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Rodrigo Coutinho

Raio-x da final parte 1: como Santos e Palmeiras se defendem

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

27/01/2021 04h00

Semana de final da Libertadores e um conteúdo bem especial aqui no blog. Hoje, amanhã, e na sexta-feira, trarei detalhes importantes da organização coletiva de Santos e Palmeiras. Além disso, pontos fortes e fracos, jogadores que podem fazer a diferença em determinados contextos e muito mais. Hoje vamos saber como Porco e Peixe buscam se defender. Confira!

Marcações por encaixes, mas...

Há muitas pessoas que consideram a marcação por encaixes ultrapassada, mas como quase tudo no futebol pode funcionar. Depende da forma como é executada. Nela o jogador tem como referência de marcação o adversário que cai em seu setor. E o acompanha por um determinado espaço no campo. A diferença entre Santos e Palmeiras está justamente nesse detalhe.

Enquanto no Peixe de Cuca, que é adepto disso há muitos anos, os atletas precisam acompanhar os adversários por um espaço maior do campo, se afastando dos seus setores muitas vezes e só voltando à região de origem quando a jogada acabar. No Porco de Abel, as perseguições são mais curtas. Não é permitido aos palmeirenses se afastarem de suas zonas de atuação, buscando preservar mais a compactação e a proteção dos espaços.

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Aqui os encaixes de marcação do Santos. Vejam, na parte de baixo da imagem, como Soteldo está atrás de Felipe Jonatan, que persegue o ponta do Boca em direção ao meio. Um zagueiro na sobra. Perseguições mais longas
Imagem: Rodrigo Coutinho

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No Palmeiras, também vemos os encaixes, mas feitos dentro do setor de cada atleta, e também há um dos zagueiros na sobra
Imagem: Rodrigo Coutinho

As duas equipes já viveram momentos bons e ruins desta forma. É primordial a concentração e a intensidade para acompanhar o adversário. Perder um duelo individual pode desencadear um ''efeito cascata'' no sistema defensivo e abrir espaços generosos.

Alguns jogadores se destacam. No alviverde, Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Danilo, Zé Rafael lidam bem com isso. Já Luan, Viña, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Raphael Veiga e Willian possuem mais dificuldades. No alvinegro, a turma que se encaixa bem é encabeçada pela dupla de zaga formada por Lucas Veríssimo e Luan Peres, e seguida por Alison, Sandry, Pará e Lucas Braga. Soteldo, Marinho, Felipe Jonatan e Pituca não repetem o desempenho.

Certamente veremos muitos desses duelos em campo. Kaio Jorge contra Luan e Gómez. Marinho versus Viña, Pituca contra Raphael Veiga, Soteldo e Danilo, e etc. Caberá aos ataques se mexerem com inteligência para bagunçar os encaixes e gerar lacunas nas defesas rivais.

A altura do bloco de marcação é variável nas duas equipes. No Peixe é quase sempre médio, começando o combate pouco depois do círculo central, mas há momentos de subida de pressão com bastante ''pegada''. Já no Porco esse comportamento se altera mediante a estratégia do time. Quando é mais reativo, marca em bloco baixo ou médio, mas quando quer se impor com a posse de bola, adianta o time e vai ''pegar'' o adversário lá dentro da área ofensiva.

Mapa dos Gols

Tanto Palmeiras quanto Santos possuem problemas no lado esquerdo da defesa. É por ali que a maioria dos gols adversários são construídos. Felipe Jonatan melhorou recentemente o seu desempenho defensivo, mas sabe-se que não é exatamente confiável nesta fase do jogo. Viña também oscila, apesar de ter um rendimento melhor que o rival de função. Luan Peres e Gustavo Gómez precisarão estar muito atentos nas coberturas.

Um ponto nevrálgico do Peixe defendendo é a bola parada aérea. O time sofre muitos gols desta forma, seja em escanteios ou faltas laterais alçadas na área. Na próxima sexta-feira vamos entender como Cuca e Abel Ferreira organizam suas equipes neste momento, mas o Palmeiras também tem uma taxa alta de gols levados desta maneira. Atenção! O jogo pode ser decidido assim!

O Verdão precisa melhorar a intensidade de seus encaixes em muitos momentos com a bola rolando. Leva quase metade de seus gols sob o comando do português em fase defensiva, com a equipe mais postada.

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Como o Santos sofre os gols
Imagem: Rodrigo Coutinho

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Como o Palmeiras sofre os gols
Imagem: Rodrigo Coutinho

Transições Defensivas

São times com propostas idênticas de transição defensiva. Ambos adotam o ''perde, pressiona'' como base. Ao perder a posse, buscam sufocar o adversário com mais de dois atletas no setor da bola para recuperá-la rapidamente. Os números mostram que o Porco tem esse momento do jogo mais ajustado e o Santos pode melhorar. Nos jogos de Libertadores foi mais intenso, mas no Brasileirão não repetiu a eficiência. Leva mais gols de contra-ataque rival

Nesta quinta vamos entender como Santos e Palmeiras se organizam para atacar...