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Afro Presença: Quais ações precisamos para não aumentar o gap para negros?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Amanda Louise

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

03/10/2020 04h00

De que forma as mudanças nas estruturas empresariais podem impactar como as pessoas negras são vistas, inseridas e tratadas na sociedade? Foi com essa reflexão que o encontro virtual do movimento Afro Presença encerrou ontem (2) o último dos três dias de evento voltado para o debate sobre a prevenção e o combate à discriminação racial nas conexões de trabalho e a valorização da diversidade racial nos ambientes empresariais.

O Afro Presença foi idealizado e coordenado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e tem realização do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), com o objetivo de pensar soluções para a inclusão de jovens negros e negras universitários no mercado de trabalho, fortalecendo ações que olhem para a população negra e a ampliação da entrada na carreira de trabalho.
"Pluralidade de ideias depende da diversidade na empresa, competitividade; refletir a sociedade para realmente se conectar com fornecedores, funcionários e clientes", disse o argentino Manfredo Rubens, presidente da BASF na América do Sul.

Para que isso aconteça, são necessários processos internos de contratação e treinamento do quadro de funcionários, que precisam ser reestruturados para que não haja barreiras para a entrada de profissionais negros, e a adoção de ferramentas para conscientização e comunicação dos valores da empresa.

Atualmente apenas 2% da população brasileira têm conhecimento do inglês, segundo dados levantados pela jornalista Ana Carolina Diniz. A partir do momento que uma vaga exige o idioma, ela excluiria 98% do país.

"Quais tipos de iniciativa precisamos [empresas] fazer para não aumentar o gap para negros? Que tipo de jornada precisa ser inserido para quebrar paradigmas? ", perguntou Maria Antonieta Russo, vice-presidente de Recursos Humanos da TIM Brasil.

Negres e membros da comunidade LGBTQIA+

Se a pessoa negra encontra dificuldades em se inserir no mercado e na sociedade, quais são as condições daqueles que fazem parte de outro recorte minoritário? A intersecção de raça e gênero a partir de suas próprias vivências quanto pessoas negras, homossexuais e um homem transexual foram destaque do debate "LGBTQIA+ sob a perspectiva negra".

"Toda pauta que diz respeito a mim, deveria ser uma pauta tratada de forma interseccional, porque há milhares de pessoas trans que são negras. Não devemos estabelecer hierarquias de opressão", apontou o médico e homem trans Theon Brandom.

A importância desse olhar interseccional também foi reforçada por Pedro Cruz, Sênior Broadcaster de Skol na Soko. "Hoje não consigo ver a diferença entre o Pedro gay dos demais, minha manifestação social está entre todas as intersecções", disse.

Para ele, as pessoas precisam ser responsabilizadas pelas suas ações, o que ele chama de "alternância de responsabilidade"; porque a sociedade precisa ter discernimento e compreensão do que faz. Pedro propôs a criação de espaços de diálogos com quem não integra as comunidades. "Tendo mais pessoas brancas refletindo sobre pessoa pretas e hétero refletindo sobe gay". Além de alternância de poder nos espaços para mais protagonismos e representações.

Para Carlo Pereira, Diretor Executivo do Pacto Global, as empresas são um braço econômico da sociedade, e que o evento e as mudanças na sociedade fazem parte da luta social como um todo.

"Temos que entregar resultado, a sociedade precisa de resultado efetivo. Temos urgência em tudo: questão de desigualdade, mudança de clima; as novas gerações estão atentas. Para a gente está sendo um marco", refletiu sobre a primeira edição do Afro Presença, que contou com mais de 20 mil inscritos e 10 mil interações na plataforma do evento só nos dois primeiros dias de evento.

O encerramento do evento ficou a cargo de shows de Batekoo, Sergio Loroza, Mart'nália, Mombaça e participação de Lica Oliveira.

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