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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Guia da Libertadores - Tudo sobre o Grupo G

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

19/04/2021 04h00

A Libertadores começa nesta terça-feira, e hoje é dia de conhecermos a fundo o penúltimo grupo, o G, que tem como cabeça de chave o Flamengo, mas é composto por outras duas equipes fortes. O Vélez e a LDU Quito. Fechando o quarteto, a Union La Calera do Chile quer surpreender, e tem seus trunfos para isso. Confira.

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Gabigol se tornou o artilheiro do Flamengo neste século e quer mais uma Libertadores no currículo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Campeão épico em 2019. Decepção com a queda nas oitavas em 2020. O histórico recente do Flamengo na Libertadores é fiel ao ''eletrocardiograma'' que é o seu ambiente. Vai do céu ao inferno em questão de dias. O clube conquistou oito títulos em dois anos, seis deles de relevância, mas chega pressionado na estreia da competição por perder um jogo que pouco valia para o seu maior rival na última semana.

Rogério Ceni é o técnico do time e segue pressionado pela torcida, que definitivamente não se identifica com ele. Mesmo com a conquista do Brasileirão e da Supercopa do Brasil, o ex-goleiro do São Paulo não goza de muito prestígio com a Nação. Mas conseguiu devolver em diversos jogos algo próximo daquilo que foi o time com Jorge Jesus. Mobilidade no quarteto ofensivo, trocas de posição, intensidade e velocidade com a bola, reações rápidas ao perder a posse.

Alguns nomes importantes na nova era de títulos rubro-negros não vivem boa fase. Everton Ribeiro é o principal deles, caiu bastante de produção. Gerson também andou oscilando em momentos importantes. Arrascaeta segue bem em campo, mas trava uma batalha com a diretoria fora dos gramados em busca de valorização financeira. Gabigol e Bruno Henrique continuam atuando lado a lado na frente.

Willian Arão foi deslocado para a zaga pelo treinador e divide opiniões no setor. Ao mesmo tempo que dá qualidade na saída de um time que passa 70% do tempo ou mais com a bola, erra posicionamentos na última linha e demora a reocupar espaços em transições defensivas. O recuo dele, porém, abriu espaço para Diego no meio-campo. E o camisa 10, mesmo aos 36 anos, vem jogando muito bem. Ajustar as arestas sem traumas fará o Flamengo ainda mais favorito.

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Jhojan Julio é sinônimo de força, explosão e boa finalização na LDU
Imagem: Rodrigo Coutinho

Campeã em 2008 diante de um Maracanã lotado, a LDU é quase sempre uma pedra no sapato de times favoritos. No ano passado foi eliminada pelo Santos nas oitavas de final, mas gerou dificuldades. Na fase de grupos, ajudou a tirar o São Paulo com uma goleada aplicada em Quito. Principalmente dentro de seus domínios, ''Los Albos'' dificultarão as coisas mais uma vez.

O próprio Flamengo sabe a dificuldade que é enfrentar o potente time equatoriano no estádio Casablanca. Em 2019, quando foi campeão, o rubro-negro estava no grupo deles e perdeu fora de casa. O problema da LDU é repetir o desempenho fora de casa, quando geralmente seus defeitos aparecem com mais potencial. A oscilação defensiva é um deles, principalmente no setor de meio-campo.

O bom técnico uruguaio Pablo Repetto comanda o time há quase quatro anos. Desenvolveu um modelo de jogo bem assimilado pelos atletas e conquistou um título equatoriano no período. Na última edição do campeonato local acabou como vice-campeão. Já em 2021 a LDU ocupa a quarta colocação. Até o fechamento deste texto estava invicta na temporada.

O time gosta de propor o jogo. É agressivo fazendo isso, principalmente com o lateral Perlaza pela direita. Ele é muito forte e rápido, e conta com o corredor aberto pela movimentação em diagonal do meia do setor, entrando em direção ao centro do campo. No lado contrário o mesmo acontece. Jhojan Julio é o principal jogador. Pode atuar aberto ou fazer dupla de ataque com Martinez Borja, ex-jogador do Flamengo. Os contra-ataques da LDU também são muito perigosos.

