava mal. Com mais aproximação, mobilidade e atitude, já controlava a posse de bola, como fez até o intervalo, mas faltou poder de infiltração na área.

Com Gabigol circulando, Everton Ribeiro e Arrascaeta flutuando dos lados para o centro, faltava presença nos últimos metros. João Gomes e Andreas Pereira até tentaram compensar, mas precisavam trabalhar na faixa de articulação, e muitas vezes não conseguiam chegar a tempo perto da meta. Matheuzinho e Filipe Luís faziam um bom trabalho pelos flancos. Mais agudo pela direita, mais construtor pela esquerda.

Até os 20 minutos o rubro-negro levou perigo em chutes da entrada da área e bolas paradas aéreas, mas depois o Galo aumentou o seu poder de concentração, subiu a marcação, que já era forte, e equilibrou as ações. Hulk desequilibrava. Levou vantagem sobre os zagueiros cariocas em contra-ataques, recuou para auxiliar na troca de passes, e até fez alguns desarmes no meio-campo.

O Flamengo era um time mais atento sem a bola. Isso, porém, ficou no vestiário. Com apenas dez minutos, Hulk já havia sido o protagonista em duas transições rápidas sem ser incomodado. Na primeira delas, Filipe Luís afastou na pequena área. Na segunda, fez grande jogada e cruzou na cabeça de Ademir. O camisa 19, que entrou no lugar de Keno, lesionado ainda no 1º tempo, bateu Diego Alves

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Hulk comemora o golaço que fez na 1ª etapa, o 21º dele em 27 jogos na temporada.
Imagem: Fernando Moreno/AGIF

O gol abalou ainda mais o rubro-negro. O time tinha a bola no ataque, mas já não apresentava qualquer poder de iludir o Galo. Os mineiros mantinham a ''pegada'' lá em cima e pareciam perto de marcar o terceiro num contra-ataque. Nacho teve a chance aos 23', mas Diego Alves espalmou. Allan também obrigou o goleiro a fazer boa defesa logo depois. O Flamengo estava entregue. Inútil com a bola e exposto sem ela.

O cenário fez o Galo relaxar. Afrouxou a marcação. Lázaro e Rodinei, dois dos que saíram do banco para o campo no 2º tempo, protagonizaram o gol que recolocou o Flamengo no jogo. O lateral cruzou e o atacante finalizou nas costas de Mariano para diminuir aos 34'. Rodinei deu novo ânimo ao time carioca. Fez algumas boas jogadas pela direita, mas o rubro-negro não criou mais nenhuma chance clara.

Esta e muitas outras partidas que Hulk fez desde que voltou ao Brasil serve como alerta. Durante vários anos foi ridicularizado. Como se fosse um jogador medíocre. Teve suas qualidades reduzidas a seus atributos físicos, mas sempre foi muito mais do que isso. O Galo tem o melhor jogador do país desde o ano passado.