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Ambientalista cria mapa interativo para combater a poluição na China

App Blue Map permite conhecer os níveis de poluição da água e do ar diários e também rastrear empresas responsáveis pelas violações - Divulgação
App Blue Map permite conhecer os níveis de poluição da água e do ar diários e também rastrear empresas responsáveis pelas violações Imagem: Divulgação

Colaboração para Ecoa, de Curitiba

29/11/2021 06h00

Chineses estão usando uma ferramenta que está na palma da mão para cobrar mudanças em relação à poluição no país, o segundo maior emissor de gases do efeito estufa no mundo. Por meio do aplicativo Blue Map, é possível não só conhecer os níveis de poluição da água e do ar diários, como também rastrear as empresas responsáveis pelas violações e compartilhar esses resultados nas redes sociais. Desde 2006, quando a tecnologia foi criada, já foram reunidos mais de 2 milhões de registros de infrações ambientais envolvendo cerca de 40 mil poluidores na China.

Segundo o criador da iniciativa, o ambientalista Ma Jun, ex-jornalista do South China Morning Post e fundador do Institute of Public and Environmental Affairs (IPE), uma organização não governamental baseada em Pequim, o uso do aplicativo — disponível para os sistemas operacionais iOS e Android — tem apresentado resultados eficientes. Ao serem expostas nas redes, as indústrias poluidoras são obrigadas a lidar com a repercussão dessas ações, correndo o risco de perder contratos como fornecedores de grandes marcas e ter empréstimos negados junto a instituições financeiras. "É o poder da transparência, das informações tornadas públicas por meio da internet e outras tecnologias de TI que podem capacitar milhões de cidadãos a acelerar essa mudança, responsabilizando empresas e agências governamentais", definiu o ambientalista durante palestra para o TED Monterey, na Califórnia.

Pesquisa

A ideia nasceu do contato de Ma Jun com casos de poluição ao longo de sua carreira. Anos atrás, viu um grupo de pescadores retirando aglomerados de algas de um dos maiores lagos chineses, o Lago Tai. Ele ouviu de um dos pescadores que o comum era que, em um dia quente como aquele, o homem pulasse na água para se refrescar. Mas, com o desaparecimento dos peixes da área, trabalhadores como ele passaram a ser pagos para retirar algas do lago. "Apontando para fábricas não muito longe da costa, ele disse que o lago não estaria limpo até que elas parassem de despejar resíduos ali. Anos de pesquisa me fizeram entender como era difícil verificar o despejo", relatou Ma Jun.

Blue Map - Reprodução/ TED - Reprodução/ TED
O ambientalista Ma Jun durante fala no TED
Imagem: Reprodução/ TED

Em 2006, quando a China passou a divulgar dados iniciais sobre empresas poluidoras, ele viu a oportunidade de reunir as informações em um projeto que pudesse impactar um dos maiores centros da cadeia global de suprimentos de aparelhos eletrônicos e roupas. O trabalho ganhou força quando dados dessa natureza começaram a ser divulgados em tempo real pelo governo e os smartphones se tornaram populares entre os chineses.

Funcionamento

Atualmente, a partir do aplicativo desenvolvido, é possível consultar informações sobre a poluição atmosférica e da água em tempo real e conhecer os registros das indústrias e outros poluidores envolvidos no problema. Cada empresa da área de abrangência do usuário aparece no mapa fornecido com a cor relacionada à sua situação ambiental: azul e verde indicam uma boa situação, enquanto amarelo e vermelho, ruim. "A função mais exclusiva do Blue Map é que os usuários acessem essas informações e depois as compartilhem nas redes sociais, marcando a conta oficial [dos poluidores]", completa Ma Jun.

Blue Map - Divulgação - Divulgação
Aplicativo Blue Map
Imagem: Divulgação

Esse tipo de ação, recorda o ambientalista, já incentivou mais de 14 mil empresas a tomarem medidas quanto a seu comportamento. Foi o caso, por exemplo, de uma siderúrgica que gastou US$ 1 bilhão para reduzir suas emissões atmosféricas na região de Pequim. Em outra situação, uma grande tinturaria se viu obrigada a tratar seus resíduos para não perder contrato com cinco marcas da área têxtil. "Vitórias como essas estão se multiplicando para melhorar a cadeia de suprimentos dos produtores, das fábricas de roupas à tecelagem, dos laboratórios às lavanderias. Hoje, o código de cores pode fazer a diferença entre uma empresa que consegue obter um empréstimo de um grande banco, como o Banco Postal da China, e outra que não consegue", definiu o ambientalista ao TED Monterey.

Expansão da cobertura

Recentemente, o Blue Map passou a reunir dados sobre tendências para neutralização das emissões de carbono, compromisso da China até 2060. A ideia é que a ferramenta também apresente, em breve, informações sobre biodiversidade e poluição com resíduos sólidos, como plásticos.