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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Competitivo, e insinuante no 2º tempo, Brasil se garante na Copa

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

11/11/2021 23h24

Era apenas uma questão de confirmação matemática. Dono de campanha invicta nas Eliminatórias para o Mundial do Catar em 2022, a Seleção Brasileira apenas sacramentou aquilo que todo mundo sabia. Está garantida em mais uma edição de Copa do Mundo. O mais importante da vitória por 1x0 sobre a Colômbia, em São Paulo, porém, é a boa resposta diante da dura Seleção Colombiana, e o ganho de potencial ofensivo com as mexidas de Tite a partir do intervalo.

O técnico brasileiro contou com os retornos de Alisson, Danilo, Marquinhos e Casemiro em relação ao time titular que bateu o Uruguai. Do meio pra frente manteve a estrutura. Raphinha e Paquetá pelos lados, e a dupla de frente formada por Gabriel Jesus e Neymar. Já Reinaldo Rueda montou uma Colômbia mais defensiva do que em jogos recentes. Yesus Moreno e Lerma formaram uma trinca de meio ao lado de Barrios. Mateus Uribe foi um importante desfalque. Cuadrado e Luis Diaz os escapes de velocidade pelos lados.

01 - Rodrigo Coutinho - Rodrigo Coutinho
Como as equipes iniciaram o jogo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Como de praxe nos últimos duelos entre as seleções, foi um jogo muito ríspido. Marcações fortes, sistemas defensivos fechados e concentrados, e entradas duras, principalmente por parte dos colombianos, que terminaram o 1º tempo com dois de seus três volantes ''amarelados''. Fred também recebeu um cartão. Com muitas dificuldades nos primeiros 20 minutos, o Brasil melhorou na sequência.

Usando Paquetá e Raphinha para ''alargar'' o campo inicialmente, a proposta era liberar espaços para Neymar, Jesus e Fred pela faixa central, ou encontrar um dos dois ''pontas'' bem abertos em situação de um contra um. Alex Sandro e Danilo foram novamente conservadores no apoio. O primeiro ainda fez ultrapassagens, e aí liberava Paquetá para flutuar pra dentro. O segundo só foi na frente durante o 1º tempo em uma ocasião. Num contra-ataque bem armado, quando ele mesmo recebeu de Raphinha e cruzou rasteiro, a bola desviou e pegou na trave esquerda.

Tirando o lance citado acima, a melhor chance da Seleção veio em escanteio cobrado por Neymar nos acréscimos. Marquinhos quase marcou um belo gol de cabeça. Lucas Paquetá finalizou duas vezes da entrada da área sem precisão um pouco antes. Os colombianos, que quando tinham a bola eram agressivos, levaram perigo com Zapata e Luis Diaz, em duas finalizações da entrada da área. Por mais que a principal estratégia fosse jogar no contra-ataque, os ''Cafeteros'' tiveram momentos de valorização da posse de bola e circulação no campo de ataque.

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Pontas fixos enquanto os laterais não se aproximavam do terço final do campo. Vejam Raphinha no lado contrário
Imagem: Rodrigo Caio
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E aqui a dinâmica quando os laterais avançavam. Raphinha sempre aberto e Danilo por dentro. Na esquerda, o contrário, Paquetá ''abrindo'' o corredor para Alex Sandro
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Brasil fazia a sua parte no sistema defensivo, mesmo com o jogo físico e rápido dos visitantes. No ataque, as interações naturais entre os homens de frente não aconteciam. Por mais que houvesse boa ocupação de espaços. Faltava mais mobilidade, ousadia nos movimentos e nas ações para furar a boa marcação rival. Raphinha ficou muito isolado enquanto atuou pela direita, e Fred chegava pouco nas proximidades da área, assim como os laterais.

Tite tentou resolver a questão colocando Vinícius Junior no 2º tempo. Deslocou Paquetá para o meio-campo e abriu o atacante do Real Madrid na esquerda, onde ele se destaca. O time mostrou-se mais insinuante, Danilo foi mais participativo no campo rival, e Gabriel Jesus perdeu boa chance logo aos cinco minutos. Neymar também assustou em cobrança de falta logo depois. Vale destacar a transição defensiva da Seleção. O time reagia muito rápido ao perder a bola e não deixava a Colômbia encaixar contragolpes com frequência.

Jesus e Raphinha também deixaram o campo para as entradas de Matheus Cunha e Antony. A dupla que saiu do banco foi responsável por mais uma chance criada aos 23', O ponta driblou Moreno e cruzou na medida para centroavante cabecear por cima. O gol parecia maduro e o Brasil adiantou ainda mais a marcação. Em uma dessas pressões conseguiu forçar um erro dos colombianos e Marquinhos tocou para Neymar servir Paquetá na área. O meia do Lyon bateu de perna direita no canto de Ospina.

Com o placar favorável, restou ao time brasileiro administrar e controlar a partida, algo que consegue fazer muito bem diante dos rivais sul-americanos sem sofrer sustos. Antony e Matheus Cunha ainda protagonizaram outra boa jogada antes do apito final. A má notícia é o cartão amarelo recebido por Casemiro, fato que o tira do confronto contra a Argentina na próxima terça-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL