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Para combater racismo, curso de iorubá mostra influência africana no Brasil

Instituto Ella promove curso de introdução à cultura iorubá - Reprodução/ Arte Joana Lira
Instituto Ella promove curso de introdução à cultura iorubá Imagem: Reprodução/ Arte Joana Lira

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

04/08/2020 14h57

"Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista". Mais atual e urgente do que nunca, a fala da ativista e filósofa norte-americana Angela Davis reflete um dos grandes desafios sociais dos nossos tempos. Mas, por onde começar? Para empresas como o Instituto Ella, criado no fim do ano passado em São Paulo, conhecimento é a palavra-chave para ampliar as perspectivas nesse sentido.

Formado por três pesquisadoras e ativistas pelos direitos humanos que se dedicam a desenvolver projetos educacionais com foco nas relações étnico-raciais do Brasil, o instituto dá início neste mês a um curso de introdução à cultura iorubá. São quatro módulos que abordam aspectos históricos, culturais, linguísticos e religiosos de um dos maiores grupos étnicos da Nigéria, origem de muitos africanos trazidos escravizados ao Brasil, por meio de encontros virtuais estruturados a partir da oralidade. O facilitador é o nigeriano radicado no Brasil Ìdòwú Akínrúlí.

"Quando a gente vai para a academia e começa a observar o acesso maior de pessoas negras e indígenas nas universidades brasileiras você percebe um grande acúmulo de produção científica muito bem embasada e muito importante para discussões sobre uma ideia de educação brasileira mais plural", diz uma das fundadoras do Ella, Siméia de Mello Araújo, que trabalha há dez anos com revisão de textos acadêmicos.

Ao longo do tempo tive contato com diversas contribuições de diversas pessoas [negras e indígenas] e pude perceber o quanto o racismo vai limitando e apagando muitas dessas contribuições

Siméia de Mello Araújo, cofundadora do Ella

O curso de introdução à cultura iorubá, diz Siméia, tem o intuito de ressaltar a sua potência e o quanto ela contribuiu e ainda contribui para a formação da sociedade brasileira — "tenhamos consciência disso ou não".

"Ela ainda está aqui embrenhada e articulada no nosso cotidiano e na nossa história, apesar de a gente às vezes querer apagá-la ou transformá-la muitas vezes em algo ruim, como a gente vê acontecer, por exemplo, com as religiões de matriz africana."

Mais informações

Como participar do curso: ellaeduca.com.br/introducao-a-cultura-yoruba