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Rodolfo Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rodolfo Rodrigues: Ser campeão da Libertadores ou ver o rival rebaixado?

Abel Ferreira observa a equipe do Palmeiras no clássico contra o São Paulo - Marcello Zambrana/AGIF
Abel Ferreira observa a equipe do Palmeiras no clássico contra o São Paulo Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

Colunista do Uol

18/11/2021 16h13

O técnico Abel Ferreira decidiu entrar em campo contra o São Paulo pela 33ª rodada do Brasileirão com um time reserva e acabou sendo derrotado pelo rival por 2 x 0 nessa quarta-feira. O resultado revoltou parte da torcida, inclusive uma das organizadas, que queria que o português tivesse escalado o time principal para tentar afundar o São Paulo, na sua luta contra o rebaixamento.

Duas vezes rebaixado no Brasileirão nesse século (2002 e 2012), o palmeirense sabe bem a dor de cair e ser alvo de gozações dos rivais. Mas desejar mais a queda do São Paulo do que pensar no segundo título seguido da Libertadores é um pouco demais, não?

Faltando 10 dias para a decisão do principal torneio sul-americano, Abel fez o certo. Sem chance de brigar pelo título brasileiro e praticamente garantido na fase de grupos da Libertadores de 2022, seria arriscado demais botar seus titulares desde o início. A chance de perder um jogador importante poucos dias antes da decisão da Liberta por um jogo desse poderia vir a ser a decisão mais insensata. E certamente Abel viraria alvo de críticas pesadas. Imagina perder Raphael Veiga, Dudu ou Rony uma hora dessas?

E botar os reservas para ganhar ritmo e até para ver quem tem condições de entrar durante a final foi a melhor decisão. Como parâmetro, Bragantino e Athletico-PR fizeram isso no início dessa rodada, visando a final da Copa Sul-Americana. E o Flamengo também usou do mesmo artíficio, preservando seus titulares para a final do dia 27 em Montevidéu.

Não foi o caso dessa vez, mas essa coisa de entregar o jogo para o rival ser rebaixado é coisa de torcedor. Jogador profissional entre em campo para ganhar. Mesmo quando é um time reserva. Já vimos o São Paulo livrando o Corinthians da queda no Paulistão e o próprio Palmeiras, eliminado no quadrangular do Estadual de 1988, bater o São Paulo e ajudando o Corinthians a ir para a final.

O Palmeiras pode ser tricampeão da Libertadores e igualar justamente o rival São Paulo como um dos times brasileiros com mais títulos da competição. É sério mesmo que o palmeirense prefere ver o tricolor rebaixado e ver seu time perder a final da Libertadores por ter um ou dois jogadores lesionados após essa partida? E outra coisa, o São Paulo tem três jogos em casa e, mesmo se perdesse para o time titular do Palmeiras, ainda assim poderia se livrar da queda. Ou seja, o Palmeiras poderia vencer, ter jogador lesionado e ainda assim ver o São Paulo na primeira divisão em 2022.

E botar time reserva num clássico já funcionou outras vezes. O Corinthians, já campeão brasileiro em 2015, botou os reservas no clássico contra o São Paulo e enfiou um histórico 6 x 1. Ontem mesmo o Flamengo foi muito superior ao Corinthians, mesmo com seus reservas. Nem Jorge Jesus, que tantos falam, botou o time principal às vésperas da Libertadores de 2019 — apenas 3 entraram em campo contra o Grêmio na semana anterior à decisão contra o River Plate.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL