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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Oscilações do Corinthians têm origem simples de entender

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

22/10/2021 04h00

O Corinthians é o sexto colocado do Brasileirão e pode conquistar uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2022. O time, inegavelmente, melhorou com as chegadas de Renato Augusto, Giuliano, Willian e Roger Guedes, além da ascensão de Gabriel Pereira e a melhora de Cantillo, mas ainda não é o suficiente para ser tão competitivo. Falta mais equilíbrio e intensidade. Essa é a principal missão de Sylvinho.

Os jogos contra Sport, Fluminense e São Paulo deixaram isso bem nítido. A diferença de desempenho para as partidas diante de Palmeiras, Red Bull Bragantino e Bahia é gritante. Mas qual é o motivo principal disso? Será que os jogadores não querem correr? Será que relaxaram? Não! Não é coincidência que o ritmo tenha se quebrado a partir do momento em que ter dois jogos por semana voltou à realidade corintiana.

Só na equipe titular são sete jogadores acima dos 30 anos de idade. Alguns deles em estágios diferentes de preparação recente e poucos jogos disputados. Renato Augusto e Willian são os melhores exemplos. Então é natural que o time não consiga ter um alto rendimento físico em jogos sequenciais. Reflexos de um péssimo planejamento de montagem de elenco, da troca de treinador com o ano em andamento e da herança de gestões passadas.

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Os times de maior média de idade do Brasileirão 2021. O Corinthians teve vários jogadores mais velhos entrando na equipe ao mesmo tempo e em condições físicas diversas
Imagem: Fonte: Opta

Podemos somar também a característica de alguns jogadores. Principalmente o homem mais ''defensivo'' do meio-campo. Victor Cantillo não é um volante de ''pegada'' na marcação. Até consegue ocupar bem os espaços defensivos, se fixa à frente da defesa, mas pressiona a bola sem tanto ímpeto. Tem ao seu lado, na faixa central, dois atletas pouco afeitos a este trabalho nesse momento da carreira. Giuliano ainda consegue ajudar mais do que Renato Augusto na pressão, mas longe da eficácia pedida em jogos mais exigentes.

Os pontas corintianos também entram nesse contexto. Willian ainda não entrou devidamente em forma e está lesionado. Mas possui outra hierarquia dentro do futebol brasileiro. Dificilmente vai se sacrificar tanto sem a bola como já fez em outros clubes. Gabriel Pereira precisa crescer bastante na parte física para fazer esse trabalho quando necessário. O time acaba ficando desequilibrado.

O jogo de futebol é feito de momentos diferentes. Uma equipe não ficará o tempo inteiro com a bola dentro do campo adversário. Precisa reagir rápido e em bloco ao perder a posse, e ter capacidade de inutilizar o rival quando esse tem a bola. Fatores que têm faltado ao Corinthians e comprometido a regularidade da equipe.

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Sylvinho, técnico do Corinthians, em partida contra o Atlético-GO
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Mesmo com uma linha defensiva sólida, mas também com seus problemas físicos, principalmente com os laterais, é natural que sofra em cenários como o do jogo contra o São Paulo. Encarou o Tricolor mobilizado pelo retorno de Rogério Ceni, a torcida no estádio, e jogadores mais leves e jovens no gramado.

Até mesmo para repetir aquilo que o Timão vinha fazendo de melhor é mais complicado nesta realidade. Nitidamente mais talentosa, a equipe de Sylvinho vem circulando bem a bola no campo de ataque. Encontrou em Roger Guedes uma figura letal e ganhou imprevisibilidade com os dribles de Gabriel Pereira, mas os movimentos no entorno deles têm sido bem tímidos, facilmente ''anuláveis''.

A situação deve melhorar nas próximas três rodadas, que acontecerão somente nos finais de semana, com mais tempo de recuperação entre os jogos. Mas nas últimas rodadas, a maratona retorna, e oscilar será natural. Um sinal de alerta para a diretoria entender o real valor de planejar melhor a montagem de um elenco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL