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Milo Araújo

O que os candidatos à Prefeitura de SP pensam para as bicicletas?

Milo Araújo

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

24/10/2020 04h00

Política tem sido um assunto indigesto para a pessoa brasileira que habita o ano de 2020, - habitante sim, pois esse ano é muito mais do que uma marcação de tempo, ele é uma localidade de atmosfera pesada - e confesso que está demorando de cair a minha ficha. As eleições de 2020 já estão na nossa cara, mas acredito que estamos em negação por conta do trauma nacional que foram as eleições de 2018. Mas bora lá. Ânimo, pessoal!

Eu resolvi me inteirar um pouco mais sobre o que têm rolado nessa pauta e fui dar uma lida nos Planos de Governo dos principais concorrentes ao trono de ferro, ops, cargo de prefeito da cidade de São Paulo. Fui lá na parte de mobilidade para procurar saber o que pensam os candidatos sobre a modalidade no quesito bicicletas. Olha só o que eu achei (lembrando que citarei aqui literalmente as partes onde constam citações às bikes):

Celso Russomanno

"Elaboração de Plano Cicloviário integrado ao Plano de Mobilidade do Pedestre que deverão ser implementados, sempre buscando a integração plena de todos os modos de transporte, proporcionando meios de deslocamentos saudáveis e não poluentes."

"Implantar projetos de infraestrutura adequados para circulação de pedestres e ciclistas, incluindo a construção, renovação e rebaixamentos de calçadas, vias públicas e parques, tornando-as acessíveis às pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida e/ou cadeirantes. Dotar também esses locais de sinalização e de sistema de iluminação."

Eu achei engraçado que o Celso Russomanno acha que o comportamento do modal bicicleta é mais próximo de um pedestre do que de um carro. Talvez o próprio Celso não saiba que bicicleta é configurada como veículo segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Também achei notável ele nem citar a palavra "ciclovias", coisa meio básica quando falamos sobre o assunto. Porém, digno de nota foi a mistura dos termos ciclistas, cadeirantes e iluminação todos num mesmo parágrafo. Vemos aqui um exemplo explícito de proposta sem sentido, vazia e desestruturada, escrita por alguém que obviamente não sabe nada sobre o assunto.

Bruno Covas

Já fez: 161 km de ciclovias foram implantadas e/ou requalificadas.

Vai fazer: A malha cicloviária da cidade ultrapassará 650 km, com a interconexão dos trechos existentes, iluminação, semaforização, manutenção constante das vias e inauguração de novos bicicletários públicos.

Primeiramente queria reclamar que Bruno não fez um sumário no Plano de Governo, e isso me chateou bastante. Isso dito, vamos às bikes. Este plano está organizado num formato estilo "o que já rolou/o que vai rolar". Bruno foca nas ciclofaixas feitas e no número que se extenderá. Porém, ele não apresenta quantos kms de malha cicloviária a cidade já tem, impedindo o leitor ou a leitora de fazer uma comparação. Não falou nenhuma bizarrice como nosso amigo Celso, mas se manteve ali no básico.

Guilherme Boulos

Melhorar a qualidade do transporte coletivo para que seja possível redução significativa de viagens de automóvel;

Planejar e aumentar segurança e qualidade do transporte de bicicletas, investindo na criação e integração entre ciclovias, terminais de ônibus, estações do metrô e os demais modais;

Garantir infraestrutura de suporte para ciclistas na cidade, como bicicletários cobertos, no entorno das estações desses transportes;

Integrar os bicicletários com o sistema de Bilhete Único da cidade de São Paulo;

Guilherme Boulos acrescenta a camada de complexidade que o tema demanda. Foi o único plano de governo que cita a necessidade da redução de viagens de carros na cidade de São Paulo. Ele, assim como a maioria dos candidatos, cita expansão das ciclovias, mas vai além, propondo a integração dos bicicletários com o Bilhete Único. É digno de nota também que Boulos foi o único a falar sobre aumentar a segurança do ciclista. Ponto para Boulos.

Márcio França

Conectar as ciclovias entre elas, expandir calçadas entre espaços públicos de grande fluxo e alta densidade, com a priorização para conexões de ciclovias e passarelas;

Inclusão de cadeira de roda elétrica como meio alternativo: Para pessoas com mobilidade reduzida teremos a inclusão de cadeiras de rodas elétricas nos mesmos moldes das bicicletas.

Adoção de outros modais como o transporte por bicicleta, aumentando o número de bicicletários e ciclovias existentes e estimulando a integração com outros modais de transporte coletivo.

França também traz o debate sobre a integração da bicicleta dos os outros modais de transporte, necessário pra gente falar sobre expansão do uso das bicicletas no nosso território. Também fala sobre expansão e conexão da malha cicloviária. Eu realmente só não entendi se ele realmente está propondo que cadeira de roda elétrica seja incorporada como um modal de transporte dentro da lógica da mobilidade paulistada. De fato, essa me deixou até sem palavras.

Essas foram análises de um pedacinho bem pequeno do plano de governo desses candidatos. Dêem uma lida nesses documentos com atenção. Todo dia uma nova notícia desestimulante mostra pra gente a importância de se votar conscientemente. Então, coragem!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.