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Thiago Almada é um meia de talento e grande potencial de crescimento
Imagem: Rodrigo Coutinho

Outro campeão de Libertadores naquele que vem sendo chamado de ''grupo da morte'' é o Velez Sarsfield. O time do bairro de Liniers, em Buenos Aires, foi campeão em cima do São Paulo, em 1994, e não disputava o principal torneio das Américas desde 2014, quando caiu nas oitavas de final com um time que tinha Mauro Zárate, Lucas Romero e Lucas Pratto.

O ''El Fortin'' se classificou após ficar em terceiro lugar no Campeonato Argentino de 2020, mas de lá pra cá muita coisa mudou no elenco. O Velez não tem um plantel estrelado, passa longe disso, mas possui jogadores de bom nível técnico e mescla experiência e juventude com sabedoria. O grupo é equilibrado, o que dá a condição do técnico Maurício Pellegrino fazer o que gosta: alternar o esquema tático e o ''onze inicial'' a cada partida.

É difícil até enumerar os reais titulares da equipe. Almada, Galdamés, Abram, Hoyos, Orellano e Ortega têm tido mais minutos recentemente. O elenco ainda conta com nomes como Centurion e Mancuello, velhos conhecidos do futebol brasileiro, mas que não gozam de tanto destaque neste momento. Atenção também para o volante Ricky Alvarez, de carreira consolidada no futebol europeu e contundência protegendo o setor.

Pellegrino foi zagueiro e é técnico desde a década passada. Treinou Leganés, Alavés, Southampton, Independiente, Estudiantes e Valencia. Foi auxiliar de Rafa Benitez na Internazionale e no Liverpool. Atualmente sua equipe tem o melhor jogo ofensivo da Argentina ao lado do River Plate. Lidera a chave B no campeonato nacional e deve proporcionar um espetáculo muito interessante nos jogos contra o Flamengo.

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Valdívia volta a disputar uma Libertadores, desta vez com a camisa do La Calera
Imagem: Rodrigo Coutinho

Aquele que parece um intruso no ''grupo da morte'' pode transformar-se em surpresa. Basta que Flamengo, Vélez e LDU subestimem o time da Union La Calera. O maior fenômeno recente do futebol chileno vem da região de Valparaiso, na província de Quilliota, com apenas 50 mil habitantes. Tecnicamente é o mais frágil dos quatro integrantes da chave F, mas tem potencial para ser uma zebra.

Em 2017 o Union La Calera subiu da segunda divisão chilena. De lá pra cá enfileirou bons campeonatos até bater vice-campeão em 2020. Terminou a competição cinco pontos na frente da Universidad de Chile e conseguiu alcançar as oitavas de final da última Copa Sul-americana, seu primeiro torneio internacional. Nunca teve muita tradição, mas com organização vai se estabelecendo no cenário.

O clube perdeu alguns jogadores importante para esta temporada. O lateral-direito Andia, o experiente meia Seymour, e os pontas Stefanelli e Juan Leiva saíram. Todos titulares! A reposição veio com Matias Fernandez para a lateral, o uruguaio Rivero e o chileno Orellana para o ataque, e com o jogador mais famoso do elenco atual: o mago Jorge Valdívia. Aos 38 anos, não deverá ser titular, mas ganhará minutos na reta final dos jogos, acrescenta experiência.

Jeisson Vargas, que joga como segundo atacante, é o destaque e referência técnica em campo. Andrés Vilches é um bom centroavante. O time trocou também de técnico. Pablo Vojvoda não renovou contrato e Luca Marcogiuseppe é seu substituto. Ele tem só 40 anos e uma história curiosa. Foi contratado por Marcelo Bielsa como analista de desempenho do Athletic Bilbao após mostrar a ''El Loco'' um trabalho que havia feito sobre sua carreira. Vem montando um time mais reativo e direto. Os ''Cementeros'' não ficam tanto tempo com a bola.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL