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Nova série mostra a travessia de milhares de pinguins ameaçados de extinção

"Cidade dos Pinguins", da Netflix - Divulgação
"Cidade dos Pinguins", da Netflix Imagem: Divulgação

Fernanda Ezabella

Colaboração para Ecoa, de Los Angeles (EUA)

25/06/2021 06h00

Todo final de ano, no início do verão, uma paradisíaca praia sul-africana vê a chegada de uma nova população. Eles chegam interessados em suas areias brancas, moradias tranquilas e comida abundante, eventualmente causando distúrbios na vizinhança ou até mesmo formando gangues em seu concorrido estacionamento.

Mas não se tratam de turistas desordeiros, e sim de uma adorável colônia de pinguins africanos. Eles frequentam a Boulders Beach desde os anos 1980 e agora viraram estrelas de uma nova série documental de oito episódios da Netflix, chamada "Cidade dos Pinguins".

Cerca de 3 mil pinguins africanos, uma espécie ameaçada de extinção, costumam chegar em novembro e passar uma temporada de seis meses na praia de Simon's Town, uma vila a apenas uma hora de carro da Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul.

Os animais vêm com a missão de procriar e vasculham os cantos da cidade em busca de lugares seguros para fazer seus ninhos. Eles caminham em duplas ou em grupos, naquele jeito estabanado de andar, em meio à população de humanos que também usufruem da mesma praia e aprenderam a conviver e proteger os animais.

"São como deuses na cidade", diz o narrador do seriado, o ator Patton Oswalt, que também assina a produção executiva.

A série é como um calmante para os tempos turbulentos atuais e um refresco para os olhos, mas às vezes força a mão na tentativa infantilizada de imaginar o que raios se passa na cabeça dessas criaturas maravilhosas.

Logo no primeiro episódio, conhecemos o casal Bougainvilleas, dois pinguins que estão juntos há sete anos e já criaram 12 pintinhos no mesmo lugar em Simon's Town, debaixo de uma floreira de Bougainvilleas.

Enquanto ela cuida do ninho, ele precisa atravessar a vila para chegar ao mar e ir caçar o jantar. O percurso traz alguns perigos, como uma gangue de pinguins solteiros que fazem bully com quem cruza o estacionamento. Ele também precisa fugir das focas, um predador que mata mais de 150 pinguins por ano.

"Os Bougainvilleas são os pinguins-propaganda da monogamia", diz Patton. "Sabem como ninguém construir um ninho e aprenderam um segredo de Simon's Town: quanto mais perto dos humanos, mais seguro é o ninho, porque os humanos assustam os predadores."

O seriado também apresenta o casal recém-formado Culverts, que decide fazer seu primeiro ninho num local não muito inteligente, e o jovem solteiro Júnior, que passa por seu primeiro processo de renovação das penas e está com sérios problemas para ganhar peso.

Metade dos pinguins jovens não alcança maturidade, mas o seriado evita cenas fortes da vida selvagem como ela é. O foco é na fofura e nos pintinhos que surgem ao longo dos meses, com alguns dramas para manter o suspense, como a mãe que desaparece, o casal que se separa e os inúmeros vizinhos predadores.

As cenas debaixo d'água, quando os pinguins vão atrás de suas sardinhas em alto mar, lembram outro trabalho da Netflix, "O Professor Polvo", documentário ganhador do Oscar deste ano. Ambos trazem a floresta de algas ao redor da mesma baía sul-africana de False Bay.

Sucesso garantido, o seriado deve impulsionar o turismo na região. Simon's Town pode se preparar para uma invasão de turistas no próximo verão. Mas a entrada na Boulders Beach para ver de perto os pinguins é controlada, com ingresso equivalente a 60 reais para estrangeiros e 14 reais para locais.

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