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Empresas que mudam

Empresas que mudam

Investir em diversidade é meta de 97% das empresas brasileiras para 2021

Marina Soares, Diretora Jurídica, Relações Institucionais e Sustentabilidade e responsável pelo Programa de Diversidade & Inclusão da ArcelorMittal - rafael l g motta/Divulgação
Marina Soares, Diretora Jurídica, Relações Institucionais e Sustentabilidade e responsável pelo Programa de Diversidade & Inclusão da ArcelorMittal
Imagem: rafael l g motta/Divulgação

Bruno Sousa

Colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro

10/02/2021 04h00

A pauta de diversidade e inclusão (D&I) corporativa surgiu nos Estados Unidos, nos anos 70, como uma resposta das empresas aos protestos por direitos civis que mudaram o país na década anterior, como a segunda onda do feminismo, o movimento LGBTQIA+ e a luta da população negra contra a segregação, e ganhou o mundo através dessas empresas multinacionais.

Aqui no Brasil, mesmo após três décadas da pauta, o tema ainda não é amplamente discutido e temos muito a evoluir. Pelo menos é o que mostra a pesquisa sobre o cenário brasileiro de "Diversidade e Inclusão (D&I) nas empresas" lançada pela Consultoria Mais Diversidade e a Revista Você RH. Segundo a pesquisa, cerca de 65% das empresas brasileiras não possuem um programa de D&I estruturado, com estratégia e planejamento, realizando apenas ações pontuais, e apenas 28% têm uma área específica para o tema.

A análise foi realizada com 293 entidades, nacionais e multinacionais, de 34 países e 23 diferentes setores.

No Brasil, existe uma concentração excessiva de empresas multinacionais e de grande porte no eixo Sul-Sudeste, o que faz com que essas regiões discutam o tema em uma velocidade diferente. É o que nos diz Ricardo Sales, sócio-fundador da Mais Diversidade: "Se eu tenho estados com uma economia menos desenvolvida, com muitas empresas de perfil familiar, empresas menores, significa que o ritmo dessas regiões vai ser bem diferente desses grandes centros, que serão influenciados por esse contexto das empresas multinacionais".

Pequenas empresas, grande inclusão

Ricardo Sales - Divulgação - Divulgação
Ricardo Sales, sócio-fundador da Mais Diversidade
Imagem: Divulgação

Esse ritmo diferente, no entanto, não impede que pequenas e médias empresas, sobretudo das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, trabalhem os temas de diversidade e inclusão. Existem diversas formas de se fazer isso, como instruir os funcionários sobre as políticas da empresa, o que é ou não aceito, criação de rodas de conversa entre os funcionários e distribuição de cartilhas informativas. Investir em educação e comunicação é o melhor método para pequenos e médios empresários. Um dado animador da pesquisa é que 2/3 das empresas respondentes já possuem uma área ou responsável por D&I.

Já as grandes empresas contam com orçamentos que lhes permitem investir em áreas específicas de D&I ou em processos seletivos que priorizem mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência

"Essa pesquisa é um importante termômetro para as empresas brasileiras, porque agora sabemos em que patamar de D&I as organizações estão no país, de modo geral, e quais são os temas que devem ser priorizados para o fortalecimento da agenda nas empresas.", destaca Thiago Guarnieri Roveri, consultor sênior de diversidade e responsável pela área de pesquisas da Mais Diversidade.

Diversidade racial

Considerando a diversidade racial do Brasil, essa deveria ser uma questão prioritária a ser resolvida. A pesquisa mostra que mais de 33% das empresas consideram a pauta racial como o principal desafio em diversidade e inclusão.

Nesse sentido, algumas empresas se movimentam para dar respostas positivas e concretas, caso da empresa de aço ArcelorMittal Brasil.

"A ArcelorMittal aderiu à Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero. O fórum estimula a promoção da diversidade e da equidade racial no mercado de trabalho. Além disso, a empresa trabalha a temática em campanhas de comunicação para reforçar a necessidade de combatermos o racismo. O Grupo de Afinidade de Diversidade Racial conta hoje com cerca de 220 voluntários e aliados. Em 2019 e 2020, registramos dois importantes acontecimentos no nosso quadro executivo, onde passamos a ter o primeiro vice-presidente negro na história da ArcelorMittal Brasil, Erick Torres, que atua na unidade de Tubarão, e a primeira mulher diretora de unidade industrial, Tatiana Nolasco, no comando das unidades da Sul Fluminense." diz Marina Soares, Diretora Jurídica, Relações Institucionais e Sustentabilidade e responsável pelo Programa de Diversidade & Inclusão da empresa.

Uma surpresa positiva foi que mesmo em um cenário de pandemia, que incluía ainda crise sanitária, econômica e política, 97% das empresas pretendem manter ou aumentar seus investimentos em D&I para 2021.

O tema sempre enfrentou resistências no Brasil, um país que historicamente nega seus preconceitos, mas estamos em um importante momento de virada. Essas empresas sabem disso e têm caminhado para que a diversidade e inclusão no meio corporativo deixem de ser ações pontuais e virem uma responsabilidade do negócio.

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