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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bruno Viana encaixa no Flamengo, mas casos recentes servem de lição

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

20/02/2021 04h00

Primeiro reforço anunciado pelo Mais Querido para a temporada 2021, o zagueiro Bruno Viana volta ao futebol brasileiro depois de quatro anos e meio na Europa, grande parte do tempo vestindo a camisa do Braga, de Portugal. As características dele como zagueiro servem bem ao que o clube tem buscado em campo, mas é preciso ter cuidado com uma armadilha.

Essa pegadinha chama-se revisionismo. É o ato de reanalisar algo, gerando modificações em relação à interpretação que se tinha do ''objeto'' avaliado. Léo Pereira e Gustavo Henrique vivem isso no clube. Eles se destacaram nas últimas temporadas por Athletico Paranaense e Santos, mas hoje, aos olhos de torcedores e boa parte da mídia, não servem mais.

De fato, ambos não corresponderam às expectativas, oscilaram inicialmente, e com as muitas mudanças de comando técnico no time passaram a ter status de ''não confiáveis''. Perderam espaço até mesmo para o jovem e promissor Natan. Gustavo ainda recuperou um pouco do prestígio na reta final do Brasileirão com boas atuações, mas ainda é visto com ressalvas.

É preciso ter cuidado com esse movimento. Léo e Gustavo não deixaram de ser bons zagueiros de uma hora para outra. A introdução é necessária para ressaltar que todos os atletas possuem virtudes e defeitos e eles são potencializados a partir do estado coletivo da equipe e mental de cada indivíduo. Bruno Viana não é diferente! É um bom defensor, mas precisará de contexto favorável e tempo de adaptação.

arte - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Bruno Viana em números
Imagem: Fonte: Opta

Aos 26 anos, vem de quatro temporadas consecutivas como titular da zaga do Sporting Braga, uma espécie de ''quarta força'' do futebol português. Acabou entrando em atrito com Carlos Carvalhal, treinador que chegou a ser sondado pelo Flamengo, e entrou na lista de negociáveis do clube. Iniciou 21 das 23 partidas em que foi relacionado em 2020-2021.

Bruno atua preferencialmente pelo lado direito da defesa. É destro, mas também pode fazer o lado esquerdo quando necessário. Jogou em linha de três e com dupla de zaga em diferentes momentos nos últimos anos. Foi revelado pelo Cruzeiro em 2015 e alçado aos profissionais por Vanderlei Luxemburgo com 20 anos. Na temporada seguinte ganhou sequência com o técnico português Paulo Bento e acabou criticado por boa parte da torcida celeste até ser negociado em agosto.

Chegou na Europa para atuar inicialmente no Olympiacos, mas ficou só uma temporada no futebol grego alternando entre o time titular e o banco de reservas, até ser emprestado para o Braga e construir uma passagem sólida no norte lusitano.

Características

O Flamengo certamente procura alguém para ser o par ideal de Rodrigo Caio, e Bruno apresenta tais credenciais. É um defensor rápido e de boa recuperação, possui uma mudança de direção em velocidade satisfatória. Com a bola, auxilia na circulação com passes ágeis e verticais muitas vezes, tem raciocínio rápido, mas pode ser um pouco mais preciso encontrando os companheiros em regiões avançadas do campo.

Num time que fica com a posse e propõe o jogo em basicamente todas as partidas, ter um defensor com essas valências é importante para que a bola flutue de um lado a outro do campo com rapidez. Outro traço de seu futebol é a virilidade nos combates. Chega até a se precipitar em alguns lances e errar a leitura correta. Busca sempre definir rapidamente quando há situações de mano a mano e auxilia bastante nas transições defensivas.

A bola aérea é outro ponto positivo, nada muito acima dos demais zagueiros do elenco do Flamengo. Rodrigo Caio, Gustavo Henrique, Natan e Léo Pereira possuem bons números neste tipo de jogada. Ganha em média duas a cada três disputas pelo alto e leva perigo na área adversária. Evoluiu bastante no posicionamento dentro da própria área nas últimas temporadas, o que o difere principalmente de Léo Pereira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL