PUBLICIDADE
Topo

Ecoa

Cinema indígena? Ele existe e está disponível de graça na internet

Cena do documentário "A Origem da Alma", do diretor guarani Alberto Alvares - Divulgação
Cena do documentário 'A Origem da Alma', do diretor guarani Alberto Alvares Imagem: Divulgação

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

10/08/2020 16h40

Quantos filmes indígenas você já viu? Se a sua resposta foi "nenhum", é possível mudar isso. O Sesc Digital, que está oferecendo uma série de conteúdos online durante a pandemia no programa Cinema #EmCasaComSesc, inaugurou neste mês uma sessão extra para exibir produções clássicas e contemporâneas de coletivos e diretores indígenas, de diversas etnias e regiões do Brasil.

Os documentários "A Origem da alma - Tekowe Nhepyrun" (2015) e "O Último Sonho" (2019), de Alberto Alvares, foram escolhidos pela curadoria do Cine Sesc para abrir o ciclo —ambos podem ser assistidos online gratuitamente no site do Sesc Digital até o dia 7 de setembro, sem necessidade de cadastro.

Alvares, ou Tuparay, em guarani, idealiza, filma e monta seus próprios projetos cinematográficos. "'É mais uma porta para a gente levar a cultura guarani para todos os lugares", diz o diretor, que colheu depoimentos dos mais velhos da aldeia Yhowy, Guaira e Paraná, sobre a visão deles a respeito da origem do modo de ser guarani.

Passei a usar a câmera como se fosse um petyngua [cachimbo sagrado] para me conectar espiritualmente com a sabedoria do silêncio
Alberto Alvares, cineasta indígena

Ele conta que "usa a imaginação no mundo da lente", sem ter medo de quebrar o equipamento. "O equipamento tem preço, podemos consertar. A memória tem valor maior, inestimável. E quando ela se perde, é difícil trazê-los de volta", diz ele, no texto de apresentação do filme.

Já "O Último Sonho" (2019), premiado no DocLisboa no ano passado e exibido em várias mostras e festivais mundo afora, homenageia o líder espiritual Guarani Wera Mirim (ou João da Silva), da aldeia Sapukai, em Angra dos Reis - RJ, que morreu em 2016.

Para além dos temas retratados, vale ficar atento à trilha sonora e aos enquadramentos, que descortinam uma visão particular que oferece um olhar mais diverso sobre o cinema brasileiro autoral.

Ecoa