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Mulheres se unem e formam rede de "guardiãs" em comunidade periférica de SP

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Imagem: Divulgação

Núbia da Cruz

Colaboração para o Ecoa, em São Paulo

25/06/2021 06h00

Nas comunidades de Jardim Lapena, localizada em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, é pelas mãos de um grupo de mais de 113 mulheres que chega ajuda para todas as pessoas necessitadas. As guardiãs, como são chamadas essas mulheres, iniciaram suas atividades em abril de 2020 visando dar suporte à população periférica, principalmente no que diz respeito a insumos de proteção contra a pandemia de covid-19, além de alimentos para cerca de 15 mil moradores.

A ideia surgiu quando a assistente social Vânia Silva e a assistente de programas e projetos Antônia Marlúcia Gomes, que pertencem ao Galpão ZL, um espaço referência no bairro gerido pela Fundação Tide Setúbal e Sociedade Amigos Do Jardim Lapena, se perderam entre as ruas quando foram fazer uma entrega de mantimentos.

"A gente chegou em uma parte do território em que não conseguimos sair, eu liguei para uma amiga nossa que tinha uma amiga que morava naquela ocupação. Quando a Monalisa chegou foi uma coisa maravilhosa porque ela conhecia tudo naquele território, no final a Antônia agradeceu e falou: 'Hoje você foi nossa guardiã', conta Vânia.

Ela conta que a partir deste fato pensou como seria bom ter uma guardiã em cada parte da comunidade, pessoas que morassem na comunidade e que conhecessem as famílias e suas necessidades "E assim surgiu a ideia dessas guardiãs e fomos mapeando mulheres com perfis de liderança", conta.

Guardiãs - Divulgação - Divulgação
Hoje o grupo de guardiãs reúne mais de 100 mulheres que levam ajuda de porta em porta na comunidade
Imagem: Divulgação

Hoje elas têm um grupo de WhatsApp pelo qual as demandas são lançadas e a guardiã mais apta para a ação fica encarregada de atender. Começa, então, uma força tarefa para conseguir as doações. Cada mulher é responsável por uma rua, lugar onde conhece as dificuldades de cada família e entrega de porta em porta o que é doado.

O trabalho dessas mulheres é bem amplo, elas fazem diagnóstico de território, levantamento de demandas sociais, dão apoio a Unidades Básicas de Saúde (UBS) e equipamentos educacionais. "As guardiãs têm feito um trabalho muito lindo junto com esses equipamentos, potencializando e facilitando o trabalho dos profissionais e dessas famílias", conta Vânia.

A presidente das guardiãs Julinda Oliveira, pedagoga de 49 anos, acrescenta que elas fazem, orientadas pela organização Médico Sem Fronteiras, treinamentos de cuidados contra a covid-19 em Igrejas e dentro de espaços escolares. Fazem também um mapeamento dos moradores do bairro que são acamados e deficientes e, dessa forma, quando chegam doações a guardiã responsável pela rua retira e faz logo a entrega.

Vânia é direta ao responder qual é a principal demanda da comunidade. "A fome mata. A fome tira a dignidade. Não adianta você oferecer um curso se a pessoa está de barriga vazia e não consegue sequer prestar atenção, não adianta a gente falar sobre democracia se a preocupação dessa família é com o que vai comer hoje, se o filho vai ter um pão para comer." conta ao Ecoa.

Julinda conta que de tempos em tempos recebem ajuda de fora, como da Paróquia de Moema, que doou cestas básicas, da Natura, que ajudou com kits de álcool em gel e da Cacau Show, que na Páscoa doou ovos de chocolate para a comunidade. Estima-se que em torno de 2.000 kits de higiene e 1.500 cestas foram entregues à comunidade da Lapena.

O projeto trouxe para mulheres da comunidade um empoderamento. "Acabamos nos tornando mulheres periféricas potentes, a maioria de nós mulheres, em meio à pandemia que estamos vivendo, descobrimos um potencial que a gente não sabia que tinha", diz a presidente do projeto.

Hoje, no grupo, existem mulheres que retomaram os estudos, que voltaram ao mercado de trabalho, que estão fazendo cursos, mulheres fazendo sucesso no empreendedorismo.

Para colaborar com o trabalho das guardiãs, entrar em contato com:
11 99208-8247 - Julinda (presidente das guardiãs)
11 97097-2392 - Galpão ZL
11 95942-9850 - Vânia Silva (assistente social)