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Rodrigo Hübner Mendes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Superdotação faz parte do guarda-chuva da Educação Especial?

Getty Images
Imagem: Getty Images

17/12/2021 14h57

"A menina dorminhoca", respondeu Vitor após a professora do maternal indagar à turma o que estava escrito na capa do livro que segurava. A criança, que já surpreendia a mãe por ler com frequência anúncios e outros textos, tinha três anos de idade e nunca havia usufruído de aulas de leitura. O fato, assim como tantos outros semelhantes, acabou se tornando manchete de jornal.

Casos de pessoas que se destacam por atos prodigiosos, em virtude de habilidade superior, superdotação, precocidade ou genialidade (gradações de um mesmo fenômeno) sempre chamaram a atenção e despertaram nossa curiosidade. Entretanto, esse assunto raramente é abordado com a exigida profundidade e ainda alimenta a manutenção de mitos e equívocos. Outro dia, por exemplo, um amigo que há tempos se interessa pelo tema da inclusão escolar me perguntou, com tom de estranheza, sobre o motivo de estudantes com altas habilidades fazerem parte desse assunto.

Assim como um aluno que tem uma deficiência ou um transtorno do espectro do autismo, crianças como o Vitor muitas vezes enfrentam barreiras nas redes de ensino e abandonam as escolas diante da ausência de estratégias pensadas para endereçar suas demandas. Em outras palavras, tais pessoas apresentam certas características que justificam a adoção de ações diferenciadas por parte das equipes pedagógicas. Daí o motivo de serem contemplados no público-alvo da Educação Especial no Brasil e em diversos países.

Cabe destacar que o Ministério da Educação há tempos enxerga esse assunto como objeto de políticas públicas e prevê ações específicas que viabilizem o atendimento desses estudantes nas escolas comuns. Formação dos educadores e gestores, oferta de atendimento especializado complementar e orientação de familiares são algumas das vertentes que englobam esse conjunto de ações. É bom lembrar que toda a argumentação sobre a importância da presença da diversidade humana na sala de aula e os benefícios que ela promove a todos, tendo em vista a colaboração que gera à qualidade do ensino oferecido, aplica-se também a esse segmento social. No final do dia, o convívio com todas as nuances da nossa heterogeneidade humana é um ativo que agrega inestimável valor ao processo de desenvolvimento de qualquer criança.

Nota: aproveito para informar que estarei em período de férias até o final de janeiro. Nos vemos em breve!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL