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Rosana Jatobá

Biden impressionou pela rapidez na retomada do Acordo de Paris

20 jan. 2021 - Presidente Joe Biden chega pela primeira vez à Casa Branca - Chip Somodevilla/Getty Images
20 jan. 2021 - Presidente Joe Biden chega pela primeira vez à Casa Branca Imagem: Chip Somodevilla/Getty Images

Rosana Jatobá

22/01/2021 04h00

A promessa foi cumprida bem antes do que se imaginava. Poucas horas depois de ser empossado como Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden orientou as agências governamentais a revisar e reverter mais de 100 ações tomadas por Trump na área ambiental! Biden também assinou uma série de decretos com o objetivo de enfrentar a crise climática.

Um deles bloqueia o oleoduto Keystone XL, um projeto que traria grande quantidade de petróleo do Canadá para ser refinado nos EUA; e um outro, interrompe a perfuração de petróleo e gás em regiões importantes para a vida selvagem.

Nenhum deles foi tão celebrado quanto o decreto que determina a volta dos Estados Unidos ao Acordo climático de Paris.

Firmado em 2015, o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima é um tratado internacional que reúne compromissos voluntários de 195 países para a redução de gases de efeito estufa (GEE) nas próximas décadas. Foi resultado de uma complexa negociação internacional que levou mais de 10 anos e envolveu as Nações Unidas, até que os governos pudessem apresentar metas de redução das emissões e ações de adaptação às mudanças climáticas. O principal objetivo é manter o aquecimento global no nível tolerável, entre 1,5 e 2 graus Celsius até 2100.

Acima desse patamar, as consequências podem ser alterações imprevistas na dinâmica climática do planeta nas próximas décadas. A Terra poderá ter uma maior elevação do nível do mar, derretimento de geleiras, extinção em massa de espécies, desertificação de biomas e maior intensidade de eventos climáticos extremos como tempestades, enchentes, secas e furacões...

O Acordo de Paris ia muito bem até ser refutado pelo ex-presidente Donald Trump, sob o argumento de que a redução das emissões de gás carbônico seria prejudicial para a produção energética dos Estados Unidos, baseada na queima de carvão, petróleo e gás. Trump alegava a consequente elevação de custos para a indústria nacional e eliminação de empregos.

Foi um balde de água fria frente aos esforços internacionais para conter o aquecimento do planeta.

Como alcançar as metas de redução de CO2 sem o compromisso dos EUA? O país é o segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas da China, e responde por 20% das emissões de gases que provocam o efeito estufa. Os Estados Unidos precisam reduzir 32% das suas emissões até 2030, tendo como base o ano de 2005.

A saída dos americanos do Acordo de Paris trouxe uma outra preocupação. Como implementar o modelo de financiamento climático do tratado? As nações ricas são as mais poluentes e assumiram o compromisso de financiar projetos de adaptação climática em países em desenvolvimento.

Os especialistas suscitaram também o temor de que a saída da nação americana representasse uma "bola de neve" e levasse outros países a rever sua participação e os compromissos assumidos no Acordo.

O governo brasileiro ensaiou uma retirada. E só foi demovido da loucura por causa da forte reação dos ambientalistas e da sociedade civil.

Agora, com a gestão Biden focada nas energias renováveis, a reinserção dos Estados Unidos no Acordo de Paris reacende a esperança pelo resgate do planeta.

O maior consenso da comunidade internacional em torno da mudança climática ganha novo fôlego, até para mostrar que é a grande ferramenta econômica para um futuro mais sustentável.

Um estudo recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que a implementação dos objetivos de redução de emissões previstos pelo Acordo de Paris pode elevar a produção nas 20 maiores economias do mundo em até 2,8% nas próximas décadas.