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Clodoaldo Silva

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pela 2ª vez na história, Paralimpíada terá equipe de atletas refugiados

O nadador Abbas Karimi é dos refugiados selecionados para participar da Jogos Paralímpicos de Tóquio  - Catherine Ivill/Getty Images
O nadador Abbas Karimi é dos refugiados selecionados para participar da Jogos Paralímpicos de Tóquio Imagem: Catherine Ivill/Getty Images
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Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

01/07/2021 18h16

Pela segunda vez na história, os Jogos Paralímpicos irão contar com uma equipe de refugiados. O anúncio foi feito nessa quarta-feira (30) pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês). No Rio-2016, foram dois atletas. Em Tóquio, serão seis esportistas de quatro países disputando quatro modalidades: atletismo, natação canoagem e taekwondo.

Os seis atletas selecionados irão participar das competições sob a bandeira do IPC. Ibrahim Al Hussein, Alia Issa e Anas Al Khalifa fugiram de conflitos na Síria. Abbas Karimi saiu do Afeganistão e conseguiu asilo nos EUA. Shahrad Nasajpour saiu do Irã e mora em Phoenix, estado do Arizona, também em solo norte-americano. Apesar de ainda não ter conseguido a classificação olímpica, Hakizimana foi um dos atletas selecionados pelo IPC para ir a Tóquio. Ele saiu de Burundi, pequeno país africano, e foi abrigado em Mahama, em Ruanda.

A equipe paralímpica de refugiados será a primeira a desfilar na abertura dos Jogos, que está marcada para o dia 24 de agosto, em Tóquio.

A revelação da equipe ocorreu por meio de um vídeo que contou com a participação de estrelas do mundo da música, esporte, literatura, teatro e cinema que apoiam a causa dos refugiados, entre eles Chris Martin, o vocalista do Coldplay; Alphonso Davies e Asmir Begovié, jogadores de futebol do Bayern de Munique e de Bournemouth, respectivamente; Gugu Mbatha-Raw, atriz; Barbara Hendricks, cantora de opera e Khaled Hosseini, escritor.

A iniciativa de ter um time de atletas refugiados demonstra que as diferenças precisam ser respeitadas e reconhecidas, mas jamais excluídas. Para mim, questões como perseguição por causa de raça, religião, nacionalidade ou opinião política não cabem no mundo atual. Não entendo porque alguns países, inclusive o nosso, ainda insistem nisso.

Os organizadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos têm a responsabilidade de demonstrar o real siginificado da união entre os povos, deixando de lado qualquer tipo de preconceito, discriminação, desigualdade e violência.

A representatividade dessas equipes de refugiados nos maiores multieventos esportivos do mundo se faz essencial para quebrar paradigmas e demonstrar a hsitória de negação vivida por essas pessoas.

O esporte realmente é uma grande ferramenta de inclusão. Atualmente, o mundo conta com cerca de 24,5 milhões de pessoas refugiadas, entre essas, 12 mil têm algum tipo de deficiência.

Quando se trata de Jogos Paralímpicos, a equipe de refugiados além de demonstrar representatividade, reconhecimento e inclusão, homenageia o fundador do movimento paralímpico no mundo, o senhor Ludwig Guttman, um refugiado alemão que foi para o Reino Unido.

Abraços aquáticos e excelente quinta-feira para todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL