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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ganso quebra tabu de cinco anos, mas Gamalho rouba a cena no Alto da Glória

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

01/05/2022 18h05

21 de abril de 2017. A data ficou marcada na carreira de Paulo Henrique Ganso. Há cinco anos e dez dias o camisa 10 do Fluminense havia marcado dois gols em uma mesma partida pela última vez. Ainda atuava pelo Sevilla, e o time da Andaluzia bateu o Granada pela 33ª rodada daquele Campeonato Espanhol. O Coritiba, porém, estragou a ótima atuação do talentoso meia e virou de forma categórica, com direito a dois gols de Léo Gamalho, um deles nos acréscimos.

Gustavo Morinigo não teve o lateral-direito Natanael mais uma vez. Matheus Alexandre atuou no setor. Andrey voltou ao meio-campo, e Clayton foi o titular no comando do ataque. Léo Gamalho, recuperado de lesão, começou no banco. Já o Fluminense, com Marcão como interino após a saída de Abel Braga, voltou a atuar com linha de quatro na defesa. Nonato foi o volante ao lado de André. Yago Felipe jogou como um ''falso ponta''. Sem a bola fechava o lado esquerdo do meio-campo. Com ela, flutuava para a linha de volantes, auxiliava na saída de bola e liberava Marlon.

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Como Coritiba e Fluminense iniciaram o duelo pela 4ª rodada do Brasileirão no Couto Pereira
Imagem: Rodrigo Coutinho

Por mais que o Coxa tenha conseguido duas boas jogadas antes dos dez minutos com Álef Manga e Guilherme Biro, o Fluminense não aceitou a pressão da equipe da casa. Não que o Tricolor tenha buscado a posse de bola de forma incessante, mas no momento que a recuperava, buscava valorizar, desacelerava o ritmo, e aproximava André, Yago, Nonato e Ganso. Como o time da casa marcava com pouca intensidade, os visitantes conseguiam encaixar boas trocas de passe no ataque.

Luiz Henrique e Yago Felipe já haviam finalizado com perigo da entrada da área, e Ganso aproveitou a mesma liberdade para arriscar de longe. Muralha ''aceitou'' uma bola fácil e o Fluminense abriu o placar aos 18 minutos. Com a vantagem, o Tricolor se fechou mais. Se em alguns momentos anteriores adiantava o bloco de marcação, passou a marcar sempre no próprio campo. Seguiu, porém, negando espaços.

A circulação de bola dos anfitriões era lenta. Por vezes conseguiam encontrar boas linhas de passe para Álef Manga e Igor Paixão. Estes flutuavam das pontas na direção da área e incomodavam, mas faltava algo mais coletivo e estruturado para levar perigo de forma constante. De resto, alguns cruzamentos e passes forçados para Clayton na referência, sem efeito prático.

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Paulo Henrique Ganso comemora um dos gols que marcou contra o Coritiba
Imagem: Gabriel Machado/AGIF

Mais seguro em campo, o Fluminense chegou ao segundo gol no contra-ataque. Ganso acionou Luiz Henrique pela direita, ele driblou Luciano Castan e cruzou na medida para o camisa 10 marcar, de cabeça, mais uma vez.

O Coxa enfim intensificou a marcação no campo de ataque, principalmente as pressões pós-perda da bola, e passou a explorar mais as dobras pelos lados. Andrey, duas vezes, Álef Manga e Igor Paixão chegaram bem perto de diminuir o placar na sequência. O 2x0 favorável ao Fluminense no intervalo era exagerado.

Morinigo sacou Guilherme Biro, Régis e Clayton. Aumentou a hierarquia e o poder de fogo da equipe com Robinho, Egídio e Léo Gamalho, e não demorou a colher os frutos. Léo Gamalho cabeceou por cima um escanteio cobrado por Robinho logo aos três minutos do 2º tempo, mas recebeu um chute no rosto de André no lance. Raphael Claus conferiu no VAR, expulsou corretamente o volante tricolor, e marcou o pênalti. O centroavante converteu e pôs fogo na partida.

Marcão tentou reorganizar a defesa ao colocar David Duarte na vaga de Cano. Calegari já tinha entrado no lugar do lesionado Samuel Xavier. David entrou como lateral-direito e Calegari passou a jogar no meio na ausência de André. O Coxa empurrou o Tricolor ainda mais pra trás e não havia saída para o contra-ataque. Robinho e Egídio, assim como Léo Gamalho, entraram bem, e a equipe da casa conseguia criar.

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Léo Gamalho, do Coritiba, comemora seu gol contra o Fluminense no Brasileirão
Imagem: Gabriel Machado/AGIF

O gol de empate era inevitável. Ele veio aos 15'. Egídio fez bela jogada pela esquerda e cruzou na área, Fábio afastou parcialmente, Álef Manga chutou cruzado de primeira. Marlon e Nino cortaram mal e Andrey marcou um merecido tento no rebote. A pressão alviverde seguiu. Gamalho e Willian Farias chegaram muito perto de virar o jogo, mas a ansiedade em busca do gol da virada acabou atrapalhando.

O Coxa teve volume na metade final do 2º tempo. Só que abusou do direito de errar nas proximidades da área e correu riscos desnecessários na defesa. Escolheu mal algumas jogadas e pecou tecnicamente em outras. Parece ter caído bastante fisicamente nos últimos 15 minutos também, mas foi premiado pela insistência. Léo Gamalho pôs números finais no placar quando já se passava de 50 minutos da 2ª etapa.