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Empresas que mudam

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Ação dá aula e ajuda a contratar jovens pobres; saiba como se voluntariar

Gilson Ferreira de Jesus, diretor de recursos humanos da Makro, durante aula com jovens do Projeto Pescar - Divulgação
Gilson Ferreira de Jesus, diretor de recursos humanos da Makro, durante aula com jovens do Projeto Pescar Imagem: Divulgação

Marcos Candido

De Ecoa, em São Paulo

24/02/2021 04h00

O aprendiz João Pedro de Almeida, 19, está juntando uma grana para começar a faculdade de administração. Ou marketing. Ele ainda está decidindo. "Só sei que desse ano não passa", diz. Nos últimos dois anos, João foi beneficiado por um programa educativo chamado Projeto Pescar, oferecido por uma rede de vendas em atacado.

Segundo a Fundação Projeto Pescar, além do Makro, fazem parte do grupo outras 99 empresas e organizações. A instituição recebeu um selo de qualidade do Instituto Doar em 2020, pela transparência dos investimentos e por beneficiar mais de 30 mil jovens em 26 anos.

O Projeto Pescar dá cursos sobre finanças pessoais, negócios, logística e marketing. É um complemento, um reforço para a Lei do Jovem Aprendiz, que há duas décadas ajuda na contratação de jovens, que estão cada vez mais desempregados.

Rede contratou os serviços

Em três anos, o Makro deu cursos para 60 jovens pobres de São Paulo, que podem ser contratados após o encerramento do processo. Há oportunidades também para pessoas interessadas em dar aula como voluntárias.

João estudou a parte teórica por oito meses e trabalhou por mais quatro com a equipe de marketing da empresa. No curso aprendeu termos como "margem de lucro", "oferta e demanda", "branding", "planilhas de Excel". A grade envolve 60% de cursos motivacionais com funcionários da Makro, e 40% de aprendizado técnico e prático.

Após o fim das aulas, João foi contratado como jovem aprendiz em uma unidade do mercado no Alto da Lapa, na zona oeste de São Paulo, onde faz inspeção de preços, produtos e prateleiras.

O trabalho é ainda o primeiro passo no mercado de trabalho, mas ele já cumpriu a primeira meta pessoal com o cerca de meio salário mínimo que recebe. "Fiz o tratamento dentário da minha mãe. A próxima meta é fazer a faculdade", explica.

O cenário de pandemia não é nada fácil para os mais jovens. Em dezembro, a taxa de desemprego entre os 18 e 24 anos foi de 31%, enquanto a média geral é de 14%.

"Dá um pouco de medo devido à pandemia, mas uso máscara e estou seguindo em frente em busca dos objetivos", diz. É também uma forma de criar redes de apoio entre jovens que querem trabalhar.

Próxima turma

A Makro tem cerca de 2 mil funcionários em 24 lojas instaladas no estado de São Paulo. O Projeto Pescar disponibiliza 20 vagas anuais para jovens com renda de no máximo 1 salário mínimo, e com idade entre 16 e 19 anos.

É preciso comprovar frequência escolar ou a conclusão do ensino médio para participar, e a autorização é feita junto com a família. Na primeira turma, sete dos 20 alunos foram contratados. O grupo que teve início em janeiro deve ter 50% dos inscritos contratados. Para o ano que vem, a empresa deve aumentar o número de vagas no curso para 48 pessoas.

Como a administração da empresa trabalha em regime home office devido às restrições da pandemia, os próximos inscritos deverão ter a parte prática nas unidades em operação no estado.

Pela legislação, uma empresa pode ter no máximo 15% de aprendizes em seu quadro para evitar que funcionários efetivos sejam substituídos por aprendizes. "Nós respeitamos a cota, e queremos ajudá-los a ter o primeiro emprego", diz o diretor de recursos humanos Gilson Ferreira de Jesus.

Como ser um professor voluntário

É possível se candidatar como professor voluntário do Projeto Pescar. Basta acessar o site da instituição, preencher dados pessoais, uma descrição sobre as áreas de interesse e anexar um currículo.

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