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Jovem aprende a remar em prancha feita com garrafa PET: 'Mudou minha vida'

Mateus Nascimento da Silva rema de stand up paddle em Santa Catarina - Divulgação
Mateus Nascimento da Silva rema de stand up paddle em Santa Catarina Imagem: Divulgação

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

26/03/2022 06h00

Mateus Nascimento da Silva cresceu perto do mar em Santa Catarina, mas não tinha coragem de colocar os pés na água. O curso da sua história mudou há alguns anos, quando ele, aluno da Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcionais), conheceu as pranchas feitas com garrafas PET recicladas pela Eco Garopaba. Sediada na cidade de mesmo nome, a ONG trabalha em parceria com a associação há seis anos levando os jovens para ter aulas na Praia da Barra, à beira da Lagoa Encantada, em SC. Hoje, aos 24, Mateus rema de pé no stand up paddle e já sabe mergulhar.

"Em 2018 conheci a Carol e o Jairo na Apae. Antes eu tinha muito medo de entrar no mar e eles me ajudaram a criar coragem para começar a remar em pé, devagarzinho. O mar me traz muita energia e paz. Agora eu ando de boa e sempre espero o dia de vir remar", diz ele, em depoimento a Ecoa. Além disso, ele conta que ganhou mais consciência ambiental. "Para mim a Eco Garopaba significa cuidar da natureza e do meio ambiente."

O sonho do garoto era conhecer o Projac e a central de jornalismo da Globo — e a ONG também ajudou a realizá-lo. "Ele quer ser cinegrafista e queria andar de avião pela primeira vez. Conseguimos passagens e hospedagem e acionamos nossos contatos na emissora, já que havíamos participado de programas como 'Jornal Nacional' e Ana Maria Braga", conta Carolina Scorsin, criadora da Eco Garopaba ao lado do marido, o surfista Jairo Lumertz.

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Carolina Scorsin e o marido, Jairo Lumertz, criadores da Eco Garopaba
Imagem: Divulgação

"Sempre que via televisão imaginava como era lá dentro. Meu sonho era saber como os jornais e as novelas eram feitos", lembra Mateus. As experiências promovidas pela ONG mudaram sua vida, garante. "Conheci gente boa, saio mais de casa e faço amizades."

Marlene Ramos Nascimento, mãe do jovem, concorda: "Só de ver os vídeos dele remando em cima da prancha é uma grande vitória. Isso trouxe muitas coisas boas para ele." Ela conta que Mateus teve sequelas de uma infecção hospitalar logo após o nascimento, aos seis meses de gestação. Depois, foi diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). "Graças ao trabalho com a ONG, hoje ele cuida do meio ambiente, ajuda a reciclar o lixo em casa e está fazendo uma composteira. Aprendo uma porção de coisas com ele", diz a mãe.

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'Perdi o medo da água', diz Mateus
Imagem: Divulgação

Prancha ecológica

Os fundadores Carolina e Jairo se conheceram há 10 anos na Praia do Rosa (SC). Na época, o surfista tinha voltado havia pouco tempo do Havaí, onde morou de 2003 a 2011. Foi na ilha havaiana de Oahu que ele começou a ficar incomodado com a quantidade de lixo encontrada nos oceanos. Decidiu, então, criar algo com material reciclado para chamar atenção sobre a necessidade de preservação dos litorais. Nascia assim o primeiro modelo de prancha de surfe utilizando garrafas PET.

"Fiquei encantada com o trabalho que ele fazia e foi assim que a história da ONG começou", conta Carol. Os dois começaram a dar aulas de educação ambiental nas escolas e oficinas práticas para as crianças — já estiveram em mais de 80 cidades e tiraram mais de 30 mil garrafas plásticas das praias brasileiras. Hoje fazem mutirões de limpeza, fabricam as próprias pranchas e criam brincos com caixas de leite recicladas.

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Jovem aprende a surfar em pracha de garrafa PET reciclada pela ONG Eco Garopaba
Imagem: Divulgação

Em 2012 o casal percorreu todo o litoral sul e sudeste do Brasil levando a prancha ecológica, como eles chamam, junto com mensagens de preservação, educação ambiental, reciclagem e ao mesmo tempo permitindo o acesso de jovens e crianças ao esporte.

De volta a Garopaba, em 2013, fundaram a Eco Garopaba, associação sem fins lucrativos voltada à preservação do meio ambiente, ao esporte e à inclusão social. De lá para cá percorreram 14 estados do Brasil e tiveram a oportunidade de conversar com milhares de crianças e adolescentes.

"Nossa missão é conscientizar as pessoas sobre a necessidade de preservação do meio ambiente, a correta destinação dos resíduos, a redução da produção diária de lixo, a reutilização de materiais e a reciclagem. E ainda incentivando o esporte e a inclusão social através do surfe", contam.

Pensando na inclusão, Jairo também desenvolveu uma prancha adaptada para cadeirantes. "Assim eles podem experimentar o prazer de remar em um SUP através deste equipamento", diz o surfista.

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