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Filiril traz humor, estética da rede e Lovefoxxx contra agrotóxicos

Lovefoxxx e Filiril em vídeo sobre Glufosinato - Reprodução
Lovefoxxx e Filiril em vídeo sobre Glufosinato Imagem: Reprodução

Juliana Domingos de LIma

De Ecoa, em São Paulo

19/06/2021 06h00

Depois de assistir a um vídeo do @filiril no Instagram no início de junho, eu não conseguia tirar da cabeça o refrão "a gente paga caro/a gente paga caro/a gente paga caro/pra ser envenenado", sobre a presença de agrotóxicos nos alimentos consumidos pelos brasileiros.

No vídeo com cara de clipe, que já ultrapassou 300 mil visualizações na rede social, o artista visual combina beats eletrônicos, dancinhas, emojis e nomes de pesticidas altamente tóxicos. O foco principal deste primeiro vídeo sobre o tema é a presença de glifosato e outros herbicidas em produtos ultraprocessados, como bolachas e salgadinhos.

É meme, mas é sério. O vídeo surgiu em resposta a uma pesquisa divulgada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que mostrava quais agrotóxicos estão presentes em boa parte dos alimentos ultraprocessados mais consumidos no Brasil.

"É uma maneira de colocar o assunto na pauta por uma via mais leve, pelo entretenimento, que captura as pessoas por conta de outros estímulos. Tem a música, tem a dança, tem o humor e junto está vindo uma informação que é importante", disse a Ecoa.

Para ele, esse casamento entre informação e vídeos divertidos alcança outros públicos e pode gerar novas mobilizações e reflexões sobre o tema.

Na esteira do hit sobre o glifosato, Filiril lançou na última quinta-feira (17) um novo vídeo que alerta para a liberação de trigo transgênico importado no Brasil. O trigo geneticamente modificado é mais resistente ao glufosinato de amônio, um herbicida ainda mais tóxico que o glifosato.

O vídeo tem a participação de Luísa Matsushita, a Lovefoxxx da banda CSS, que gostou do trabalho do artista e entrou em contato para fazerem algo juntos. Ela canta e dança ao lado de Filiril: "Gluglu Glufosinato/Mais um veneno no mato/Mais um veneno no prato". A produção foi totalmente caseira, com Filiril passando orientações para que a cantora se gravasse em cada plano. "A gente foi criando junto. Vi o material e estava ótimo. Foi bem gostoso", disse ele.

Como parte dessa série, está nos planos um próximo vídeo sobre a presença de agrotóxicos na água potável.

Projeto de pandemia

De Porto Alegre, Filiril mora em São Paulo há três anos e trabalha como ator e editor de vídeos.

No ano passado, quando o fluxo de trabalho diminuiu por conta da pandemia de covid-19, ele decidiu transformar sua conta no Instagram em um canal para divulgar essa produção criativa da qual vinha sentindo falta.

Filiril - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Filiril tem criado vídeos divertidos sobre assuntos densos e graves, como a presença de agrotóxicos na mesa dos brasileiros
Imagem: Acervo pessoal

Além de temas mais sociais e políticos, como os agrotóxicos e o governo Bolsonaro, os vídeos também tratam de assuntos menos sérios, como receitas e o cotidiano permeado pelas redes.

As colagens são feitas pelo celular, usando filtros de Instagram, gifs, Word Art e figurinhas, e têm como referência videogames, páginas de memes, os vídeos da cantora japonesa Kyary e o clipe de "Double Bubble Trouble", da rapper britânica M.I.A..

A liberação de um número crescente de agrotóxicos no Brasil, colocada por ele como "aterrorizante", se tornou tema dos vídeos por se tratar de algo que afeta a população diretamente, mas que ele ainda considera pouco falado.

"A gente é meio refém disso tudo, então nos resta falar sobre e tentar gerar algum movimento", disse. Sabendo que a competição por atenção no feed é grande, Filiril vem com um arsenal audiovisual incomparável para não deixar ninguém esquecer da presença dos agrotóxicos na mesa.

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