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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: A perfeita adaptação de Zaracho ao 'modo Cuca' no Galo

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

03/11/2021 04h00

Cuca foi um bom jogador de meio-campo nos anos 80 e 90. Com passagens de destaque por clubes grandes do Brasil, era o exemplo de um meia moderno e dinâmico no futebol da época. Logicamente que os requisitos para atender a esta demanda hoje são totalmente diferentes. Como treinador ele se caracteriza, entre outras coisas, pela utilização de atletas com essas características em seus principais trabalhos. No atual Galo, o argentino Zaracho é quem melhor se encaixa no padrão.

O que podemos entender por um meio-campista dinâmico hoje? Em primeiro lugar alguém que seja eficiente em todos os momentos do jogo. Atacar e defender com desempenhos próximos, realizar transições com intensidade. E estar apto a fazer diferentes funções em partidas distintas ou dentro de um mesmo jogo. O meia de 23 anos, em sua segunda temporada no Galo, teve tudo isso como trunfo para ganhar espaço na equipe.

Nos primeiros quatro meses de trabalho de Cuca, alternou entre a titularidade - dez jogos - e a reserva - nove partidas. Conquistou de vez a vaga de titular na goleada sobre o Atlético Goianiense, na 8ª rodada do Brasileirão, em 1º de julho, quando marcou dois dos quatro gols anotados pelo alvinegro. De lá pra cá foram mais cinco gols e duas assistências em 28 jogos ininterruptos como titular. Sempre que foi relacionado e esteve disponível, começou jogando.

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Os números de Zaracho pelo Galo em 2021
Imagem: Fonte: Opta

Logicamente que a qualidade de Zaracho é a grande responsável pela manutenção dele na equipe. É rápido, habilidoso, inteligente na troca de passes e extremamente onipresente no gramado. Por ser um atleta leve, consegue transitar numa faixa muito grande do campo, participando das ações, seja qual for o momento. Esteja o Galo com a bola ou sem ela, fazendo transições ou em bolas paradas, lá está o argentino da pequena cidade de Wilde participando.

Já atuou como segundo homem de meio-campo, um volante com mais liberdade para chegar ao ataque. Já jogou como meia ao lado de Nacho Fernandez num 4-4-2. Como ''falso ponta'' partindo da direita ou da esquerda em um 4-2-3-1, função que vem fazendo mais recentemente, e até improvisado na lateral-direita em um período do jogo, como diante do Flamengo.

Se falta força física para duelos mais duros em jogos truncados, sobra capacidade de tomar boas decisões e evitar esse tipo de confronto, assim como movimentos de desmarque para receber a bola em condições de produzir, criar. Chama a atenção também a capacidade de infiltração como elemento surpresa na área adversária e a boa finalização.

Zaracho subiu aos profissionais do Racing com apenas 19 anos em 2017. Primeiro com Diego Cocca e depois com Eduardo Coudet, mostrou futebol suficiente para ser um dos destaques locais e despertar o interesse do Atlético. Já apresentava essa capacidade de adaptação e encaixou perfeitamente no modelo intenso que Cuca gosta de imprimir em suas equipes.

Os pouco mais de R$ 30 milhões por 50% dos direitos de Zaracho, desembolsados pelo Galo em outubro de 2020, começam a se justificar. E os quatro anos de contrato pela frente dão a certeza que o jovem atleta pode evoluir ainda mais e dar conquistas ao time mineiro. Atualmente é nome imprescindível para o funcionamento da equipe, independente de onde for escalado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL