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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: O que Medina pode oferecer ao Internacional

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

28/12/2021 04h00

Alexander Medina, o uruguaio de 43 anos, será o técnico do Internacional na temporada 2022, a quinta de sua curta carreira como treinador após se aposentar como jogador em 2018. Ele foi a grande surpresa do último Campeonato Argentino. Como 3º lugar, levou o modesto Talleres de volta à Libertadores com um estilo que deve repetir no Inter. Um jogo muito físico! Repleto de ligações diretas, marcação forte e velocidade.

Não é surpresa para ninguém que o Colorado tinha como prioridade a vinda de Paulo Sousa, que acabou acertando com o Flamengo nesta semana. Medina tem muito pouco a ver em ideias e filosofia de futebol com o português. Parece que a diretoria do Inter busca um caminho alternativo para voltar a se impor na temporada 2022 no Brasil.

Medina é muito identificado com o Nacional, clube em que passou boa parte de sua carreira como jogador. Foram sete temporadas por lá, 2004 a melhor delas. Foi quatro vezes campeão uruguaio pelos Albos. Jogou também no Hércules, Racing de Ferrol, e no Cádiz, da Espanha.

Passou uma temporada no Arsenal de Sarandí, na Argentina, e outra no Emelec, onde foi campeão equatoriano. Vestiu também as camisas de Unión Española(CHL), Ferro Carril Oeste(ARG); Huracán Buceo, Central Español, Liverpool Montevideo, River Plate e Fênix, todos do Uruguai.

É um treinador totalmente influenciado pela alma e a forma de organizar equipes histórica do futebol uruguaio. Quando treinou o Nacional, em 2018, viralizou uma lista de dez mandamentos de Alexander Medina afixada nas paredes do vestiário do clube. Entre os itens, ''não cumprimentar rivais locais'', com exceção do capitão, dar a primeira ''pancada'' do jogo, e ''não perder nenhuma dividida''. Dá para imaginar de que forma serão jogados os grenais.

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Ligação direta endereçada a um jogador específico e os demais se aproximando para resolver a jogada rapidamente nas imediações da área
Imagem: Rodrigo Coutinho

Quem espera um futebol mais vistoso ou muita elaboração de jogadas para atacar corre o risco de se decepcionar. No Talleres e no Nacional, Medina montou equipes que atacavam de maneira direta. Muitos passes longos buscando a referência técnica da equipe pelos flancos ou em profundidade, e a aproximação dos demais jogadores ofensivos para ganhar a ''segunda bola'', estabelecer linhas de passe perto da área, e definir a jogada com rapidez.

Engana-se também quem pensa que não havia organização por trás dessa proposta. O direcionamento dos passes longos para um setor específico do campo era bem perceptível, assim como a estrutura de saída de bola, ocupação de espaços, e coordenação nos movimentos para se impor desta forma.

No Talleres, por exemplo, tentava atrair o adversário trocando passes na primeira linha de construção muitas vezes, mas havia pouca aproximação dos meio-campistas para progredir com passes curtos. Era uma forma de fazer o time rival subir o bloco de marcação e liberar espaços atrás ou entre os setores.

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A saída de três com o lateral alinhado aos zagueiros e dois volantes logo a frente, mas o restante do time já no terço final do campo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Tem o costume de realizar a saída de três com um dos laterais alinhado aos zagueiros, e o outro bem espetado no campo de ataque. O ponta deste setor flutua pro meio, para ser mais um elemento de disputa da ''segunda bola'' que sobra das ligações diretas. Tenta gerar superioridade por dentro. Gosta de trabalhar com atacantes móveis, como Yuri Alberto.

Força bastante as jogadas nas referências técnicas do time. Valoyes, o colombiano de 25 anos do Talleres, viveu grande temporada em 2021 sendo explorado desta maneira. Foi o alvo de várias ligações diretas, sempre endereçadas ao lado direito do campo.

A competitividade defensiva tem tudo para ser altíssima com ele. Suas equipes se defendem em um 4-4-2 bem sólido. Dá poucos espaços entre defesa, meio e ataque. Marca por encaixes dentro de cada setor, sempre com muita intensidade e coberturas próximas, sem fazer com que os atletas deixem espaços em suas zonas de origem. Esta é uma marca bem forte de seus trabalhos, e algo que faltou ao Colorado de forma regular com Diego Aguirre.

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O 4-4-2 compacto em fase defensiva
Imagem: Rodrigo Coutinho

É natural que boa parte da torcida colorada tenha desconfiança com Alexander Medina. É um técnico ainda bem jovem e em busca de seu primeiro título. O que fez com o Talleres em 2021, que também foi vice-campeão da Copa da Argentina, deixa claro a evolução na última temporada. É nítido que o Colorado escolheu um tipo específico de futebol.