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Milo Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coletivos de bicicletas partem para o voluntariado em ações sociais

BikeSystem - Lucas Meola/Divulgação
BikeSystem Imagem: Lucas Meola/Divulgação

Milo Araújo

20/08/2021 06h00

O trabalho voluntário é uma forma de se envolver em ações que beneficiam causas que estão, muitas vezes, ignoradas pelo poder público. Recentemente tivemos um caso onde a entrega de alimentos, na região conhecida como Cracolândia, em São Paulo (SP), para pessoas que estão em situação de rua e dependentes químicos foi impedida pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Eles usam do argumento que se eles não receberem os alimentos, sairão de lá. Mas isso não é bem assim.

A questão é mais profunda e tem muita relação com a má administração do poder público, da falta de iniciativas na saúde e de corrupção. De quem tem altos ganhos com essa situação e se encontram em lugar de grande poder, ao ponto de conseguir manipular toda essa situação, fazendo com que essa situação se perpetue puramente para ganhos próprios. No Brasil, o voluntariado está ligado principalmente à atuação de organizações religiosas, como esta, que é coordenada pelo padre Julio Lancellotti, e que foi duramente criticada duramente por uma deputada que deveria não criticar, mas sim viabilizar soluções para que não haja necessidade de ações como essa.

Porém, enquanto o cidadão não consegue fazer valer seus direitos e ter uma vida digna, surgem cada vez mais pessoas, organizações e coletivos que se colocam à disposição por meio do trabalho voluntário para amenizar situações como essa. Existem diversas formas de atuação para um trabalho voluntário, que variam de presenciais ou à distância, por meio de ações individuais, participação de campanhas (doação de sangue, arrecadação de livros, reciclagem), criação de grupos para apoio ou suporte (associação de moradores, grupo de trabalhos com objetivos como o saneamento e saúde, por exemplo), trabalho de alfabetização e letramento de crianças que moram em abrigos, por exemplo, e atuação em projetos públicos com o objetivo de melhoria na cidade

Foi assim com o coletivo BikeSystem, formado por bicicletas equipadas com sistemas de som compactos, que foi criado por Mauro Farina e o artista visual português Manuhell e idealizadas na Casa da Luz, um espaço cultural inaugurado em fevereiro de 2015 no bairro da Luz, com o intuito de criar um aparato que levasse diversão e música pelas ruas de São Paulo. No início da pandemia, junto com o artista visual Juan Quintas, pedalou pela cidade fazendo doações e distribuiu cerca de mil kits de água, sabão e mais de duas mil máscaras.

"Durante a pandemia, descobrimos que antes de tudo nós precisávamos de um propósito para sair às ruas, e o propósito foi levar doações e ajudar os mais vulneráveis". A nossa ideia no pós-pandemia é de disponibilizar as bicicletas do BikeSystem para outros coletivos de bikers de São Paulo sonorizarem seus rolês e amplificarem seus discursos. Queremos também apoiar artistas independentes na divulgação de sua música, tocando lançamentos e apoiando a divulgação desses artistas pelas ruas do Brasil", revela o DJ.

Recentemente o Malungada, um coletivo de ciclistas formado por pessoas pretas, se colocou à disposição para buscar alimentos e roupas para aquelas pessoas que desejam ajudar, porém, não podem se deslocar até a ONG @nos.por.nois, que desenvolve um trabalho de assistência com pessoas em situação de vulnerabilidade que inclui doação de alimentos e roupa. Muito importante, principalmente neste período de frio intenso. E convidam a todas e todos a somar forças, doando o que puder e/ou participando dos trabalhos voluntários.

Para quem for doar e quiser solicitar a retirada, pedem que envie uma mensagem no perfil do coletivo com o seu meio de contato para combinar com o ciclista mais próximo da sua região.

"A ideia foi poder apoiar o coletivo Nós por Nois, que vem fazendo ações quase que diária de levar comida, roupa e uma palavra de acalento para a população está nas ruas do centro. Nós, como um grupo de pedal de pretes, sentimos a necessidade de atuar de alguma forma, e chegamos na ideia de arrecadar doações para o coletivo. Principalmente pensando que grande parte dessa população é composta de pessoas pretas. Não se trata somente de nos juntarmos para um pedal, mas muito mais de um grupo de pessoas diversas, que compartilham as manifestações do que é ser preto e preta no Brasil", diz Fernanda Najah, uma das integrantes do coletivo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL