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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: 2022 será decisivo para a história de Vitinho no Flamengo

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

20/12/2021 10h58

Vitinho cumpriu a sua quarta temporada seguida como jogador do Flamengo em 2021. Contratado para ser o ''substituto'' de Vinícius Junior em 2018, o camisa 11 foi um dos jogadores mais caros da história do clube, custou R$ 44 milhões junto ao CSKA, e demorou a se adaptar ao rubro-negro. Foi de decepção no primeiro ano à reserva importante nos últimos três, mas ainda é pouco para a capacidade que tem. Seu contrato se encerra em 12 meses.

Deixar de reconhecer a qualidade de Vitinho está de cogitação em qualquer debate sério sobre o futebol dele. Joga como meia e como atacante. Vem dos lados para o centro ou atua mais fixo por dentro. Faz também a função de ''segundo atacante'' numa dupla de frente. Bate muito bem com as duas pernas, tem visão de jogo, passe qualificado, finalização precisa, habilidade e toma boas decisões em campo. Mas o que falta para ser titular do Flamengo?

Regularidade e intensidade! Essas duas palavras são muito repetidas pelos treinadores e necessárias para se manter competitivo no futebol. Ao mesmo tempo em que possui todas as valências citadas acima, Vitinho oscila demais dentro do mesmo jogo ou de uma partida para outra. É capaz de desperdiçar uma bola tranquila e no contra-ataque adversário sair o gol, ou fazer jogadas de craque para decidir partidas. As duas coisas já aconteceram no rubro-negro.

Esse comportamento irrita grande parte dos torcedores do Flamengo e afeta bastante o jogador em determinados momentos. Vitinho, mesmo ao longo das últimas temporadas, viveu períodos de ''amor e ódio'' com a Nação. Perdeu espaço por se abater com críticas pesadas após erros marcantes. Mas também foi pedido como titular ao sair do banco e resolver algumas partidas.

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Vitinho se destacou em 2021, mas não o suficiente para se tornar unanimidade entre os torcedores
Imagem: Fonte: Opta

A irregularidade de Everton Ribeiro na última temporada despertou diversos clamores pela efetivação de Vitinho no time titular. Por mais que sejam jogadores bem diferentes, o camisa 11 foi bem ao ser utilizado como meia. Seja mais fixo por dentro, atrás de Gabigol, na função que foi de Arrascaeta na maioria dos jogos. Ou tentando repetir o que faz Everton. Flutuar da direita para o meio com a bola.

Mesmo em meio a tanta instabilidade, Vitinho evoluiu no Flamengo. Viveu sua temporada mais efetiva em números em 2021. Fez 14 gols e deu 15 assistências, participou diretamente de 29 dos 156 tentos do rubro-negro no ano. 18%. Nada mal para quem em 31 dos 63 jogos que fez.

Sempre foi um talento reconhecido e, além do sucesso inicial no Botafogo, teve boas passagens por Internacional e CSKA. Era visto como um ''jogador de contra-ataque'' por muitas pessoas. Hoje essa percepção mudou. Vitinho se sai bem com espaços curtos e consegue gerar situações favoráveis também neste contexto.

A pouca aptidão na parte defensiva é outro detalhe muito afetado pela pouca regularidade. Se melhorou em pressões pós-perda e no posicionamento, a intensidade sem a bola fica pautada no ''estado de espírito'' que emprega nos jogos. Se está ativo, dá boas respostas. Se aparece apático, sobrecarrega o sistema defensivo.

Aos 28 anos, já passou da hora de Vitinho oscilar tanto. Vive seu último ano de vínculo com o Flamengo e ainda não há notícias sobre a renovação. Daqui a seis meses poderá assinar pré-contrato com outro clube caso queira. Sua postura em 2022 definirá como será lembrado pelos torcedores rubro-negros. Um eterno reserva promissor ou alguém que venceu a irregularidade e se estabeleceu como titular.