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Gabriel Vaquer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fusão ESPN-Fox Sports completa um ano: os pontos positivos e negativos

Apresentadores do Sportscenter na ESPN Brasil - Divulgação/Disney
Apresentadores do Sportscenter na ESPN Brasil Imagem: Divulgação/Disney
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

19/05/2021 15h20

Em meados de maio de 2020, depois de dois anos de um processo complexo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a fusão entre ESPN e Fox Sports foi aprovada no Brasil. Após 365 dias, muita coisa mudou, eventos foram compartilhados e profissionais foram desligados, principalmente dos canais Fox.

A fusão ainda gera controvérsia. Quem trabalhou na Fox a considera ruim pois acabou com um mercado de trabalho muito importante. Por outro lado, os defensores da união veem que a Disney agora tem condições de criar uma equipe de esportes que pode fazer realmente frente ao Grupo Globo, a maior emissora do Brasil.

O fato é que, como tudo na vida, a união entre ESPN e Fox Sports teve pontos positivos para ambos e negativos para a Disney e para os telespectadores.

Nesta análise, listo os ganhos e as perdas que a união dos canais trouxe.

Pontos positivos

1) Fortalecimento da Disney

A impressão que se tinha, principalmente na segunda metade da década de 2010, quando a ESPN perdeu eventos e relevância, é que a Disney não queria mais investir tanto assim no esporte. Agora, isso parece ter mudado um pouco. Com a fusão, a empresa conseguiu os direitos da Libertadores da América, o principal evento de futebol do continente. Além disso, renovou propriedades como a La Liga e a Liga Europa. É bem verdade: prometeu, mas não fez proposta pelos direitos da Champions League e não conseguiu renovar o Campeonato Alemão. Mas está na disputa de forma firme pelos direitos do Campeonato Italiano. Ou seja, pelo menos agora, há vontade de fazer algo grande.

2) Adicionamento de profissionais

A fusão inegavelmente potencializou a equipe de esportes da Disney. Agora, a ESPN também conta com nomes como João Guilherme, Nivaldo Prieto, Rodrigo Bueno, Eugênio Leal, Felipe Motta, Daniela Boaventura, entre outros. Já o Fox Sports pode engrandecer as transmissões da Libertadores com profissionais como Mário Marra, Leonardo Bertozzi, Gustavo Hofman, Renata Ruel, Alex Tseng e Paulo Andrade. De fato, houve um ganha-ganha neste sentido, com todo mundo tendo oportunidades.

3) Compartilhamento de eventos = mais transmissões

Com dois canais grandes para exibir eventos de futebol e outros esportes, quem gosta de ter mais opções na televisão gostou. Um exemplo: quando só a ESPN exibia jogos do Campeonato Inglês, nem todos os jogos da rodada eram exibidos na TV - boa parte ia para o aplicativo, o que muita gente não gosta. Nas últimas rodadas, com os dois canais, até oito jogos foram mostrados na televisão (duas partidas por rodada ficam de fora porque a Disney as licencia para o DAZN no Brasil). Isso, de fato, incrementou a audiência das duas emissoras, que vivem bom momento nos números em relação a eventos.

Pontos negativos

1) Fim de programação da Fox Sports

Por uma questão de devolução de marcas, a Disney decidiu acabar com os programas do Fox Sports, que virou um canal apenas de eventos esportivos. Tudo bem, é entendível. Mas por que não criar uma programação com outros nomes que pertenciam a Disney? A linha que o Fox Sports adotava agradava muita gente, principalmente o "Fox Sports Rádio" na hora do almoço. E até agora, não há uma opção clara. É possível dizer que parte deste púbico ficou órfão.

2) Dispensas de profissionais

Por praticamente um mês inteiro (dezembro de 2020), a única coisa que se falou em relação ao Fox Sports foi a dispensa de profissionais. A emissora optou por não renovar a maioria dos contratos, mas alguns conseguiram provar que tinham acordos por longo prazo - casos dos narradores Éder Reis e Marco de Vargas, e do comentarista Leandro Quesada. Mesmo que uma parte tenha sido aproveitada e teve o contrato renovado, dispensas de pessoas nunca é algo positivo.

3) A "expulsão" do público em transmissões do Fox Sports

Sem programas, o Fox Sports tem "expulsado" o público em transmissões ao vivo por lá. Principalmente na Libertadores, o pós-jogo fica para a ESPN Brasil, enquanto a transmissão na Fox é concluída rapidamente. Um fato, que eventualmente aconteça neste intervalo, entre o fim da transmissão e o começo do pós-jogo, pode deixar de ser transmitido. Foi o que aconteceu na final da Copa do Nordeste 2021 entre Ceará x Bahia, quando os jogadores brigaram. Por causa dessa estratégia, a Disney acabou não exibindo a confusão. A Fox só tem eventos ao vivo e poderia ter um pós-jogo rápido, mesmo curto, por precaução neste sentido. É algo que precisa ser ajustado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL